Wednesday, March 7, 2012

Exército da Coreia Democrática ensaia com fogo real (+VIDEO)


Pequim, 07 março As tropas da República Popular Democrática da Coreia têm levado a cabo ensaios com fogo real na costa oeste do país. Estas práticas acontecem perto do mesmo lugar onde, há menos de dois anos, se produziu um fogo cruzado mortal entre soldados das duas Coreias.

As tropas da República Popular Democrática da Coreia dispararam rifles automáticos contra um alvo com o nome do presidente sul-coreano, Lee Myung-bak. Os artilheiros utilizaram suas armas frente à ilha de Paekryong, situada nas águas em disputa. A ilha de Yonpyong, que foi bombardeada pelo exército nortecoreano em 2010, se encontra na mesma área.

O coronel Pyon In San, comandante do quarto esquadrão do Exército Popular Coreano, assegurou, depois do acontecimento da ilha de Yonpyong, que só alguns poucos projéteis haviam sido disparados.

O coronel declarou :"se o grupo de traidores de Lee Myung Bak quer provocar-nos desta vez, milhares de fuzis de nossos escuadrões dispararão simultaneamente, envolvendo o inimigo em um mar de fogo de que nenhum dos traidores sairá com vida".

O líder da República Popular Democrática da Coreia, Kim Jong-Un, visitou a fortemente militarizada fronteira entre seu país e Coréia do Sul e pediu a seus soldados que estivessem alerta, segundo citam os meios oficiais. No domingo, dezenas de milhares de nortecoreanos saíram às ruas de Pyongyang para pedir a queda do presidente sul-coreano, Lee Myung-bak. Fatos que se produzem dias após Washington e Pyongyang haverem chegado a um acordo depois de anos de bloqueio.

Segundo o acordo alcançado por ambos países, os Estados Unidos doarão 240 mil toneladas de comida em troca do congelamento das atividades nucleares da RPDC. Um enviado do país norte-americano se reunirá nesta semana em Pequim com autoridades da República Popular Democrática da Coreia para acordar os termos da entrega de alimentos.

Fonte: CNTV

Tuesday, March 6, 2012

Descoberta manobra de propaganda da CNN contra a Síria para justificar invasão militar (+Vídeos)

por Paul Joseph Watson
traduzido por Diego Fernandes, para o Batalha de Ideias

6 Março 2012 São imagens assombrosas que acompanham "Danny", o duvidoso "ativista" sírio que aparece nas notícias principais a cada semana, rogando por uma invasão militar estadunidense ou israelense em seu país, descoberto agora enquanto corrdenava os disparos e explosões que se escutam como fundo de sua entrevista para a CNN.


"Danny" é um cidadão britânico de 22 anos, que vive em Cambridge e descende de sírios. Esteve em Homs durante o verão passado e depois viveu em Londres durante alguns meses, antes de retornar à Síria em dezembro, quando se converteu na estrela da propaganda que exige uma intervenção militar do Ocidente na Síria. Ele aparece implorando quase diariamente na CNN para que os EUA ou Israel bombardeem o país.

Surpreendentemente este vídeo mostra "Danny" na frente das câmeras da CNN durante uma das muitas entrevistas que o canal fez com ele nos últimos meses.

Enquanto espera pela transmissão, Danny diz: "Agora, deixe aparece o barulho do tiroteio". Posteriormente pede a alguém por detrás das câmeras: "Você disse para ele deixar o barulho de tiros pronto?" Uma explosão é escutada um pouco depois e Danny nem mesmo se assusta.

O câmeraman, Danny e pelo menos uma pessoa atrás da câmera parecem coordenar os disparos e explosões cenicamente para que coincidam com a entrevista da CNN.

O câmera então lembra Danny de que fale como as pessoas estão recolhendo os cadáveres antes do começo da entrevista com Anderson Cooper. O tema da conversa gira em torno da violência governamental e enfatiza que as forças de Bashar Al-Assad levam a cabo uma violência indiscriminada.

Apesar de afirmar que a violência ocorre ao seu redor, desconsiderando seu alto perfil como ativista antigovernamental amplamente divulgado pelos meios (o que o converteria em objetivo prioritário), Danny parece tranquilo e muito sossegado num ambiente que, como se poderia esperar, deveria estar carregado de tensão. Num momento parece incluse que fica entendiado, e em tom de brincadeira pede que lhe dêem um colchão.

Os observadores notaram que as histórias de Danny sobre a violência de que afirma ser testemmunha parecem mudar a cada vez que ele aparece em um programa de notícias, o que sugere que está exagerando ou planejadamente fabricando seu testemunho.

