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Monday, April 8, 2013

Iraque: 10 º aniversário do crime estadunidense contra a humanidade



por Sara Flounders, traduzido por Vinicius C. para o Batalha de Ideias.

Os grandes meios de comunicação nos EUA desempenham um papel importante na preparação para a guerra imperialista. Eles desempenham um papel ainda mais insidioso em reescrever a história das guerras dos EUA e obscurecendo seus propósitos.

Estão totalmente interligados com os militares dos EUA, o petróleo e as corporações financeiras. Em toda guerra, esta instituição extremamente poderosa conhecida como "quarto poder", um braço das relações públicas do domínio corporativo, justifica a pilhagem imperialista e o esmagamento de todos os dissidentes.

Reminiscências da imprensa corporativa e avaliações da presente semana do 10 º aniversário da Guerra do Iraque, que começou a 19 de março de 2003, são um lembrete austero de sua cumplicidade na guerra.

Nos vários artigos publicados há poucas menções às centenas de notícias que saturaram totalmente os meios de comunicação nos meses que antecederam o ataque do Pentágono. A cobertura da imprensa em 2003 foi completamente infundada, com as mentiras das "armas de destruição em massa" secretas iraquianas, sinistras ameaças nucleares, programas de guerra biológica, compra de urânio, laboratórios de gás nervoso e a demonização racista de Saddam Hussein como a maior ameaça para a humanidade. Tudo isso agora está encoberto e esquecido.

As armas nunca foram encontradas no Iraque, mas nenhum oficial estadunidense foi acusado de fraude. Heróis como o soldado B. Manning, no entanto, enfrentam a vida na prisão por liberar documentos expondo a extensão de alguns destes crimes premeditados.

Hoje, nas histórias populares, uma vaga menção é feita à verdadeira razão para a guerra: a disposição de impor uma mudança de regime no Iraque, a fim de garantir o controle corporativo dos EUA e o domínio dos vastos recursos de petróleo e gás da região. O Iraque era para ser um exemplo para todos os países que tentam um desenvolvimento independente de que a única opção era a completa submissão ou a destruição total.

Agora já não é sequer um debate político que a invasão dos EUA e a ocupação do Iraque foram um desastre ululante e um grande erro imperialista para os interesses estratégicos dos EUA. Apesar de toda a determinação para ocupar o Iraque com 14 bases militares permanentes, o exército de ocupação dos EUA foi forçado a se retirar face à feroz resistência nacional iraquiana.

Bush estava no convés do porta-aviões estadunidense Lincoln no fatídico maio de 2003, com uma faixa de "missão cumprida" atrás, para declarar o fim da guerra. Mas o que os EUA, inchados na sua arrogância imperialista, não previu era que a resistência tinha apenas começado.

Estrategistas norte-americanos, tão cheios de vaidade sobre suas poderosas armas, ignoraram a mensagem exibida em cartazes, outdoors e manchetes de todos os jornais do Iraque. Estava até na manchete de um jornal de língua inglesa de lá, quando este repórter estava no Iraque com uma delegação de solidariedade algumas semanas antes do "choque e pavor" caudado pelo ataque estadunidense.

O slogan muitas vezes repetido foi: "O que as selvas no Vietnã representaram em sua resistência, as cidades do Iraque serão para nós."

O governo iraquiano abriu os armazéns e distribuiu seis meses de rações alimentares para a população antes da guerra. Cada pacote tinha a frase: "Lembre-se de alimentar um lutador da resistência." Armas de pequeno calibre, explosivos e instruções simples para fazer dispositivos explosivos improvisados foram distribuídas publicamente.

Em última análise, o poder corporativo dos EUA foi derrotado no Iraque, devido à sua incapacidade de ser uma força para o progresso humano em qualquer nível. Foi incapaz de realizar uma reconstrução.

