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Monday, May 30, 2016

A Operação Lava Jato versus Estratégia Nacional de Defesa

Criada em 2011, a Odebrecht Defesa e Tecnologia (ODT) estava desenvolvendo vários projetos e soluções inovadoras para a autonomia tecnológica brasileira e das Forças Armadas. Os projetos, tecnologias e produtos de alta complexidade eram tanto para uso militar como civil. A Odebrecht Defesa e Tecnologia estava atuando nos seguintes mercados de defesa militar, com possibilidade de uso civil:

1 - Embarcações e monitoramento oceânico: por meio do Programa de Desenvolvimento de Submarinos, a Odebrecht Defesa e Tecnologia, em parceria com a francesa DCNS, está produzindo o primeiro submarino com propulsão nuclear do Brasil.

Dentro das inovações totalmente nacionais se encontram o Sistema de Propulsão Nacional e o Reator Nuclear desenvolvido pela Marinha. Este Reator deverá possuir capacidade para gerar 50 MW (Mega Watts) e ter vida útil de 5 anos, o que possibilita dar várias voltas ao mundo sem reabastecimento.

2 - Armamentos inteligentes: armamentos totalmente nacionais, sob o desenvolvimento da Mectron, que possuem sistema de busca integrado e alta capacidade de detecção e rastreio de alvos. Destacam-se o MAA-1, MAA-1B, MAN-SUP, MAR-1 e o TP-1 (este, em parceria com a alemã Atlas).

O MAA-1, Míssil Ar-Ar de Curto Alcance, 3ª geração, é utilizado em combates aéreos do tipo “fire and forget” (que não precisa ser guiado pelo lançador, daí o “dispara e esqueça”), que utiliza detecção passiva infravermelha dos alvos. Produto com vários lotes já entregues à Força Aérea Brasileira, é o único míssil ar-ar totalmente integrado ao Supertucano ALX.

O MAA-1B, Míssil Ar-Ar de Curto Alcance e 4ª geração, é uma evolução do MAA-1, possuindo capacidade de contra-contramedidas eletrônicas, maior ângulo de visada e maior manobrabilidade. Seu projeto foi iniciado ainda na década de 1980 e, sob o controle da Mectron, finalmente foi totalmente desenvolvido. Foi projetado especialmente para países em desenvolvimento, pois pode ser utilizado em qualquer caça mais antigo e de baixo custo4.

O MAN-SUP, Míssil Superfície-Superfície, é utilizado em combates navais em mar aberto. Utiliza guiagem ativa a radar, trajetória “sea skimming” e possui características e performance semelhantes ao EXOCET MM-40. Seu desenvolvimento iniciou em dezembro de 2011. Está programado para o segundo semestre de 2016 o seu lançamento de qualificação.

O MAR-1, Míssil Ar-Superfície, antirradiação, é utilizado em missões de supressão da defesa antiaérea inimiga, tendo como alvos radares de superfície, e concebido para o moderno cenário de guerra eletrônica. Vinte unidades foram disparadas no Brasil e oito no Paquistão.

O TP-1, Torpedo Pesado, é parte dos objetivos estratégicos da Marinha do Brasil para assegurar a proteção da Amazônia Azul, por meio do programa do Torpedo Pesado Nacional em escala reduzida (TPNer). Este projeto está sendo desenvolvido em parceria com a alemã Atlas Elektronik.

3 - Sistemas de comunicação: sistemas como LINK BR-2 e RDS garantem a segurança da informação em comunicações estratégicas nacionais que requerem sigilo e confiabilidade. De nada adianta possuir mísseis de longo alcance e teleguiados sem um sistema confiável e totalmente nacional de comunicação entre o centro de comando e os caças.

O LINK BR-2 consiste no desenvolvimento e implantação de um Sistema de Comunicação Segura por Enlace de Dados (Data Link) para uso militar em teatros operacionais, com criptografia de dados, voz e imagens. É implementado através da instalação de EDL (Estações de Data Link) em diversos tipos de plataformas aéreas, marítimas e terrestres, incluindo aeronaves de combate, aeronaves de alerta antecipado e controle (AEW&C), planejamento, gerenciamento, entre outras. Desenvolvido pela Mectron, o Link BR-2 será o sistema padrão para orientação de caças para a FAB6.

O RDS (Rádio Definido por Software de Defesa) é coordenado pelo CTEx (Centro Tecnológico do Exército Brasileiro) que integra o Projeto Estratégico de Defesa Cibernética do Exército Brasileiro, visando a interoperabilidade da comunicação entre as Forças Armadas brasileiras.

4 - Radares: o produto projetado para a aeronave AMX, da Força Aérea Brasileira, é utilizado como o principal sensor de seu subsistema de armamento, detectando e rastreando alvos marítimos, terrestres e aéreos. É resultante de um programa binacional viabilizado através da parceria entre a Mectron e a empresa italiana Selex.

A ODT atua com os projetos acima junto à Estratégia Nacional de Defesa (END) do Estado Brasileiro para modernização e reestruturação da indústria de defesa nacional por meio de 3 empresas: Mectron, ICN e CBS. Com a prisão “preventiva” de Marcelo Odebrecht pelo “juiz” federal Sergio Moro como parte da Operação Lava Jato, todos estes projetos da Odebrecht começaram a ser atrasados, paralisados ou mesmo cancelados.

Mectron – Sediada em São José dos Campos, a empresa foi adquirida pela ODT em 2010. É especializada no desenvolvimento de produtos de alta tecnologia e sistemas complexos para uso militar e civil. Até o início deste ano, ela era 100% da Odebrecht Defesa e Tecnologia.

A ODT colocou à venda 40% da Mectron para que possa dar continuidade aos projetos dos armamentos inteligentes de tecnologia nacional. Está vendendo 40% para atender a legislação de empresa de estratégia de defesa, que a obrigada a manter 60% de capital nacional.

ICN (Itaguaí Construções Navais) – Responsável pela construção de quatro submarinos de propulsão convencional e um submarino de propulsão nuclear do Programa Nacional de Desenvolvimento de Submarinos (PROSUB) para a Marinha. Este programa foi firmando entre Brasil e França no final de 2008. A ICN é composta pela Odebrecht, com 59%, DCNS (Direction des Constructions Navales et Services), com 41%.