Em outro vídeo, as imagens apresentadas pelos principais meios de comunicação como representação dos "bombardeios do governo" a cidadãos inocentes mostra, na verdade, que a câmera foi colocada com horas de antecedência no lugar exato do cenário de violência, como no caso em que se mostra pronta de antemão para registrar um ataque sobre uma refinaria de petróleo na cidade de Homs, em 8 de fevereiro. Não existe evidência de tanques ou de "bombardeio", e o vídeo foi produzido provavelmente pelos mesmos terroristas que explodiram a refinaria.

Com algumas fontes pressagiando que a invasão da Síria pela OTAN poderia ser levada a cabo ainda este mês, podemos ter certeza que seremos testemunhas da disfusão de muito mais propaganda pelos meios de comunicação para perpetuar o mito de que as forças de Bashar Al-Assad estão assassinando indiscriminadamente a ativistas inocentes, quando na verdade a oposição é composta por "rebeldes" armados e terroristas da Al Qaeda, que também são os responsáveis da violência indiscriminada.

versão em espanhol traduzida de Cubadebate.
original em inglês em PrisionPlanet.com

[Desarticulando IDEIAS] A verdade sobre a candidatura de Serra.

Acabam de ser colocadas em São Paulo as regras do jogo, e elas foram dadas por ninguém menos que o duplamente fracassado José Serra, que acaba de lançar sua candidatura à Presidência da República em 2014, coisa que vai, para a população de São Paulo, muito além da aporrinhação de ter de aturá-lo na campanha pela prefeitura da capital do estado em 2012.

Fato: Os grandes meios de comunicação, pertencentes à parte mais inconsequente, desmiolada e entreguista de nossa classe dominante, já começaram sua ofensiva. Serra nem foi ainda aprovado como candidato dentro de seu próprio partido e a Globo, a Folha e o Estado de São Paulo já funcionam como um verdadeiro orgão porta-vozes de sua campanha. Mostram e remostram pesquisas de intenção de voto onde Serra aparece com quase 30%. Só não falam que a realidade é bem outra, com o candidato tucano atingindo um índice estarrecedor de rejeição na população paulistana, que chega a outros 30%.

Um episódio espalhado pela rede do terrível "deslize" de Serra chamando o Brasil de "Estados Unidos do Brasil (nome que o país tinha até 1968)" pareceria ridículo se não fosse aterrorizante, conhecidas as proximidades do candidato tucano (e da parcela da burguesia que ele representa) com os Estados Unidos da América.

Foi o próprio FHC quem disse, durante a mesma campanha, que a "alma" das privatizações da era de terror neoliberal em nosso país havia sido o próprio José Serra. Ora, não é segredo para ninguém que o maior impulso à depredação do patrimônio público brasileiro através da forma privatizadora assumida pelo governo durante os anos 1994 - 2002 foi criado e teorizado pelos próprios Estados Unidos quando a crise estrutural do capitalismo começou a bater às suas portas pela primeira vez, durante a década de 70. Para se ter uma ideia, quase 90% das exportações brasileiras ao final da década de 1990, após a pilhagem neoliberal, iam para os Estados Unidos.

O neoliberalismo, política econômica criada pela Santa Aliança anticomunista (Reagan nos EUA, Thatcher nao Reino e Kohl na Alemanha Federal) da década de 70, serviu para aumentar a exploração dos países subdesenvolvidos e acumular capital para desferir o "golpe final" na União Soviética. Acabada a União Soviética, adivinhe qual dos objetivos permaneceu? Pois foi o que vimos acontecer no Brasil e em outros países da AL durante os anos 90, sob a égide de FHC e a politicagem de Serra. Um pouco mais da cara do neoliberalismo nos anos 2000 pode-se entender por este artigo aqui. Um outro artigo, que revisita os 20 anos do PSDB no poder em São Paulo, pode ser lido aqui.

A campanha eleitoral de 2012, como tem sido afirmado por muitos, inclusive pelos porta-vozes da classe dominante, é um ensaio para o que vem por aí em 2014. É um teste para que a direita saiba como vai se reconfigurar nas próximas eleições presidenciais, se aguenta ficar mais tempo no PSDB ou se precisará de outro invólucro, que permita ainda mais abertamente a disseminação de sua política de ódio e pilhagem contra a classe trabalhadora. A questão vai muito além de Serra, Haddad, Netinho ou Francine.

Tudo fica muito claro quando percorremos os fatos e percebemos que a parcela da classe dominante derrotada três vezes pelo PT em âmbito nacional se reagrupa à partir de seu quartel-general histórico, o estado (e a cidade) de São Paulo. A violência das repressões ao Pinheirinho, aos estudantes da USP e à higienização da cracolândia condiz com o ideário fascista com que tais ações foram justificadas e mostra São Paulo como tubo-de-ensaio para um possível recrudescimento da ofensiva fascista da classe dominante.