A força avassaladora das armas dos EUA foi capaz de destruir as realizações mais expressivas da soberania iraquiana de décadas passadas e inflamar velhas feridas sectárias. Mas foi incapaz de derrotar a resistência iraquiana ou até mesmo ganhar a votação de um acordo de forças em um Parlamento iraquiano que os próprios planejadores norte-americanos criaram.

A não-cobertura da imprensa estadunidense

Na cobertura do 10 º aniversário, a mesma mídia que vendeu a guerra recontou a decisão criminosa de invadir e ocupar o Iraque apenas como inteligência equivocada ou informação errada. Ao mesmo tempo em que lavam as mãos sobre as oportunidades perdidas e a falta de previsão, eles dão uma rápida saudação aos 4.448 soldados norte-americanos que morreram e os 32.221 feridos. Pelo menos 3.400 trabalhadores contratados norte-americanos morreram, um número quase não mencionado ou subnoticiado.

Mais de 1,1 milhão de soldados norte-americanos serviram no Iraque. O Conselho Nacional de Deficiência diz que até 40 por cento dos veteranos das guerras no Iraque e no Afeganistão sofrem de stress pós-traumático e lesão cerebral traumática.

A invasão do Iraque pelos EUA foi a guerra mais ampla e detalhadamente relatada na história militar. No entanto, a enormidade do crime cometido contra o povo iraquiano, as centenas de milhares de mortes silenciosas da falta de infra-estrutura médica, os milhões de refugiados, a catástrofe ambiental, os resíduos radioativos e químicos deixados para trás foram ignorados na cobertura de então e hoje são ignorados.

No início da guerra, em março de 2003, 775 repórteres e fotógrafos foram registrados e viajaram como jornalistas incorporados. O número cresceu para milhares de pessoas. Esses repórteres assinaram contratos com os militares que limitavam o que eles eram autorizados a relatar.

Por isso não deve ser nenhuma surpresa que estão completamente ausentes da cobertura a responsabilidade pela destruição calculada do Iraque, a corrupção massiva e a pilhagem sistemática, ou a política consciente de inflamar o ódio sectário e a violência como uma tática para desmoralizar a resistência.

Estatísticas não podem transmitir a perda humana. Uma em cada quatro crianças iraquianas com menos de 18 anos perderam um ou ambos os pais. Em 2007, foram 5 milhões de órfãos iraquianos, de acordo com estatísticas oficiais do governo. Em 2008, apenas 50 por cento das crianças em idade escolar primária estavam frequentando as aulas. O Iraque, que tinha a menor taxa de analfabetismo na região, foi reduzido a ter a mais alta. As mulheres sofreram as maiores perdas em educação, profissões, atendimento infantil, alimentação e em sua própria segurança na ocupação brutal.

De acordo com dados do Alto Comissariado da ONU para os Refugiados, existem hoje 2,7 milhões de iraquianos deslocados internamente e 2,2 milhões de refugiados, a maioria em estados vizinhos. Mais de um quarto da população do Iraque foi morta, tem alguma deficiência ou foi deslocada como refugiada devido aos anos de ocupação dos EUA. Isto não é libertação.

Falta nas muitas avaliações do 10o aniversário o contexto histórico essencial. A guerra de 2003 foi uma continuação da guerra de 1991 para destruir o Iraque como nação soberana com o controle de seus próprios recursos. Há apenas uma menção da destruição seletiva em 1991 de água potável, saneamento, esgotos, irrigação, comunicações e instalações da indústria farmacêutica, assim como a rede elétrica civil e o abastecimento de alimentos básicos. Hoje foi apagada toda e qualquer menção aos 13 anos sanções impostas ao Iraque pelos EUA / ONU de 1990 a 2003, que causaram a morte, por fome e doença, de mais de 1 milhão de iraquianos, mais da metade deles crianças.

Apesar do estrago horrendo, o fracasso das sanções dos EUA / ONU na criação de um colapso total no Iraque obrigou o poder corporativo dos EUA a optar por uma invasão militar para impor uma mudança de regime.