O primeiro submarino convencional deveria ser entregue em janeiro de 2016. Devido aos atrasos de pagamento por parte do governo em consequência da intervenção da Operação Lava Jato, só deverá ficar pronto em 2018, sem mês definido. Um atraso de pelo menos 2 anos. A previsão inicial de entrega do submarino nuclear era para 2025, mas também sofrerá forte atraso. O Comando da Marinha informou que o ritmo das obras do estaleiro e da base naval de Itaguaí foi reduzido, no ano de 2015, em 40%.

CBS (Consórcio Baia de Sepetiba) – Responsável pelo apoio à Marinha do Brasil no planejamento, coordenação, gestão e administração das interfaces do PROSUB. É composta pela Odebrecht (50%) e DCNS Group (50%). Sofre os mesmos problemas que afetam a ICN.

RF

1 Conforme informações no site: http://odebrecht.com/pt-br/negocios/nossos-negocios/defesa-e-ecnologia

2 Revista digital Defesa Aérea & Naval, de 07/12/2012, in http://www.defesaaereanaval.com.br/submarino-nuclear-brasileiro-alvaro-alberto-sn-10

3 Conforme informações no site: http://www.odebrechtdefesa.com

4 Apresentação da Mectron na Feria Internacional del Aire y del Espacio (FIDAE), em Santiago do Chile, pela Associação Brasileira de Indústrias de Material de Defesa (ABINDE).

5 Apresentação da Mectron na Feria Internacional del Aire y del Espacio (FIDAE), em Santiago do Chile, pela Associação Brasileira de Indústrias de Material de Defesa (ABINDE).

6 Revista digital Defesa Aérea & Naval, de 17/11/2014, in http://www.defesaaereanaval.com.br/braco-da-odebrecht-cria-sistema-de-orientacao-de-cacas-para-a-fab

7 Conforme informações no site: http://www.odebrechtdefesa.com

Agência INVERTA

Thursday, May 19, 2016

Operação Lava Jato e o desmonte de nossa indústria autônoma

Toda vez que o Brasil começa a dar seus primeiros passos para se tornar uma potência tecnológica, lá vem as oligarquias conservadoras e pró-imperialistas (isto é, empresários, latifundiários e intelectuais travestidos de lobos, mas que não passam de cordeirinhos dos EUA, assim como foram as oligarquias escravocratas cordeirinhas da colonização portuguesa e, depois, da colonização inglesa) assassinar cruelmente o nosso futuro. O assassinato precoce de nosso desenvolvimento tecnológico e da nossa soberania nacional sempre foi o pano de fundo dos golpes contra o povo brasileiro, seja de fachada institucional (o Golpe Parlamentar de 1961, contra a posse de João Goulart, democraticamente eleito) ou seja sanguinário (o Golpe Militar-Civil de 1964, contra as Reformas de Base). Agora estamos vendo nosso futuro ser massacrado novamente pelas mãos conspiratórias de “nossa” oligarquia. A pregação golpista continua a mesma de sempre: converter as lideranças políticas do progresso em corruptos e os agentes do avanço tecnológico nacional em corruptores.

As ambiciosas obras de infraestrutura (obras que não são de interesse imediato dos monopólios internacionais) em torno do PAC 1 (R$ 619 bilhões1) e PAC 2 (R$ 1,066 trilhão2), entre o primeiro e segundo mandatos do presidente Lula e o primeiro da presidenta Dilma, convocaram as principais construtoras do país para reconstruir o Brasil. Foram 1,7 trilhão de reais, entre de 2007 e 2014, em obras de infraestrutura básica em energia (Luz para Todos, grandes usinas Hidrelétricas, Gasodutos), transporte (hidrovias, ferrovias, portos, aeroportos, pontes), saneamento básico (Estações de Tratamento de Águas, Coleta e Reciclagem), habitação (Minha Casa Minha Vida).

Ao mesmo tempo, os presidentes Lula e Dilma também financiaram um processo de expansão regional por meio de acordos na UNASUL (União das Nações Sul-Americanas) e na CELAC (Comunidade dos Estados Latino-Americanos e Caribenhos). Foram investimentos na ordem de 200 bilhões de dólares3 (R$ 700 bilhões) em obras de infraestrutura de energia e transportes. As grandes construtoras nacionais foram chamadas para iniciar também a reconstrução do continente. Com estas gigantescas obras no continente, as construtoras nacionais se tornam multinacionais, avançando em nações onde o imperialismo estadunidense boicotava, e ainda boicota, abertamente seus governos democráticos e populares. Logo, as construtoras nacionais não encontravam concorrentes estadunidenses, podendo avançar e se desenvolver sem maiores restrições.

O sonho de se globalizar de dentro para fora (e não apenas globalizar seu mercado interno ou suas commodities) enfim foi alcançado pelas construtoras, particularmente pela Odebrecht e, seguida de longe, pela Andrade Gutierrez (também conhecida como a “empreiteira de Aécio Neves”). As gigantes empreiteiras nacionais Camargo Correa (conhecida como a “empreiteira da ditadura militar”) e OAS (que nasceu a partir de subcontratos com a Odebrecht nos anos 70), que ganharam gigantescas obras na época da ditadura militar, somente se tornaram multinacionais propriamente ditas a partir do segundo governo Lula. A base da transnacionalização destas construtoras nacionais foi a aliança com o governo petista, particularmente àquela que se tornou a nossa maior multinacional, a Odebrecht.

Com esta aliança, estas empresas brasileiras consolidaram sua hegemonia na construção civil precisamente aonde não havia concorrência com as multinacionais imperialistas: América Latina, África e Oriente Médio. A transnacionalização das construtoras nacionais em aliança com o governo petista foi o que pavimentou o país ao posto de sétima (ou sexta, por um ano) economia mundial e deu musculatura para exigirmos a reforma do Conselho de Segurança das Nações Unidas, incorporando o Brasil neste seleto grupo controlado por cinco gigantescas potências militares.