Mais ainda: o ensaio da direita não limita-se à ofensiva militar e ideológica. A classe trabalhadora de São Paulo vive também ataques violentos de um incipiente e experimental setor paramilitar (ataques a moradores de rua, à população LGBT na paulista) ligado às classes médias e médias altas que reproduz o discurso higienista da direita no poder há quase 25 anos. Aqui um artigo analisando o avanço da extrema direita no centro-sul do país.

Quem fizer as contas verá que a onda das agressões fascistas começaram à época da campanha de Serra/Alckmin em 2010, quando a revista Veja deu voz a um movimento de ódio contra os migrantes nordestinos. A onda recurdesceu quando dos vários ataques paramilitarescos a homossexuais na região do centro (imediatamente após a vitória de Dilma, quase num sinal de protesto) e culminou com a institucionalização da violência, primeiro contra os estudantes da USP, depois com a "limpeza" da Cracolândia e o ataque brusco e ilegal ao Pinheirinho.

É uma conhecida tática de guerra. Certamente um golpe poderoso foi desferido na direita neoliberal com a vitória e a manteneção do governo do PT. Mas não foi ainda um golpe fatal, e São Paulo é a prova disso. Feridos, se reagrupam e testam novas e mais violentas estratégias de apelo popular, especialmente à nova classe média. As eleições de 2012 mostrarão quais aparelhos da direita estão ainda saudáveis e quais devem ser reformulados para que comportem uma tática mais fascista, mais alinhada à da burguesia imperialista gringa. Quanto tempo mais ficaremos presos nas ilusões de que o "Estado Democrático de Direito" está acima das classes? Os inimigos da classe trabalhadora já mostraram os dentes e começam a ensaiar em São Paulo a forma como irão abocanhar o resto do Brasil. Trata-se de dar uma resposta organizada e à altura.

por Diego Fernandes, para o Batalha de Ideias.

Estados Unidos intensificam guerra suja contra o Irã

Apesar de a desestabilização da Síria facilitar um eventual conflito contra o Irã, uma guerra declarada representaria uma aceleração da crise econômica capitalista e um embate de grandes proporções, o qual não envolveria apenas o Oriente Médio.

Nos últimos meses, as provocações e tentativas de desestabilização lançadas pelas potências imperialistas ligadas à OTAN contra o Irã recrudesceram. O país, terceiro maior exportador de petróleo do mundo e o segundo em reservas de gás, é um dos poucos na região a desenvolver um projeto nacional mais autônomo, em curso desde a revolução islâmica de 1979, e é acusado, na atual campanha propagandística, de desenvolver a tecnologia atômica para fins bélicos. O programa nuclear iraniano é, com efeito, uma tentativa de substituição em médio prazo da dependência em relação a uma fonte de energia não renovável, enquanto o país ainda tem recursos para este tipo de investimento.

O próprio secretário de defesa dos Estados Unidos, Leon Panetta, admitiu em janeiro no programa “Face the Nation” da CBS: “eles estão tentando desenvolver uma arma nuclear? Não. Mas nós sabemos que eles estão tentando desenvolver capacidade nuclear. E isso nos preocupa. Nossa mensagem ao Irã é: não desenvolvam uma arma nuclear. Isso é uma questão crucial para nós”. No final de 2011, o chefe do Mossad Tamir Pardo questionou numa audiência com cem embaixadores israelenses: “Qual é o significado do termo ‘ameaça existencial’? O Irã representa uma ameaça para Israel? Com certeza. Mas se alguém disser que uma bomba nuclear em mãos iranianas seja uma ameaça existencial, isso significaria que teríamos que fechar nosso mercado e voltar para casa. Esta não é a situação. O termo ‘ameaça existencial’ é muito usado de maneira indevida”. Ou seja, apesar da alegação mentirosa, repetida constantemente pela propaganda sionista, de que o presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad teria dito que Israel deveria ser varrida do mapa, seu serviço de inteligência atesta que a república islâmica não constitui efetivamente um perigo mortal.

Consolidada a partilha interimperialista da Líbia a partir de fins de outubro do ano passado, a atenção voltou-se para a Síria e o Irã. O primeiro ainda hoje sofre com os grupos paramilitares armados pela Turquia, ao norte, e por Israel, ao sul, alvo também de uma feroz campanha mediática e diplomática internacional. O segundo, por sua vez, é referido como “o país que mais financia o terrorismo internacionalmente” por Washington e vê intensificadas as tradicionais agressões, conduzidas por Israel, Estados Unidos e União Europeia, que já vem sofrendo nos últimos anos. Guerra cibernética, sabotagens econômicas, invasão do espaço aéreo e eliminação física de personalidades ligadas ao programa nuclear são alguns aspectos desta estratégia agora reforçada.