Segundo aniversário das guerras na Líbia e na Síria

Nas avaliações da invasão estadunidense ao Iraque, também falta mencionar que esta é uma semana do aniversário de duas outras guerras.

19 de março é o segundo aniversário da guerra dos EUA / OTAN sobre a Líbia - os sete meses de bombardeios que destruíram as cidades modernas e bonitas, escolas, hospitais e centros culturais construídos com a estrutura petrolífera nacionalizada e o gás da Líbia. A operação da OTAN assassinou o líder líbio Muamar Kadafi em 2011 e devastou todo o país. Mas ainda não conseguiu assentar uma fonte estável de lucros para os EUA.

15 de março é o segundo aniversário do esforço contínuo dos EUA / OTAN para desestabilizar e destruir totalmente uma Síria moderna e secular.

Apesar do apoio e financiamento às monarquias feudais corruptas da Arábia Saudita e Kuwait pelos EUA / OTAN, apoio diplomático, armamento dos esquadrões da morte e mercenários, e criação de refúgios e bases na Turquia, o governo sírio tem mobilizado a população e resistiu a outra mudança de regime orquestrada pelos EUA. O conflito está em um impasse. O número de mortos já passou de 70.000.

A opção Salvador: terror em massa

A mais clara evidência de que os anos de violência sectária no Iraque depois da invasão dos EUA, os assassinatos por esquadrões da morte, campanhas de terror em massa e o uso angustiante de tortura por unidades de comando foram atos deliberados treinados, sancionados e desenvolvidos no mais alto nível do comando político e militar dos EUA foi publicada na semana de 18 de março no Guardian de Londres, acompanhada de um documentário da BBC. A exposição foi baseada em 18 meses de pesquisa.

A exposição menciona nomes como o do coronel James Steele, um veterano aposentado das Forças Especiais, que foi enviado ao Iraque pelo então secretário da Defesa, Donald Rumsfeld, para organizar paramilitares de modo a esmagar a insurgência iraquiana. Outro assessor especial, o coronel aposentado James Coffman, trabalhou ao lado de Steele e se reportava diretamente ao general Petraeus.

Esta política dos EUA de contra-insurgência foi chamada de "opção Salvador" - um modelo terrorista de assassinatos em massa por esquadrões da morte patrocinados pelos EUA. Foi aplicada pela primeira vez em El Salvador no auge dos anos 1980 contra a resistência a uma ditadura militar, resultando em um número estimado de 75.000 mortes. Um milhão de uma população de 6 milhões tornaram-se refugiados.

A opção Salvador é o princípio central da muitas vezes elogiada estratégia de contra-insurgência do general David Petraeus no Iraque e no Afeganistão.

Pesquisadores do Guardian analisaram uma série de documentos do Wikileaks e reuniram um grande número de denúncias de tortura praticada pelas milícias treinadas e apoiadas pelos EUA no âmbito deste programa. A BBC e o Guardian atestam que os seus pedidos para que os principais membros do Comitê de Serviços Armados do Senado dos EUA, que poderia investigar as acusações, comentassem foram recusados ou ignorados.

Mas, em Samarra, uma cidade iraquiana, onde iraquianos foram torturados em uma biblioteca e foco do documentário da BBC, os moradores realizaram manifestações em massa contra o governo e planejaram criar telas grandes na praça central para exibir o filme.

"Choque e Pavor" = terror

Desde o início da preparação para a guerra, os planos dos EUA foram calculados para usar as formas mais extremas de terror contra o povo iraquiano de modo a forçar a submissão à dominação dos EUA. "Choque e pavor" é terrorismo por outro nome.

"Choque e pavor" é tecnicamente conhecido como dominação rápida. Por sua própria definição, é uma doutrina militar que usa o poder esmagador e espetaculares demonstrações de força para paralisar e destruir a vontade de lutar. Escrito por Harlan Ullman K. e James P. Wade, em 1996, a doutrina é um produto da National Defense University, desenvolvida para explorar a "tecnologia superior, o engajamento de precisão e domínio da informação" dos Estados Unidos.