Mas foi sob o comando da presidenta Dilma que a transnacionalização deu um grande salto à frente. A integração do Cone Sul e a reforma no Conselho de Segurança da ONU já representavam uma significativa liderança regional, mas foi a criação do BRICS que colocou o mundo unipolar dos EUA em xeque. O BRICS foi idealizado para formar um “Novo Banco de Desenvolvimento”, em oposição aos famigerados FMI (Fundo Monetário internacional) e Banco Mundial, e instituir uma nova moeda para as transações internacionais, em oposição ao dólar. O imperialismo estadunidense então partiu para o contra-ataque, intensificando sua ofensiva terrorista para destruir todos os países em torno do BRICS. No caso do Brasil, partiram abertamente para a ofensiva golpista, boicotando o governo petista em geral e golpeando a presidenta Dilma, em particular, com sua reeleição em 2014.

Em meio à crise energética dos EUA, foi comprovada a existência dos gigantescos poços de petróleo na Bacia de Santos, no Pré-Sal (2007). Logo após esta descoberta, o governo dos EUA anunciou, em abril de 2008, o retorno das operações da famigerada Quarta Frota. Composta por 22 navios, sendo quatro cruzadores com mísseis, quatro destróieres com mísseis, 13 fragatas com mísseis e um navio hospital, é claro que não se tratava de um cruzeiro de férias para os marines no Oceano Atlântico. Também estava claro que, além de a “Petrobrás se tornar a vanguarda em águas profundas”, como afirmou o presidente da estatal José Sérgio Gabrielli, era urgente o reforço de nossa defesa armada. Foi assim que, no final deste mesmo ano (2008), o presidente Lula implanta o programa da Estratégia Nacional de Defesa (END)4 para reestruturação e modernização da indústria de defesa nacional e reorganização das Forças Armadas.

Para protegermos a nossa principal riqueza, o Pré-Sal, já não bastava apenas possuir uma Base de Alcântara para lançar satélites dos outros, precisamos também produzir satélites 100% controlados por instituições brasileiras para garantir segurança total nas transmissões de informações e dados estratégicos ao país; já não bastava apenas construir navios plataformas, precisamos também produzir submarinos de propulsão convencional e nuclear, ultra silenciosos e sem restrição de patrulha e defesa; já não bastava apenas construir jatinhos executivos, precisamos também produzir caças de ataques supersônicos, com poder de fogo e de intervenção imediata; já não bastava somente construir veículos anfíbios de combate, precisamos também produzir misseis de médio e longo alcance teleguiados. Que empresa nacional, entre todas as outras nacionais ou multinacionais, saiu na frente?

Como parte do programa da Estratégia Nacional de Defesa, a Odebrecht criou um setor de Defesa e Tecnologia. Em 2011, fundou a Odebrecht Defesa e Tecnologia para desenvolver projetos e produtos de alta complexidade de uso militar e civil, com tecnologia genuinamente brasileira. Entre seus inovadores desafios “estava” a construção do nosso primeiro submarino com propulsão nuclear, em parceria com a francesa DCNS, além da construção de quatro submarinos convencionais. Isso por si só já seria um gigantesco passo para o país, mas a Odebrecht também “estava” iniciando a produção de armamentos inteligentes, como mísseis antirradiação de alto e curto alcance com guiagem em terra, ar e mar aberto e sistemas de alta capacidade de detecção e rastreio de alvos. Somente 3 países controlam a técnica de produção de mísseis antirradiação (“invisível” ao radar), o Brasil seria o quarto... Com a prisão “preventiva” de Marcelo Odebrecht pelo “juiz” federal Sergio Moro, como parte da Operação Lava Jato, todos estes projetos da Odebrecht começaram a ser paralisados ou mesmo cancelados!

Para a “nossa” oligarquia, a aliança forjada na última década, vitoriosa nas urnas em 2014, estava colocando o Brasil no seleto grupo das grandes potências tecnológicas e desafiando o FMI, o Banco Mundial e o dólar. Logo, para eles, o governo Dilma deveria ser ferido mortalmente! O disparo golpista contra a aliança deveria ser imediato e prolongado para se matar os 2 alvos: o governo petista e a transnacional Odebrecht. A Operação Lava Jato iniciou suficientemente municiada com as espionagens da SNA (Agência de Segurança Nacional dos EUA), conforme revelação do ex-técnico Edward Snowden da CIA (Agência Central de Espionagem dos EUA). O roteiro desenvolvido pelo juiz federal Sergio Moro, Ministério Público Federal (MPF) e Polícia Federal (PF) não deixa dúvidas sobre seu objetivo: deslegitimar o governo petista (Dilma e Lula) e criminalizar o projeto de autonomia tecnológica brasileira (Odebrecht). Os vazamentos seletivos e “análises” metralhados pela grande mídia foram desfocando os agentes por trás da aliança golpista (oligarquias conservadoras e o imperialismo estadunidense) pelo desmonte da indústria genuinamente nacional e autônoma.

Em discurso proferido logo após a sua absurda e midiática condução coercitiva para um posto da Policia Federal no aeroporto de Congonhas (cujo propósito original deste local era levá-lo como preso ao juiz Sergio Moro, em Curitiba), o ex-presidente Lula falou que se deveria investigar as perdas econômicas provocadas pela Operação Lava Jato. Marcio Pochmann, presidente da Fundação Perseu Abramo, em recente entrevista, disse que “é possível estimar que no ano de 2015, quando o IBGE afirma que houve uma redução de 3,8% no PIB, 2,5% da queda tenha sido expressão das decisões da Lava Jato”. Além disso, também afirmou que das “2,6 milhões de pessoas desempregadas no ano passado..., as decisões da força-tarefa desta operação foram responsáveis por 1,5 milhão de demissões”!