Em meados de outubro, os Estados Unidos acusaram o país de envolvimento na tentativa de assassinato contra o embaixador saudita Adel al-Jubeir. O Conselho de Cooperação do Golfo (CCG), entidade política do Golfo Pérsico que reúne Catar, Omã, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Kuwait e Bahrein, todos obedientes neocolônias, logo condenou o ocorrido, fazendo uma referência explicita ao Irã. Seu secretário-geral Abdullatif al-Zayani disse: "representam flagrante e inaceitável violação a todas as leis, acordos e tratados internacionais e danifica os laços entre os países do CCG e o Irã". No mesmo sentido foram as acusações de que a república islâmica estaria por trás das revoltas dos xiitas contra a monarquia da família sunita Al-Khalifa no Bahrein. A participação do Irã nos dois casos nunca ficou comprovada, mas, de qualquer forma, os Estados Unidos aproveitaram a ocasião para renovar as sanções contra o país.

Em novembro, a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) apresentou um relatório alegando que o Irã teria trabalhado para desenvolver armas nucleares, mas não trouxe qualquer comprovação de que o país tinha material para uma possível bomba, tampouco de que teria uma disposição real de fabricá-la. De acordo com este “documento”, Vyacheslav Danilenko, antigo especialista soviético na fabricação de armas, teria ajudado o Irã a desenvolver seu programa nuclear entre 1996 e 2002. Entretanto, segundo o historiador e jornalista investigativo estadunidense Gareth Porter, Danilenko é um cientista ucraniano que trabalha com nanodiamantes, pequenos diamantes produzidos a partir de explosões e usados para diversos fins na indústria e na medicina. Aliás, a maior parte da argumentação do relatório remonta a atividades anteriores a 2003 e suas fontes foram extraídas dos serviços de inteligência dos Estados Unidos e de seus aliados, além de reciclar velhas informações já descartadas pela própria AIEA anos atrás. Outro elemento que torna este relatório extremamente duvidoso é a denúncia do jornal The New York Times de que o diretor-geral da AIEA, Yukiya Amano, teria ido para a Casa Branca e apresentado o relatório para Obama duas semanas antes de sua publicação oficial. O Irã, além de ter rechaçado completamente o relatório, recordou a hipocrisia desta agência de não investigar Israel, único país da região que tem, de fato, armas atômicas nunca verificadas e não signatário do Tratado de Não Proliferação.

Entre novembro e dezembro, os Estados Unidos usaram o relatório como um pretexto para impor mais sanções ao setor financeiro e petrolífero iraniano, além de ameaçar com sanções indústrias envolvidas com o programa nuclear deste país. Em resposta, o Irã acenou a possibilidade de bloquear suas águas territoriais no Estreito de Ormuz, o que implicaria um aumento no preço do petróleo. Rússia e China rechaçaram as sanções, mas os Estados Unidos e seus aliados da OTAN impuseram-nas unilateralmente.

No mesmo período, o Irã revelou um alto preparo militar para estas provocações. Primeiramente, capturou o avião não tripulado estadunidense Lockheed Martin RQ-170 ainda em voo: quando o drone espião invadiu o espaço aéreo iraniano, a Força Aérea do país manipulou-o eletronicamente e trouxe intacto para o solo, de modo a ser estudado e copiado. Além disso, o governo denunciou o ato de hostilidade à ONU, já que o avião foi “derrubado” nas proximidades da planta enriquecedora de urânio de Fordo. Poucos dias depois, o país sentenciou o espião iraniano-estadunidense Amir Mirzaei Hekmati, quem confessou ter trabalhado para o serviço de inteligência da potência imperialista, à pena capital. Cabe ressaltar que o Irã não tem projetado uma retórica militarista, pelo contrário, o presidente Ahmadinejad reforça que as agressões do imperialismo são sinais de sua debilidade, da falência de seu discurso, não de sua força.

No começo de janeiro, o engenheiro químico iraniano Mostafa Ahmadi Roshan, que trabalhava na planta de enriquecimento de urânio de Natanz, foi assassinado num atentado a bomba contra seu carro em Teerã. O governo do Irã prontamente acusou o Mossad e o grupo Mujahedine-e Khalq, próximo ao Ocidente, do ataque terrorista. De fato, a organização israelense é especializada em operações com bomba, mas a participação direta dos Estados Unidos não pode ser descartada: nos últimos anos, a potência esteve diretamente envolvida no assassinato de diversos cientistas ligados às pesquisas nucleares do país persa (sem contar que o assassinato ocorreu somente dois dias depois do julgamento do espião estadunidense). Depois do atentado, um antigo membro do Mossad, Ilan Mizrahi, declarou que “a guerra secreta entre o Irã e outros países, como Israel, Estados Unidos e Arábia Saudita, está e marcha praticamente desde a revolução de 1979” e, nesta guerra, como detalhou, participam setores da frágil oposição pró-imperialista iraniana. Acrescentou ainda que a situação atual era “algo intermediário entre a guerra e a diplomacia, algo que pode desembocar em guerra aberta mas mantém abertas vias de contato mais ou menos encobertas”.