Esta bem conhecida estratégia militar exige a capacidade de perturbar "os meios de comunicação, transporte, produção de alimentos, abastecimento de água e outros aspectos da infra-estrutura." De acordo com esses criminosos estrategistas militares, o objetivo é atingir um nível de choque nacional semelhante ao efeito do lançamento das armas nucleares sobre Hiroshima e Nagasaki.

Aproveitadores da guerra

O saque e a pilhagem do Iraque em grande escala também foram planejados desde o início. Não era um acidente, uma política equivocada ou a névoa da guerra.

O funcionário, que tinha total autoridade no Iraque imediatamente depois da destruição pelo "choque e pavor", chefe da autoridade de ocupação no Iraque, Paul Bremer III, promulgou 100 medidas que transformaram o Iraque do dia para a noite em um grande livre mercado capitalista dependente. As 100 medidas garantiram que os investidores estrangeiros fossem proprietários de 100 por cento dos ativos iraquianos, além de garantir o direito de explorar todos os lucros, realizar importações sem restrições e acordos e arrendamentos de longo prazo – de 30 a 40 anos. Na reviravolta oficial da soberania iraquiana, essas ordens coloniais chegaram para ficar.

Bilhões foram logo roubados do Iraque. De acordo com Dirk Adriaensens do Tribunal BRussells, os administradores norte-americanos, como "autoridades" da ocupação, confiscaram todos os bens e fundos iraquianos no mundo inteiro – totalizando US$ 13 bilhões. Eles apreenderam todos os fundos iraquianos nos EUA (US$ 3 bilhões). Transferiram os fundos da conta UBS iraquiana (banco suíço) para as forças estadunidenses. Eles exigiram e receberam os fundos acumulados até março de 2003 pelo programa da ONU Petróleo-por-comida (cerca de US$ 21 bilhões)

Nas primeiras semanas de ocupação, as tropas ianques se apoderaram de cerca de 6 bilhões de dólares, bem como US$ 4 bilhões do Banco Central e de outros bancos iraquianos. Eles recolheram o dinheiro em edifícios especiais do governo em Bagdá.

Para onde todos esses recursos vão? Em vez de criar uma conta no Banco Central do Iraque para depositar esses fundos, bem como os fundos de exportação de petróleo, as autoridades de ocupação criaram a conta "Fundo de Desenvolvimento para o Iraque" no American Central Bank, New York Branch, onde todas as operações financeiras são realizadas em segredo. "Faltam" cerca de US$ 40 bilhões de um fundo pós-Guerra do Golfo.

Segundo a BBC, em 10 de junho de 2008, outros US $ 23 bilhões em fundos de ajuda do Ocidente para o Iraque foram perdidos, roubados ou "não devidamente contabilizados". Abundam histórias dos milhões de dólares em notas de US$ 100 que desapareceram em patins nos aeroportos e caixas de pizza e sacos de lã cheios de dinheiro.

De acordo com a BusinessPundit.com da lista dos 25 mais cruéis aproveitadores da guerra, esses fundos roubados foram apenas o início da partilha do espólio. Grandes corporações dos EUA registraram lucros recordes. Nos anos de 2003 a 2006, os lucros e os ganhos dobraram para a Exxon / Mobil Corp e ChevronTexaco.

KBR Halliburton, Inc., que estava diretamente ligada ao vice-presidente Cheney, ludibriaram as agências governamentais no montante de US $ 17,2 bilhões em receita relacionada à guerra do Iraque só de 2003 a 2006.

O custo da guerra

O prêmio Nobel Joseph E. Stiglitz calculou o custo da guerra do Iraque, incluindo os muitos custos ocultos, em seu livro de 2008, "A guerra de três trilhões de dólares". Ele concluiu: "Assim como não existe algo como um almoço grátis, não há tal coisa como uma guerra livre. A aventura do Iraque enfraqueceu seriamente a economia dos EUA, cujos problemas agora vão muito além do desenfreado crédito hipotecário. Você não pode gastar US$ 3 trilhões - sim, US$ 3 trilhões - em uma guerra fracassada no exterior e não sentir a dor em casa".