A questão que tem que ser colocada não é simplesmente as duras perdas para a economia brasileira, mas sim quantos anos retrocederemos com a vitória do golpe reacionário e institucional (jurídico, parlamentar e midiático) sustentado pela Operação Lava Jato? Quantos anos retrocederemos com a privatização do Pré-Sal? Quantos anos serão necessários novamente para o povo brasileiro retomar seus grandes projetos de construção de satélites 100% nacionais, do submarino de propulsão nuclear, de caças de ataques supersônicos e dos misseis de longo alcance teleguiados? Se a “força-tarefa” da Operação Lava Jato em aliança com as oligarquias financeiras internacionais conseguirem concretizar seu golpe fascista, quantas vidas serão sacrificadas para novamente criarmos as condições para a retomada destes projetos fundamentais para a nossa soberania?
RF

1 11º Balanço Completo do PAC – 4 anos (2007 a 2010). Publicado em “http://www.pac.gov.br/sobre-o-pac/publicacoesnacionais”


2 11º Balanço Completo do PAC 2 – 4 Anos (2011 – 2014). Publicado em “http://www.pac.gov.br/sobre-o-pac/publicacoesnacionais”


3 Balanço de Atividades 2011 do Conselho Sul-Americano de Infraestrutura e Planejamento – COSIPLAN. Publicado em http://iirsa.org/


4 Decreto nº 6.703, de 18 de dezembro de 2008.


Agência INVERTA

Tuesday, October 9, 2012

O maior escândalo da história da República?

por Antonio Cícero Cassiano Sousa, originalmente publicado no Jornal Inverta no. 446, em 24/09/2012

O chamado escândalo do “mensalão” veio à tona com a divulgação em 2005 de um vídeo onde um funcionário dos Correios era flagrado recebendo propina de um suposto empresário interessado em licitações. Aparentemente algo corriqueiro na administração do Estado burguês. O que estava por vir, no entanto, adquiriu conotação de grave crise política que ameaçou a reeleição do então presidente Lula. A imprensa dos monopólios voltou-se para o caso com todas as suas baterias, no melhor estilo copiado do nazifascismo de uma mentira (no caso, trata-se de uma velha prática apresentada como novidade – esta é a falsificação!) repetida mil vezes se torna verdade. O operador das transações seria o publicitário Marcos Valério. Quando as denúncias chegam à cúpula do PTB, o Sr. Roberto Jeferson assume o papel de denunciante e volta-se contra a cúpula do PT, acusando-a de patrocinar um esquema de compra de votos. Nas entrelinhas, o apresentador do sensacionalista “Povo na TV” deixava entender que havia mais a denunciar, como caixa dois na campanha de FHC. Durante meses, a mídia burguesa exibiu o espetáculo, que se não inviabilizou a reeleição de Lula, foi suficiente para manter o governo na “rédea curta”.

Além de prática secular na administração do Estado pela burguesia no Brasil e no mundo, o escândalo do mensalão revela uma disputa entre as oligarquias. Com a eleição de Lula, houve o deslocamento do setor das oligarquias que representava o City Group (Citibank) e o Grupo Opportunity de Daniel Dantas (governo FHC). Este setor havia participado da farra das privatizações, especialmente na área das telecomunicações, o volume de negócios chegou aos 16 bilhões de dólares, fazendo os milhões de reais do Sr. Marcos Valério parecerem uma ninharia. Hoje a articulação Opportunity-PSDB-PFL (DEM) ganha maior comprovação com as denúncias de envolvimento do semanário Veja, Carlinhos Cachoeira e Demóstenes Torres na preparação da situação que permitiu a gravação do vídeo do recebimento da propina nos Correios.

Em 2007, o Procurador Geral da República denuncia o chamado “mensalão tucano”, mais um elemento a confirmar o que já se sabia ser prática comum, dela se beneficiara o governador do PSDB de Minas Gerais Eduardo Azeredo para se eleger em 1998. Segundo a denúncia, ali se formou o laboratório para os atos denunciados em 2005. Documentos da Procuradoria também responsabilizam empresas (Telemig e Amazônia Celular) controladas pelo Banco Opportunity, de Daniel Dantas, no financiamento do Valerioduto. Tais denúncias levaram a condenação e prisão do banqueiro, mas o que parece ser um negócio de expropriação vultosa de recursos públicos não mereceu o destaque conferido ao chamado mensalão petista. Certamente porque aqui estão mergulhados até o pescoço setores da mídia burguesa, cúpula do PSDB e banqueiros ligados ao esquema tucano.

Com a eleição de Lula em 2002, esses grupos que promoveram a escandalosa rapinagem das privatizações se viram, de alguma forma, deslocados do centro das atuações e ameaçados por novos atores. A venda do patrimônio estatal se completara praticamente, e a disputa se acirrava.

Como, o que parece ser o ato final do caso – o julgamento dos acusados do mensalão – está distante da intrincada disputa entre as oligarquias, acirrada por uma crise estrutural e orgânica do capitalismo que aflorou em 2008 em proporções que superam a crise de 1929! Além das disputas entre os dois ministros Ricardo Lewandowski e Joaquim Barbosa, há muitos personagens fora do processo, muitas pontas que não se ligam. Por que algumas figuras da CPI do Cachoeira não aparecem no julgamento do mensalão?  O julgamento ser simultâneo às eleições municipais faz dele uma peça na disputa eleitoral, e sua compreensão em termos dos reais interesses de classes pode contribuir para o fortalecimento das forças progressistas nas eleições e para o acúmulo de força da classe operária.

Se sucessivas crises reduzem os meios do capitalismo preveni-las, também as instituições vão se deteriorando, daí os escândalos de corrupção em todo o sistema. No entanto, a corrupção não é mais que um sintoma de uma anomalia sistêmica: um modo de produção que tem como lei fundamental a expropriação do trabalho, concentrando num polo cada vez mais riqueza em mãos de uma minora e no outro, a miséria crescente das massas. Para esconder esse escândalo, as oligarquias e seus aparelhos ideológicos – mídia e sistema jurídico – não podem passar da superfície, exigindo que se observe além da cena aberta.


o original pode ser lido em: http://inverta.org/jornal/edicao-impressa/461/politica/o-maior-escandalo-da-historia-da-republica

Thursday, July 5, 2012

VIVA O 5 DE JULHO!!!