No final deste mês, a União Europeia, cujo banco central é controlado, desde 1º de novembro do ano passado, por Mario Draghi, ex-diretor-geral do banco Goldman Sachs entre 2002 e 2005, uniu-se aos Estados Unidos e a Israel no boicote contra o Irã. Até o dia 1º de julho, os países europeus deverão parar de comprar petróleo iraniano, a fim de sufocar economicamente o país. Desde setembro, medidas como as sanções assinadas por Obama contra o Banco central, boicote nas exportações de petróleo, etc já fizeram a moeda do país, o rial, desvalorizar em 35%. Isso levou o presidente Ahmadinejad a diversificar cada vez mais seus parceiros políticos e econômicos e aproximar-se da China e dos países que compõem a Alternativa Bolivariana para as Américas (ALBA). Entretanto, para o Irã, o comércio com a Europa representa cerca de 18% de suas exportações de petróleo, enquanto para alguns países deste continente o petróleo vindo do país persa chega a corresponder a quase 1/3 de suas importações. Apesar de vender mais, em termos absolutos, para China, Índia e Japão, os países que mais dependem do petróleo iraniano são Sri Lanka (100%), Turquia (30,6%), África do Sul (25%) e Grécia (22,6%). Além disso, apesar de a Arábia Saudita ter garantido que substituirá o Irã como fornecedor de petróleo, organismos como o FMI e o Banco Mundial preveem que o boicote europeu provocará uma alta no valor do “ouro negro” e consequentemente uma queda ainda maior no crescimento global. Este foi o motivo pelo qual o próprio Irã se adiantou e o ministro do petróleo Rostam Qasemi anunciou que o país cortará antes as exportações de petróleo para a Europa. Ou seja, obedecer politicamente os ditames de Washington afetará ainda mais uma Europa em crise, principalmente Grécia, Espanha e Itália, os quais dependem significativamente da compra de petróleo iraniano e fazem parte dos PIIGS, os países europeus em crise.

Na virada do ano, os Estados Unidos venderam armas para os países-fantoches mais expressivos da região: US$30 bilhões em aviões de combate F-15SA para a Arábia Saudita e US$11 bilhões em tanques, veículos militares, munições etc para o Iraque (o problema, para os Estados Unidos, é que, neste último caso, o governo iraquiano está nas mãos dos xiitas, simpáticos ao Irã). Enquanto reforçava sua presença militar naval no porto do Bahrein, sede de sua Quinta Frota, os Estados Unidos anunciavam um plano de envio de 9000 tropas para exercícios de guerra – defesa aérea e antimísseis – com Israel (como o Irã não representa qualquer perigo a não ser se for atacado, a intenção fica muito clara) e, para o Kuwait, foram enviadas duas brigadas de infantaria e uma unidade de helicópteros. Estas manobras conjuntas dos Estados Unidos no Golfo Pérsico tiveram início em maio de 2003, logo depois da invasão ao Iraque, e contemplam não somente a contenção, mas a invasão efetiva do Irã (no final de 2006, o Pentágono chegou a lançar a simulação Vigilant Shield 07, que envolvia o país do Golfo Pérsico, a Rússia, a China e a Coreia Democrática). A Inglaterra, com o destroyer HMS Daring, e a França, com o porta-aviões Charles de Gaulle, também começaram suas movimentações navais e os Estados Unidos planejam enviar, até abril, o submarino nuclear USS Annapolis, o destroyer USS Momsen e o porta-aviões Enterprise com mais de cem mísseis BGM-109 Tomahawk.