Stiglitz lista até que um destes trilhões poderia ter sido pago para: 8 milhões de unidades habitacionais, ou 15 milhões de professores de escolas públicas, ou cuidados de saúde de 530 milhões de crianças por um ano, ou bolsas de estudo para universidades para 43 milhões de alunos. Três trilhões poderiam ter corrigido o chamado problema de Segurança Social nos EUA por meio século.

De acordo com um relatório do Christian Science Monitor, quando são incluídos o tratamento médico contínuo, veículos de substituição e outros custos, o gasto total com a guerra no Iraque é projetado em US$ 4 trilhões. (25 de outubro de 2012)

Resistência popular e movimento anti-guerra

Os meios de comunicação desempenham outro papel importante em reescrever a história. Seu objetivo é sempre fazer o possível para marginalizar e depreciar a consciência de milhões de pessoas.

Enquanto o ataque de "choque e pavor" de 19 de março de 2003 ainda hoje é descrito, é raro ver qualquer referência nos grandes meios de comunicação às manifestações verdadeiramente maciças, que atraíram milhões de pessoas para as ruas, de oposição à guerra então iminente. Calcula-se que, antes da guerra, mais de 36 milhões de pessoas em mais de 3.000 manifestações mobilizaram-se internacionalmente para se opor – nos dois meses mais frios do inverno. Isso foi algo sem precedentes.

No Iraque, apesar da força esmagadora do "choque e pavor", o uso planejado da guerra sectária e o uso em massa de esquadrões da morte – apesar da destruição de cada realização construída por gerações passadas, juntamente com a destruição de escolas e confisco de recursos - a guerra dos EUA fracassou em todos os aspectos. Apesar das condições horrendas, a resistência iraquiana expulsou a ocupação do Iraque. Esta é uma realização de grande significado para os povos em todo o mundo.

Friday, June 29, 2012

Os Estados Unidos e a Síria: Fatos que você deveria conhecer


por Joyce Chediac para o GlobalReasearch. Traduzido por Vinícius C. para O Batalha de Ideias.

O cronograma a seguir analisa a progressão da intervenção dos EEUU-OTAN na Síria e neutraliza a Grande Mentira na mídia corporativa que visa preparar a agressão militar imperialista aberta contra o povo sírio.

● Washington tem canalizado dinheiro para um grupo de oposição de direita da Síria, pelo menos desde 2005. (Washington Post, 16 de abril de 2011)

● Os EEUU reabriram sua embaixada em Damasco em janeiro de 2011 depois de seis anos. Isso não era degelo nas relações. O novo embaixador, Robert S. Ford, que trabalhou até outubro de 2011, é um protegido de John Negroponte, que organizou os esquadrões da morte em El Salvador na década de 1970 e no Iraque, enquanto embaixador lá em 2004-05. Aqueles esquadrões da morte mataram dezenas de milhares. Ford serviu diretamente abaixo de Negroponte na Embaixada dos EEUU em Bagdá.

● Ford "desempenhou um papel central na definição das bases na Síria, bem como estabeleceu contatos com grupos da oposição". Dois meses depois de chegar a Damasco, a insurgência armada começou. (Global Research, 28 de maio)

● A oposição armada a Bashar al-Assad começou em março de 2011, em Daraa, uma pequena cidade na fronteira com a Jordânia. Movimentos de protesto em massa começam geralmente em grandes centros populacionais. Mais tarde, a Arábia Saudita admitiu o envio de armas para a oposição através da Jordânia. (RT, 13 de março)

● Os EEUU e seus aliados da OTAN usaram os protestos populares no Egito, Síria e em outros lugares como uma cobertura para construir o apoio para insurgências de direita cujo objetivo não era ajudar o povo sírio, mas trazer a Síria para o campo pró-imperialista. Quaisquer excessos ou erros por parte do governo Assad não eram o problema real.