 

O 5 de julho é uma data histórica, muitas vezes esquecida pelos lutadores populares brasileiros. Em 5 de julho de 1922, levantavam-se os 18 tenentes do Forte de Copacabana, no Rio, que seriam masssacrados pelas tropas do presidente Arthur Bernardes, ao marcharem contra os fuzis legalistas por justiça social. Em 5 de julho de 1924, Isidoro Dias Lopes e Miguel Costa levantavam os tenentes em São Paulo, tomando a cidade por 20 dias e sendo bombardeados pelas tropas legalistas. A data seria o estopim da Coluna Invicta, liderada por Luiz Carlos Prestes e que atravessou 25 mil quilômetros à pé pelo Brasil, lutando contra o exército, o cangaço e implantando a justiça popular contra os governadores das cidades tomadas. Em 5 de julho de 1935, Prestes lançava o manifesto da Aliança Nacional Libertadora, subordinando o movimento tenentista ao movimento operário, e dando início ao primeiro levante popular dirigido pela classe operária organizada em partido político, violentamente esmagado por uma união do fascismo de Getúlio Vargas e de Hitler. Para lembrar a data, o Batalha de Ideias reproduz o Manifesto de 5 de Julho, destacando os pontos de reivindicação da ANL.

 

A todo povo do Brasil!

Luiz Carlos Prestes, 5 de julho de 1935



Aos aliancistas de todo o Brasil! 5 de julho de 1922 e 5 de julho de 1924. Troam os canhões de Copacabana. Tombam os heróis companheiros deSiqueira Campos! Levantam-se, com Joaquim Távora, os soldados de São Paulo e, durante 20 dias é a cidade operária barbaramente bombardeada pelos generais a serviço de Bernardes! Depois . . . a retirada. A luta heróica nos sertões do Paraná! Os levantes do Rio Grande do Sul! A marcha da coluna pelo interior de todo o país, despertando a população dos mais ínvios sertões, para a luta contra os tiranos, que vão vendendo o Brasil ao capital estrangeiro.

Quanta energia! Quanta bravura!

As lutas continuam - São 13 anos de lutas cruentas, de combates sucessivos e vitórias seguidas das mais negras traições, ilusões que se desfazem, como bolhas de sabão, ao sopro da realidade!

Mas as lutas continuam, porque a vitória ainda não foi alcançada e o lutador heróico é incapaz de ficar a meio do caminho, porque o objetivo a atingir é a libertação nacional do Brasil, a sua unificação nacional e o seu progresso e o bem-estar e a liberdade de seu povo e o lutador persistente e heróico é esse mesmo povo, que do Amazonas ao Rio Grande do Sul, que do litoral às fronteiras da Bolívia, está unificado mais pelo sofrimento, pela miséria e pela humilhação em que vegeta do que uma unidade nacional impossível nas condições semicoloniais e semifeudal de hoje!

Aliança Nacional Libertadora - Nós, os aliancistas de todo o Brasil, mais uma vez, levantamos hoje bem alto a bandeira dos 18 do Forte, a bandeira de Catanduvas, a bandeira que tremulou em 1925 nas portas de Teresina, depois de percorrer de Sul a Norte todo o Brasil! A Aliança Nacional Libertadora é hoje constituída pela massa de milhões que continua as lutas de ontem! A Aliança Nacional Libertadora é hoje a continuadora dos combates que, pela libertação do Brasil, do jugo imperialista, iniciaram Siqueira CamposJoaquim TávoraPortelaBenévoloCleto Campello, Janson de Mello, Djalma Dutra, e milhares de soldados operários e camponeses em todo o Brasil.

Somos herdeiros das melhores tradições revolucionárias de nosso povo e é, recordando a memória de nossos heróis, que marchamos para a luta e para a vitória!

Dias Decisivos

Brasileiros!

Aproximam-se dias decisivos.

Os trabalhadores de todo o Brasil demonstram, através de lutas sucessivas, que já não podem mais suportar e nem querem mais se submeter ao governo em decomposição de Vargas e seus asseclas nos Estados. Além disso, os cinco últimos anos deram uma grande experiência a todos em que no Brasil tiveram de suportar e sofrer a malabarista e nojenta dominação getuliana. E esses cinco anos de manobras e traições, de contradanças de homens do poder, de situacionistas que passam a oposicionistas e vice-versa, de inimigos "irreconciliáveis" que se abraçam, cinicamente, sobre os cadáveres ainda quentes dos lutadores de 1922, abriram os olhos de muita gente. Onde estão as promessas de 1930? Que diferença entre o que se dizia e se prometia em 1930 e a tremenda realidade já vivida neste cinco anos getulianos!

O Programa da Aliança Liberal

"A revolução brasileira não pode ser feita com o programa anódino da Aliança Liberal", dizia eu em maio de 1930, chamando a atenção dos companheiros da coluna para a luta contra o imperialismo e o feudalismo, sem a destruição dos quais tudo mais seria superficial, irrisório e mentiroso. "Se chegarmos ao poder, vamos controlar as empresas imperialistas, vamos evitar os abusos . . . vamos dar terra aos camponeses, sem ser necessário desapropriar grandes latifundistas, vendidos ao imperialismo", respondiam-me muitos deles. São passados cinco anos e todos os que honestamente assim pensaram já devem estar convencidos das utopias reacionárias que defendiam.

Dominação dos Imperialistas

Por outro lado a crise mundial do capitalismo, na sua agravação crescente leva os imperialistas a tornarem cada vez mais clara a dominação e a exploração dos países subjugados por eles nas colônias e semicolônias como o Brasil. Quem tem a coragem, nos dias de hoje, de negar que somos explorados bárbara e brutalmente pelo capital financeiro imperialista? Somente lacaios desprezíveis e nauseabundos, como Assis Chateaubriand ouHerbert Moses, ou então os chefes e teóricos do integralismo que, compreendendo e sentindo a vontade de luta das massas contra os bancos e empresas imperialistas, tratam de desviá-la, transformando a luta contra o imperialismo, a luta do povo contra os exploradores ingleses ou japoneses em questão de raça, em luta contra o semitismo.