O Irã, por sua vez, fez exercícios militares em águas internacionais, próximas ao Estreito de Ormuz, durante dez dias no final de dezembro, durante os quais testou os mísseis Qadar e Noor de longo alcance. Em fevereiro, anunciou novos exercícios e o desenvolvimento de 21 novos sistemas de defesa de fabricação própria. Além de a estreiteza do Estreito de Ormuz jogar a seu favor, o país tem um sistema de defesa aéreo baseado em mísseis russos S-300 e status de observador na Organização de Cooperação de Xangai, entidade contraposta à OTAN com Rússia, China e Ásia Central. A defesa iraniana tem-se preparado para uma confrontação contra os Estados Unidos há décadas e sabe que não pode se engajar numa competição militar direta com a grande potência. Sua estratégia seria um sistema assimétrico híbrido que combine tecnologia avançada com táticas de guerrilha. Entre os países da região, o Irã conta com forte apoio das comunidades xiitas (significativas no Bahrein, Líbano, Ásia Central e Iraque e próximas a regiões estratégicas na Arábia Saudita), além de sua proximidade política à Síria, estrategicamente localizada no Mar Mediterrâneo. Um eventual bloqueio iraniano em Ormuz, estreito pelo qual passam 40% do petróleo mundial, pôde ter sido apenas uma ameaça agora, mas ocorreria realmente no caso de um conflito e afetaria de forma decisiva os cartéis ligados a este combustível fóssil. O próprio FMI reconheceu que, apesar das rotas alternativas, isso neutralizaria grande parte da OPEP.

Apesar de a desestabilização da Síria facilitar um eventual conflito contra o Irã, uma guerra declarada representaria uma aceleração da crise econômica capitalista e um embate de grandes proporções, o qual não envolveria apenas o Oriente Médio. A oposição iraniana poderá até ser usada nas próximas eleições, em março, para reverter a autonomia lograda nestes últimos 33 anos, mas é muito difícil que tenha qualquer expressividade nacional, já que se trata de um grupo muito dividido e concentrado na burguesia neoliberal da capital. A opção pela “guerra suja” parece a melhor solução por ora para debilitar o Irã, porém ela apresenta também seus problemas: evidencia as intenções imperialistas dos Estados Unidos e da OTAN contra um país autônomo, rico em combustíveis fósseis e que apoia a luta do Hezbollah e a causa palestina; escancara a conivência das ditaduras títeres árabes e da Liga Árabe com este imperialismo e com o sionismo; fortalece a convicção do povo iraniano, já que este não deseja perder sua soberania, e torna os xiitas, em geral, mais coesos em torno da causa iraniana; leva o governo do Irã a se aproximar de Cuba, China e Venezuela, reforçando seus laços político-econômicos e geoestratégicos com estes países; além de encarecer o preço do petróleo, podendo significar ainda mais recessão para a Europa (e para o mundo capitalista). De qualquer forma, o recrudescimento da guerra suja contra o Irã deve ser entendido a partir da análise de Lênin em Imperialismo, fase superior do capitalismo: “quanto mais desenvolvido está o capitalismo, quanto mais sensível se toma à insuficiência de matérias-primas, quanto mais dura é a concorrência e a procura de fontes de matérias-primas em todo o mundo, tanto mais encarniçada é a luta pela aquisição de colônias”.

Vinicius C.
(bacharel em História pela Universidade de São Paulo) 

o original se encontra na edição 456 do Jornal Inverta (http://bit.ly/wXjzXN)

Síria receberá Kofi Annan e a Valerie Amos, enviados da ONU

Damasco, 6 mar O governo sírio receberá os enviados da ONU, Kofi Annan e Valerie Amos, com os quais tratará a crise que vive o país há um ano, confirmou aqui o Ministério de Informação.

Um breve comunicado que circula hoje acrescenta que Amos, atual subsecretária geral da ONU para Assuntos Humanitários, chegará a Damasco na madrugada da quarta-feira.

A nota não informa a data da chegada de Annan, não obstante algumas fontes indicam que o ex-secretário geral dessa organização internacional viajará à Síria na próxima sexta-feira.

Amos sustentará conversas com o chanceler Walid Moallen, seu vice-ministro e com o chefe da Média Lua Vermelha Síria. Igualmente, visitará algumas áreas no país, indica a fonte.

A visita de Amos acontece numa conjuntura marcada pelas pressões que Estados Unidos, França, Reino Unido e as monarquias petroleiras do golfo Pérsico realizam para tergiversar sobre o assunto humanitário na Síria e a sugestão de uma declaração do Conselho de Segurança da ONU, que também contou com o apoio da Rússia e China.

Por sua vez a chegada de Annan se circunscreve em igual contexto, pois foi proposta pela liga Árabe presidida pelo Catar e com o apoio de Washington, em uma recente reunião na Tunísia para que atuasse como enviado da ONU para Síria.

Ainda quando as assediadas autoridades sírias observaram com suspeita e reserva tais propostas, optaram por recebê-los e lhe mostrar a realidade dos acontecimentos no país.

Fonte: Prensa Latina

Síria receberá Kofi Annan e a Valerie Amos, enviados da ONU

Damasco, 6 mar O governo sírio receberá os enviados da ONU, Kofi Annan e Valerie Amos, com os quais tratará a crise que vive o país há um ano, confirmou aqui o Ministério de Informação.