● A Liga Árabe, União Europeia e os EEUU começam a imposição de sanções econômicas, uma forma de guerra, contra a Síria em novembro de 2011, sob o pretexto de parar a violência sancionada pelo Estado contra os manifestantes. A intensificação das sanções e o congelamento de ativos sírios fez com que o valor da libra síria caísse em 50 por cento contra o dólar, com o custo dos artigos de primeira necessidade muitas vezes triplicando.

● Os exilados que receberam financiamento dos EEUU tornaram-se parte do Conselho Nacional da Síria. Burhan Ghalioun do Conselho Nacional Sírio disse que iria abrir a Síria para o Ocidente, terminar o relacionamento estratégico do país com o Irã (e com a resistência libanesa e palestina), e realinhar a Síria com os regimes árabes reacionários do Golfo. (Wall Street Journal, 2 de dezembro de 2011)

EEUU e OTAN escalam seu envolvimento

● O ex-agente da CIA Philip Giraldi admitiu que os EEUU estavam envolvidos na Síria e expôs o plano dos EEUU: "A OTAN já está clandestinamente envolvida no conflito da Síria, com a Turquia à frente como ‘procuradora’ dos EEUU. O ministro das Relações Exteriores de Ancara, Ahmet Davitoglu, admitiu abertamente que seu país está preparado para invadir logo que haja um acordo entre os aliados ocidentais a fazê-lo. A intervenção seria baseada em princípios humanitários, para defender a população civil com base na "responsabilidade de proteger", doutrina que foi invocada para justificar a invasão à Líbia. "(Theamericanconservative.com, 19 de dezembro de 2011)

● Giraldi continuou: "Aviões de guerra sem identificação da OTAN estão chegando às bases militares turcas próximas ... à fronteira com a Síria, entregando as armas dos arsenais do falecido Muammar Gaddafi, bem como voluntários do Conselho Nacional de Transição da Líbia que tenham experiência em atiçar voluntários locais contra soldados treinados. ... Franceses e britânicos formadores das forças especiais estão no terreno, ajudando os rebeldes sírios enquanto os responsáveis por operações especiais da CIA e dos EEUU estão fornecendo equipamentos de comunicação e inteligência. ...

● "O frequentemente citado relatório das Nações Unidas que atesta que mais de 3.500 civis foram mortos por soldados de Assad é baseado principalmente em fontes rebeldes e não é confirmado. Da mesma forma, as contas das deserções em massa do Exército sírio e batalhas campais entre desertores e soldados leais parecem ser uma invenção, com poucas deserções confirmadas de forma independente. As alegações do governo sírio de que está sendo atacado por rebeldes armados, treinados e financiados por governos estrangeiros são mais verdadeiras do que falsas. "

● O "Exército Sírio Livre" tem bases de retaguarda na Turquia, é financiado pela Arábia Saudita e pelo Qatar, e é composto de soldados sírios desertores. Spiegel Online menciona uma fonte em Beirute que alega ter visto "'centenas de combatentes estrangeiros que se uniram para o ESL." (15 fev)

● A comissão de inquérito estabelecida pelas Nações Unidas, no seu relatório de fevereiro de 2012 documentou tortura, captura de reféns e execuções de membros armados da oposição.

● O primeiro combate pesado na capital da Síria, Damasco, iniciou em março. Dutos foram explodidos e grandes explosões destruíram edifícios de inteligência e de segurança em áreas cristãs a 16 de março, matando pelo menos 27 pessoas. O governo sírio expôs depois que as investidas terroristas apoiadas do exterior foram responsáveis ​​por oito ataques com carros-bomba desde dezembro, matando 328 e ferindo 657. Isso recebeu pouca atenção da mídia ocidental.