Novas Concessões

E dia a dia novas concessões são feitas ao capital financeiro imperialista. Já não bastam os serviços públicos, os portos, as estradas de ferro, as minas. Extensões enormes do território pátrio são entregues a empresas estrangeiras. Toda a produção nacional, fruto do trabalho hercúleo das grandes massas trabalhadoras é entregue ao fascismo hitlerista, em troca de papéis sujos, isto é, de graça para ajudar o massacre do proletariado alemão e para organizar nova guerra imperialista. As fronteiras do país são abertas em troca de sombrinhas e biombos à invasão militarmente organizada do imperialismo japonês. A pequena indústria nacional, aquela que não está nas mãos dos tubarões estrangeiros ou de seus lacaios, é ameaçada de liquidação pelos tratados comerciais com a Inglaterra, com os Estados Unidos e o Japão. Enfim, a divisão do país, em zonas de influências sobre a denominação de um outro imperialismo torna-se cada vez mais clara.

Interesses Contraditórios das Classes Dominantes

A dominação imperialista utiliza o regionalismo, os interesses contraditórios das classes dominantes, que os servem, para, aprofundando esses interesses, despedaçar o país e melhor dominá-lo. Isto se reflete, claramente, no cenário político atual. São evidentes as divergências entre os diversos clãs que apóiam o governo de Vargas, entre Salles de Oliveira e Flores da Cunha, entre São Paulo e o Nordeste. Entre os "oposicionistas", a mesma coisa é facilmente observada, que todos os esforços pela formação de um partido nacional fracassam, lamentavelmente. Continuamos na política asquerosa dos blocos sem princípios; sem programa; do bloco que está no poder e do bloco que quer o poder.

O lntegralismo

Mesmo entre os fascistas tal estado de coisas se verifica. Apesar de toda a demagogia sobre a unificação nacional, o integralismo é bem uma fotografia da podridão, da decomposição, da divisão dos interesses contradicionários entre as cliques das classes dominantes de um ou de outro Estado. E por isso a tragédia do Sr. Plínio Salgado, obrigado a dizer hoje aqui uma coisa, amanhã ali ao contrário. Daí o engraçado do disse que não disse dos chefes integralistas, que todos os partidos das classes dominantes do Brasil refletem, queiram ou não queiram, a divisão regional que tem suas origens no feudalismo e se agrava com a penetração imperialista. Essa desagregação, por sua vez, acelera a venda do país ao imperialismo que penetra por todas as brechas e por todos os lados, porque o bando que está no poder, para não perdê-lo, precisa satisfazer às menores exigências de qualquer de suas facções. O governo de Vargas tem por isso satisfeito os interesses, os mais contraditórios, de todos os magnatas estrangeiros e de seus lacaios nacionais. Despedaçando o Brasil, sufocando na miséria o povo.

Unificação Nacional

A unificação nacional é, por isso, impossível sob a dominação imperialista. Só as grandes massas juntamente com a parte da burguesia nacional, não vendida ao imperialismo, serão capazes de, através de um governo popular revolucionário, acabar com esse regionalismo, com a desigualdade monstruosa que a dominação dos fazendeiros e imperialistas impôs ao país.

Esta é a tarefa gigantesca da Aliança Nacional Libertadora, que apresenta aos olhos de todo o Brasil, como a única organização realmente nacional, única organização onde os verdadeiros interesses do povo de cada Estado coincidem com os idênticos objetivos que congregam, em todo o Brasil, de norte ao sul, de este a oeste, os lutadores contra o imperialismo e os trabalhadores de todo o país, juntamente com a parte da burguesia nacional, não vendida ao imperialismo, serão capazes de, através de um governo popular revolucionário antiimperialista.

Em Marcha Para a Ditadura Fascista

Mas as classes dominantes, que sentem já não poder dominar a vontade de luta das massas, com as armas da brutal reação, que tenham sido até hoje empregadas, dessa tão falada "liberal democracia", marcham, ostensivamente e cada dia mais abertamente, para uma ditadura ainda mais bárbara - para a ditadura fascista - forma mais brutal, mais feroz da ditadura dos exploradores. Ameaçam o povo de todo o Brasil com a ditadura de elementos terroristas, mais reacionários com a ditadura dos mais cínicos lacaios do imperialismo. Nessa direção, para chegarem a um tal governo para sufocarem os últimos direitos democráticos do povo, os elementos não reacionários das classes dominantes tratam de por um momento vencer suas próprias contradições e unir-se numa "união sagrada". Vargas encontra por baixo da "oposição" todo apoio necessário à fascistização do seu governo, ao mesmo tempo que estimula e auxilia a organização dos bandos integralistas. A "oposição", por seu lado, prepara golpes de Estado e faz esforço para substituir, por ordem de seus patrões estrangeiros, por figuras novas e menos impopulares, as que ocupam o vacilante poder atual. O governo é abertamente fascista - essa grande ameaça que se prepara entre as classes dominantes contra o povo brasileiro!

Os Dois Campos Se Definem

O duelo está travado. Os dois campos se definem, cada vez com maior clareza para as massas. De um lado, os que querem consolidar no Brasil as mais brutais ditaduras fascistas, liquidar os últimos direitos democráticos do povo e acabar a venda e a escravização do país ao capital estrangeiro. Desse modo - o integralismo, como brigada de choque terrorista da reação. De outro, todos os que nas fileiras da Aliança Nacional Libertadora querem defender de todas as maneiras a liberdade nacional do Brasil, pão, terra e liberdade para seu povo. A luta não é, pois, entre dois "extremismos" como querem fazer constar os hipócritas defensores de uma "liberal democracia" que nunca existiu e que o povo só conhece através das ditaduras sanguinárias de EpitácioBernardesWashington Luís e Getúlio Vargas. A luta está travada entre os libertadores do Brasil, de um lado, e os traidores, a serviço do imperialismo, do outro.

Posição Clara e Definida

O momento exige, de todo homem honesto, uma posição clara e definida. Pró ou contra o fascismo; pró ou contra o imperialismo! Não há meio termo possível, nem justificável. A Aliança Nacional Libertadora é, por isso, uma vasta e ampla organização de frente única nacional. O perigo que nos ameaça, o perigo que aumenta dia a dia, nos obriga a colocar em primeiro plano nos dias de hoje, a criação do bloco, o mais amplo de todas as classes oprimidas pelo imperialismo, pelo feudalismo, e, portanto, da ameaça fascista. Tal a tarefa decisiva na atual etapa da revolução brasileira. A frente única não obriga a quem quer que nela venha formar, renunciar a defesa de seus conceitos e opiniões. Não! Isso seria semear confusões entre as massas populares e enfraquecer sua força revolucionária. Reconhecendo todas as divergências políticas, que entre nós possam existir, saberemos, como revolucionários, que o momento atual exige de tudo a concentração de todas as nossas forças para luta contra o imperialismo, o feudalismo e o fascismo.