Um breve comunicado que circula hoje acrescenta que Amos, atual subsecretária geral da ONU para Assuntos Humanitários, chegará a Damasco na madrugada da quarta-feira.

A nota não informa a data da chegada de Annan, não obstante algumas fontes indicam que o ex-secretário geral dessa organização internacional viajará à Síria na próxima sexta-feira.

Amos sustentará conversas com o chanceler Walid Moallen, seu vice-ministro e com o chefe da Média Lua Vermelha Síria. Igualmente, visitará algumas áreas no país, indica a fonte.

A visita de Amos acontece numa conjuntura marcada pelas pressões que Estados Unidos, França, Reino Unido e as monarquias petroleiras do golfo Pérsico realizam para tergiversar sobre o assunto humanitário na Síria e a sugestão de uma declaração do Conselho de Segurança da ONU, que também contou com o apoio da Rússia e China.

Por sua vez a chegada de Annan se circunscreve em igual contexto, pois foi proposta pela liga Árabe presidida pelo Catar e com o apoio de Washington, em uma recente reunião na Tunísia para que atuasse como enviado da ONU para Síria.

Ainda quando as assediadas autoridades sírias observaram com suspeita e reserva tais propostas, optaram por recebê-los e lhe mostrar a realidade dos acontecimentos no país.

Fonte: Prensa Latina

Tarefas imediatas dos comunistas revolucionários em 2012

confira aqui a análise deste artigo feita pelo professor Haroldo de Moura (CEPPES-RJ), no Programa de Rádio Voz Rebelde.

O ano de 2012 que, por um lado, chega artificialmente polemizado ao senso comum por profecias cataclísmicas e escatológicas (fim dos tempos), por outro, figura como espaço histórico-temporal em que as contradições fundamentais do sistema mundial capitalista realmente existente - capital/trabalho - se apresentarão de forma mais decisiva e definida. A correlação entre as forças que afirmam e as que negam o sistema do capital, condensadas nas relações entre crise estrutural do capital e estratégias de superação desta, se resolverão em tendências dominantes e dirigentes do movimento histórico e dialético da luta de classes. Naturalmente, não se deve entender por tal resolução a superação dos problemas fundamentais que compõem a razão de ser da crise do capital ou de suas estratégias, mas tão somente a definição da tendência principal que dominará o processo histórico em curso e das tendências ou contra tendências mais visíveis derivadas da mesma, logo, constituindo elementos plausíveis à definição de tarefas imediatas e fundamentais para a ação revolucionária em 2012. Este é o objetivo do presente trabalho.

1. Aspectos Fundamentais da Conjuntura Histórica em 2011

Um aspecto fundamental que marcou o processo histórico em 2011 foi, sem dúvida, o aprofundamento da crise do capital na Europa em contrapeso ao seu desenvolvimento nos EUA e Japão, mais agudamente sentido no primeiro país a partir de 2008. Também se pode somar a este processo como evidência a sintomática redução do crescimento econômico e aguçamento das contradições sociais e políticas nos países denominados emergentes – BRICS: um processo que é resultado da responsabilidade de produção de mais-valia que é imputada aos mesmos pelos centros imperialistas para sustentar as taxas de crescimento e acumulação mundial do capital.

Outro aspecto de similar importância foi a adoção pela Europa, através de nova tática, da velha estratégia da guerra de pilhagem imperialista neocolonial como fórmula política de superação da crise. Esta estratégia de “destruição das forças produtivas já desenvolvidas” – como predisseram Marx e Engels no Manifesto do Partido Comunista de 1848 – pilhagem e “conquista de novos mercados”, não exclui o método de “intensificação da exploração” nos países dominados ou dependentes dos centros imperialistas em face à assincronia dos ciclos econômicos decorrente das políticas macroeconômicas de “reestruturação das economias emergentes nas décadas de 80 e 90 demandadas pelo processo de globalização” (AMIN, 2011). O que permite o sobrepeso da superprodução e do superlucro exigidos pela taxação monopólica imposta pelas corporações financeiras globais, prenunciando assim a tendência à nova alternância da manifestação da crise dos centros à periferia, compondo o movimento diacrônico do processo global que propende a apagar a mediação emergente entre os extremos do sistema: acumulação e miséria.

Não obstante, o aspecto mais relevante e controverso neste período foi a mudança de atitude das massas, tanto nos centros imperialistas quanto na periferia destes, através de movimentos contraditórios por si e em si, mesmo negando ou afirmando o sistema, como o surgimento do Movimento “Ocupa” (que, em síntese, trata-se de uma retomada do movimento antiglobalização e anticapitalista, afogado pela reação imperialista em sua guerra contra o que se denominou de “eixo do mal”) e a tão noticiada “Primavera” dos povos do Oriente Médio, Ásia Central e norte da África, cuja assimetria de conteúdos e desenvolvimento histórico com os centros imperialistas a constituiu num movimento para si que nega o sistema e num movimento em si que afirma o sistema.