● A Human Rights Watch em 20 de março acusou opositores sírios armados de "seqüestros, uso de tortura e execuções ... de membros das forças de segurança, indivíduos identificados como membros de milícias apoiadas pelo governo e indivíduos identificados como aliados do governo e apoiadores."

● No bairro Amr Baba de Homs, a oposição armada formou suas próprias leis, tribunais e esquadrões da morte, segundo a Spiegel Online. Abu Rami, um comandante da oposição em Baba Amr, entrevistado pelo Spiegel, disseque na cidade de Homs seu grupo executou entre 200 e 250 pessoas. (29 de março)

Entra a ONU

● O ex-Secretário Geral da ONU Kofi Annan foi para a Síria em março a pedido da Liga Árabe e das Nações Unidas para montar uma proposta de paz. Mas Annan e a ONU não são imparciais. Annan é um dos arquitetos da doutrina "responsabilidade de proteger", citada pelo ex-agente da CIA Giraldi como pretexto para a intervenção planejada na Síria. A ONU aprovou esta doutrina no mandato de Annan.

● Em 2004, Annan deu a aprovação da ONU para a intervenção dos EEUU, França e Canadá que depôs o presidente do Haiti Jean-Bertrand Aristide. As razões expostas por Annan foram as mesmas então das colocadas agora na Síria: impedir uma suposta "catástrofe humanitária". Annan proporcionou uma cobertura da ONU similar para a França reforçar a sua presença colonial na Costa do Marfim em 2006. Na Síria, as solicitações de Annan para um cessar-fogo do governo sírio e para uma ajuda "humanitária" externa são realmente justificavas para uma intervenção estrangeira.

● A Síria concordou com o cessar-fogo mediado por Annan a 27 de março. A oposição recusou. Enquanto os chefes de Estado ocidentais e os meios de comunicação corporativos amontoados culpam Assad de "não honrar" o cessar-fogo, o Ocidente continuou armando a oposição.

● O que o governo dos EEUU realmente pensava do cessar-fogo foi revelado por Robert Grenier, ex-diretor de contra-terrorismo do CIA Center, que convidou aqueles que querem "ajudar" a Síria "para subirem metaforicamente no ringue e sujarem-se", acrescentando: "o que tal situação não precisa é de sentimentos nobres, mas ajuda eficaz e letal." (Al Jazeera, 29 de março)

● No momento em que os imperialistas "subiram no ringue", eles continuaram a culpar Assad. Falando numa reunião do grupo anti-Assad "Amigos da Síria" em Istambul, a 01 de abril, a secretária de Estado dos EEUU, Hillary Rodham Clinton, disse que Assad tinha "manchado" o cessar-fogo. Ela disse para Damasco, unilateralmente, parar de lutar e retirar-se das áreas de pesada infiltração direitista. Ela disse que os EEUU prometeram pelo menos US $ 25 milhões em ajuda "não letal" para a oposição síria, que inclui equipamentos de comunicação por satélite.

● Em maio, os reacionários "começaram a receber significativamente mais e melhores armas... pagas pelos países do Golfo Pérsico e coordenadas ... pelos EEUU" (Washington Post, 15 de maio) "Os rebeldes sírios receberam suas primeiras armas anti-tanques de "terceira geração". Elas foram fornecidas por agências de inteligência sauditas e catarianas depois de uma mensagem secreta do presidente Barack Obama. " (Debkafile.com, 22 de maio)

O massacre de Houla

● Logo antes de uma visita agendada para a Síria por Annan, surgiram notícias de um horrível massacre de 108 pessoas em Houla a 25 de maio, que incluía famílias inteiras e até 48 crianças. Manchetes em todo o mundo culparam o governo sírio e todas as capitais ocidentais reivindicaram a intensificação das sanções e mais pressão internacional sobre Assad.

● No dia 27 de maio, os imperialistas haviam coordenado a sua "indignação internacional" e expulsaram os diplomatas sírios dos EEUU, Holanda, Austrália, Grã-Bretanha, França, Alemanha, Itália, Espanha, Bulgária e Canadá.