Condições Para Ingressar na ANL

Para a Aliança Nacional Libertadora precisam vir todas as pessoas, grupos, correntes, organizações e mesmo partidos políticos, quaisquer que sejam os seus programas, sob a única condição de que queiram lutar contra a implantação do fascismo no Brasil, contra o imperialismo e o feudalismo, pelos direitos democráticos. E a todas as pessoas e correntes, que queiram, por quaisquer motivos, restringir essa frente única nacional revolucionária, devemos opor a vontade férrea de sua realização. Todas as pessoas, grupos, associações e partidos políticos, que participam da Aliança devem impedir, com todas as forças, aquelas tentativas, denunciando os culpados, implacavelmente, como traidores do Brasil e do seu povo.

Unificação do Proletariado

As forças da Aliança Nacional Libertadora são já grandes, mas podem e devem ser ainda maiores abarcando milhões porque, com o seu programa, estão todos os que trabalham no país, todos os que sofrem com a dominação imperialista e feudal, em primeira linha o proletariado e as grandes massas do campo. A unificação do proletariado, tendência já invencível, que se sobrepõe a todas as dificuldades opostas pela reação, é uma das maiores forças da revolução. E as greves dos últimos tempos aumentam, cada vez mais, a capacidade de luta do heróico proletariado do Brasil e a confiança que a todos os revolucionários brasileiros inspiram como classe dirigente da revolução. As lutas dos camponeses, conquanto ainda espontâneas e desorientadas, são bem o indício do ódio e da energia concentrada em séculos de sofrimento e de miséria pela massa de milhões que quer melhores dias. Mas com a revolução, portanto, com a Aliança ficarão os soldados e marinheiros de todo o Brasil.

As Classes Armadas

Com a Aliança ficarão os melhores oficiais das forças armadas do país, todos aqueles que serão incapazes de conduzir seus soldados contra os libertadores do Brasil e muitos dos quais já demonstraram, em lutas anteriores, que ficarão com o povo contra o imperialismo, o feudalismo e o fascismo. Como antes de 1838, os militares do Brasil jamais se prestarão ao papel de capitães-do-mato, a serviço do imperialismo e seus lacaios no país. Com a Aliança estarão todos os heróicos combatentes dos movimentos armados que se sucedem no país, desde 1922.

Os Que Ficarão Com a Aliança

Com a Aliança formará a juventude heróica de São Paulo, que pensou defender, nas trincheiras, em 1932, a democracia e a liberdade contra a ditadura de Vargas e que vê, hoje, seus chefes, nos rega-bofes do governo. Com a Aliança estarão todos os intelectuais honestos, o que há de mais vigoroso e capaz na intelectualidade brasileira, todos os que não podem concordar com o obscurantismo fascista e a liquidação dos últimos direitos democráticos do povo, todos os que querem defender a cultura do nosso povo. Com a Aliança estará a juventude trabalhadora estudantil do país, lutando por melhores dias e por um futuro mais claro, disposta a dar todo o seu entusiasmo e energia, para a luta, para a libertação nacional do Brasil, na qual vai ocupar os postos mais avançados. Com a Aliança estarão as mulheres do Brasil, trabalhadoras manuais, intelectuais, donas-de-casa, mães de família, irmãs, noivas e filhas de trabalhadores, elas formarão na Aliança porque, apesar das mentiras e calúnias da imprensa venal, elas compreendem e entendem que só a Aliança poderá defender o pão para seus filhos e acabar com a brutal exploração em que vivem.

Liberdade de Crença

As mulheres religiosas como todas as pessoas religiosas católicas, protestantes, espíritas ou positivistas, desejam acima de tudo a liberdade para seus cultos e essa liberdade é defendida pela Aliança; estão mesmo os padres brasileiros, os mais pobres e que, entrando para a igreja não se venderam ao imperialismo, nem esqueceram seus deveres frente ao povo. É natural que os chefes da igreja, os ricos e bem nutridos cardeais e arcebispos, como membros das classes dominantes, e lacaios do imperialismo, estejam contra a Aliança. Já noutras épocas, Frei Caneca, Padre Miguelinho e muitos outros lutaram ao lado do povo, pela independência do Brasil, contra a vontade dos bispos e arcebispos que os mandaram assassinar.

Privilégios da Raça, Cor e Nacionalidade

Com a Aliança estarão os pequenos comerciantes, os pequenos industriais, que, comprimidos entre os impostos e monopólios imperialistas de um lado e a miséria cada vez maior da massa popular do outro, ganham cada dia menos e, à medida que se pauperizam vão passando a simples intermediários mal remunerados da exploração do povo pelo imperialismo e pelos impostos indiretos. Com a Aliança estarão todos os homens de cor do Brasil, os herdeiros das tradições gloriosas das Palmares, porque só a ampla democracia, de um governo realmente popular, será capaz de acabar para sempre com todos os privilégios de raça, de cor ou de nacionalidade, e de dar aos pretos no Brasil a imensa perspectiva da liberdade e igualdade, livre de quaisquer preconceitos reacionários, pela qual lutam com denodo há mais de três séculos.

Programa Antiimperialista

Não há pretextos que justifiquem, aos olhos do povo, a luta contra a Frente única Libertadora. É por isso que as fileiras da Aliança Nacional Libertadora estão abertas a todos os que querem lutar pelo seu programa antiimperialista, antifeudal e antifascista, programa que somente o governo popular revolucionário realizará:

I - Não pagamento das dívidas externas, nem seu reconhecimento.

II - Denúncia dos tratados anticomerciais com o imperialismo.

III - Nacionalização dos serviços públicos mais importantes e das empresas imperialistas que não se subordinem às leis do governo popular revolucionário.

IV - Jornada máxima de trabalho de oito horas, seguro social, aposentadorias, aumento de salários, salário igual para igual trabalho, garantia de salário mínimo, satisfação dos demais pedidos do proletariado.

V - Luta contra as condições escravistas e feudais do trabalho.

VI - Distribuição entre a população pobre camponesa e operária das terras e utilização das aguadas, tomadas sem indenização aos imperialistas, aos grandes proprietários mais reacionários e aos elementos da igreja, que lutam contra a liberdade do Brasil e a emancipação do povo.

VII - Pelas mais amplas liberdades populares, pela completa liquidação de quaisquer diferenças ou privilégios de raça, de cor ou de nacionalidade, pela mais completa liberdade religiosa e a separação da Igreja do Estado.

VIII - Contra toda e qualquer guerra imperialista e pela estreita união, com as Alianças Nacionais Libertadoras dos demais países da América Latina e com todas as classes e povos oprimidos.

Divulgação dos Princípios

O realismo brasileiro de um tal programa é inegável e o entusiasmo com que todo o Brasil, as mais vastas massas trabalhadoras procuram as fileiras da Aliança Nacional Libertadora é a melhor das demonstrações. Nem o governo reacionário de Vargas, nem nenhuma outra ditadura militar fascista ou semifascista poderá oferecer uma resistência séria à Frente Única Nacional Libertadora se essa souber, realmente, mobilizar as mais amplas massas populares. Para isso precisamos, ao mesmo tempo que unificamos e congregamos na Aliança Nacional Libertadora todas as pessoas, grupos, correntes, organizações e partidos políticos, que quiserem lutar pelo seu programa, precisamos criar a Frente Única Libertadora em cada fábrica, empresa, casa comercial, universidades, quartéis, navio mercantil ou de guerra, nos bairros, nas fazendas, organizando a luta diária de tais massas.

Libertação Nacional do Brasil

Aliança Nacional Libertadora precisa englobar todas as organizações de massas, precisa e deve verdadeiramente representar o povo e saber lutar efetiva e conseqüentemente, pelos seus interesses. A Aliança Nacional Libertadora já representa a enorme força revolucionária do nosso povo e a sua incomensurável vontade de sacrifícios para a luta pela libertação nacional do Brasil. Os últimos acontecimentos de Petrópolis e o vigor com que o povo de São Paulo levou os chefes integralistas a uma retirada medrosa, dizem do que será capaz a Frente única Nacional.

Implantação de Um Governo Popular

Marchamos, assim, rapidamente, à implantação de um governo popular revolucionário, em todo Brasil, um governo do povo contra o imperialismo e o feudalismo e que demonstrará na prática, às grandes massas trabalhadoras do pais, o que é a democracia e a liberdade. O governo popular, executando o programa da Aliança unificará o Brasil e salvará a vida dos milhões de trabalhadores, ameaçado pela fome, perseguido pelas doenças e brutalmente explorado pelo imperialismo e pelos grandes proprietários. A distribuição das terras dos grandes latifúndios aumentará a atividade do comércio interno e abrirá o caminho a uma mais rápida industrialização do país, independentemente de qualquer controle imperialista. O governo popular vai abrir para a juventude brasileira as perspectivas de uma nova vida garantindo-lhe trabalho, saúde e instrução. A força das massas, em que se apoiará um tal governo, será a melhor garantia para a defesa do país contra o imperialismo e a contra-revolução. O exército do povo, o exército nacional revolucionário será capaz de defender a integridade nacional contra a invasão imperialista, liquidando, ao mesmo tempo, todas as forças da contra-revolução.

Como o Poder Chegará às Mãos do Povo

Mas o poder só chegará nas mãos do povo através dos mais duros combates. O principal adversário da Aliança não é somente o governo podre deVargas, são, fundamentalmente, os imperialistas aos quais ele serve e que tratarão de impedir por todos os meios, a implantação de um governo popular revolucionário no Brasil. Os mais evidentes sinais da resistência que se prepara no campo da reação já nos são dados pelos latidos da imprensa venal vendida ao imperialismo. A situação é de guerra e cada um precisa ocupar o seu posto. Cabe à iniciativa das próprias massas organizar a defesa de suas reuniões, garantir a vida de seus chefes e preparar-se, ativamente, para o assalto.

"A idéia do assalto amadurece na consciência das grandes massas." Cabe aos seus chefes organizá-las e dirigi-las.

Um Apelo

População trabalhadora de todo o país! Em guarda, na defesa de seus interesses! Venha ocupar o seu posto com os libertadores do Brasil!

Soldado do Brasil! Atenção! Os tiranos querem jogar-te contra os teus irmãos. Em luta pela liberdade do Brasil!

Soldado do Rio Grande do Sul, heróico herdeiro das melhores tradições revolucionárias da terra gaúcha! Prepara-te! Organiza-te! Porque só assim poderás voltar contra os tiranos que te oprimem às armas com que eles querem eternizar a vergonha dos dias de hoje!

Democratas honestos de todo o Brasil! Heróico povo de Minas Gerais, terra tradicional das grandes lutas pela democracia! Só com a Aliança Nacional Libertadora poderás continuar as lutas iniciadas pelos seus antepassados! Nortistas e nordestinos! Reserva formidável das grandes energias nacionais! Organiza-te para a defesa de um Brasil que te pertence!

Camponês de todo o Brasil, lutador do sertão do Nordeste! O governo popular revolucionário te garantirá a posse das terras e dos açudes que tomares! Prepara-te para defendê-la!

Brasileiros! Todos vós que estais unidos pela idéia, pelo sofrimento e pela humilhação de todo Brasil! Organizai o vosso ódio contra os dominadores transformando-o na força irresistível e invencível da Revolução brasileira! Vós que nada tendes para perder, e a riqueza imensa de todo Brasil a ganhar! Arrancai o Brasil da guerra do imperialismo e dos seus lacaios! Todos à luta para a libertação nacional do Brasil! Abaixo o fascismo! Abaixo o governo odioso de Vargas! Por um governo popular nacional revolucionário.

Todo o poder à Aliança Nacional Libertadora.

Luiz Carlos Prestes.