● O Conselho de Segurança da ONU reagiu ao massacre por unanimidade - sem qualquer investigação a respeito de quem foi o responsável - condenando a Síria por supostamente usar tanques e artilharia depois de acordar um cessar-fogo. As declarações de que o governo Assad não era responsável foram ignoradas. Um olhar mais atento mostrou que era este o caso.

● Marat Musin, correspondente da ANNA News russa, estava em Houla e entrevistou testemunhas logo depois do massacre. Musin determinou que o massacre foi cometido pelo chamado Exército sírio livre e não pelas forças de Assad. O seu levantamento concluiu: "O ataque foi realizado por uma unidade de combatentes armados de Rastan, no qual mais de 700 homens armados estavam envolvidos. Eles mantiveram a cidade sob seu controle e começaram uma ação de limpeza contra famílias legalistas [pró-Assad], incluindo idosos, mulheres e crianças. Os mortos foram apresentados ... à ONU e à "comunidade internacional" como vítimas do exército sírio. "(31 de maio) O jornal conservador alemão, o Frankfurter Allgemeine Zeitung, corroborou o relato da ANNA no dia 7 de junho.

 ● Os moradores conheciam muitos dos assassinos pelo nome e identificaram-nos como elementos criminosos locais que trabalham agora para o ESL. (Síria News, 31 de maio) As forças anti-Assad então posaram como moradores e convidaram os observadores da ONU. Alguns puseram uniformes dos soldados sírios que haviam sido mortos e se apresentaram como desertores.

● Uma foto amplamente divulgada de dezenas de corpos envoltos, que a BBC apresentou primeiramente como um rescaldo de Houla, foi realmente tirada pelo fotógrafo Marco di Lauro no Iraque em março de 2003.

● O editor da BBC World News Jon Williams admitiu em seu blog a 07 de junho que não havia qualquer evidência que identificasse tanto o Exército sírio quanto as milícias alauitas como os autores do massacre de 25 de maio. O repórter sênior Alex Thomson do Canal 4 britânico disse a 7 de junho que a oposição o levou a uma linha de fogo e tentou tirá-lo de lá morto pelas forças militares sírias de modo a "ficar mal" para Assad.

● Não houve investigação independente sobre Houla até a data, ainda que numa reunião a 7 de junho, Annan e o atual secretário-geral da ONU Ban Ki-moon, voltou a fazer declarações colocando a responsabilidade em Assad pelo massacre de Houla.

● O Major Geral Robert Mood, chefe da Missão de Supervisão da ONU na Síria, suspendeu patrulhas da equipe de 300 membros a 16 de junho, alegando uma "espiral de violência em áreas rebeldes." A suspensão ocorreu logo antes da Cúpula do G-20 no México, fornecendo outra oportunidade para o imperialismo criticar Assad.

● Em declarações iniciais, Annan chamou o massacre de Houla de "ponto de inflexão". As mortes em Houla têm sido utilizadas pelos EEUU e pela OTAN para a organização de uma derrubada de Assad mais agressiva e aberta. Autoridades norte-americanas e oficiais de inteligência árabes admitiram que a CIA está no sul da Turquia canalizando armas para o ESL. Ele também está lá para "fazer novas pesquisas e recrutar pessoas." (New York Times, 21 de junho)

● Como resultado, "as milícias outrora heterogêneas da oposição síria estão se transformando numa força de combate mais eficaz com a ajuda de uma rede cada vez mais sofisticada de ativistas aqui no sul da Turquia, que tem contrabandeado recursos cruciais pela fronteira, incluindo armas, equipamentos de comunicação, hospitais de campanha e até mesmo os salários dos soldados que desertaram. A rede reflete um esforço para forjar um movimento de oposição ... que pode não somente derrotar ... Assad, mas também substituir o seu governo. "(New York Times, 26 de junho)