2. 2012: Ruptura e Continuidade Histórica

O processo histórico em 2012, dada a correlação de forças estabelecidas, aponta como transposição de tendências e contradições da luta de classes em 2011 a questão decisiva da conjuntura e cena histórica: a crise do capital em seu aspecto econômico. Quanto aos aspectos políticos e ideológicos, estes tendem a se apresentar inteiramente subsumidos ao primeiro, embora dificultando a visualização das rupturas com as tendências e contra tendências dominantes em 2011; portanto, se teoricamente são incapazes de fugir da problemática imposta pelas oligarquias dominantes às classes e camadas sociais subalternas do sistema, logo, também são incapazes de sobrepor respostas e ações mais contundentes e decisivas em si e para si, segundo os novos paradigmas adotados em solução aos problemas cruciais da humanidade, mesmo mediadas por transformações aparentemente radicais ou moderadas.

O contexto é relativamente simples para o entendimento, pois se sustenta na tese de que a luta de classes demonstra amplamente uma situação defensiva da classe operária e ofensiva da classe burguesa; então, é uma tendência plausível que o problema central da sociedade humana – até como reflexo mecânico – seja o problema da classe dominante (MARX & ENGELS, 1973). Deste modo, em 2012, caso as predições fatalistas e cataclísmicas não aconteçam, a crise do capital continuará sendo a âncora do ciclo em que flutuam as soluções e tarefas impostas pela correlação de forças da “conjuntura”. Daí, parece improvável e pouco crível a ruptura com a tendência central de 2011 de aprofundamento da crise e da solução pela guerra imperialista ou outras estratégias de domínio e recolonização pelo sistema.

Porém, é sempre um grave equívoco para os revolucionários subestimarem a capacidade de resistência e entrega das massas trabalhadoras nestes momentos decisivos da história, que combinada à tese do “elo mais fraco da cadeia imperialista”, de Lenine, pode mudar a correlação de forças e se encaminhar para um desdobramento totalmente imprevisível e impensável pela lógica do sistema. Nestas circunstâncias, é necessária uma análise mais profunda da geopolítica ou geoestratégia do capital, observar suas contradições em relação às suas próprias forças, bem como em relação às forças de resistências às mesmas. Naturalmente, joga um papel decisivo nesta análise o conceito de custo-benefício para o capital dos meios empregados na realização estratégica, a exemplo dos custos da guerra contra o Afeganistão e os benefícios atuais, idem em relação ao Iraque e à Líbia. É muito importante se questionar qual o limite da expansão do capital ao Oriente e ao norte da África; qual a probabilidade de mudança de cenário e forma de guerra, do Oriente para o Ocidente, do norte para o sul. Sem dúvida, este rascunho tende a se tornar mais preciso em 2012.

A afirmação da crise do capital como âncora tendencial, que demarca os limites elípticos das tendências políticas e ideológicas que orientam as estratégias de ações das classes sociais em luta, se sustenta em tese plausível e comprovável tanto teórica quanto empiricamente. Teoricamente se sustenta na interpretação da teoria de Marx em termos da crise de mensuração de valor, ou seja, na perda da efetividade do paradigma de mensuração do valor e riqueza social deduzida da relação tempo/trabalho socialmente necessário, dada a aplicação da ciência e da técnica, em escala cada vez maior, alterando a composição orgânica drasticamente, tendendo a reduzir o parâmetro de mensuração tempo/trabalho necessário ao estilo do sofisma de Zenão, visto que este parâmetro não é suficiente para mensurar o próprio valor da ciência e da técnica incorporadas ao processo de produção em máquinas e materiais, em substituição ao trabalho humano direto – desgaste da força muscular, nervos e intelecto – e indireto – vigilância e controle da produção – esvanecendo a linha divisória entre trabalho vivo e trabalho morto, exigindo a mudança de paradigma do valor trabalho para o valor tempo livre.

Esta pedra filosofal desencavada dos rascunhos de “O Capital” – “Grundrisse” – (MARX, 2009), embora não seja uma questão nova como atestaram o próprio Marx (Notas Marginais ao Tratado de Economia Política de Adolph Wagner, 1879), Engels (O Capital, Livro III, 1894) e Lenine (1985), se tornou a pedra de toque do marxismo de cátedra atual, pasmando suas versões desta formulação de Marx, ora absolutizando-a, ora relativizando-a, ora desviando-se da mesma, tal como se pode observar na formulação de Kurz (1992), Mèszáros (2002), Lebowitz (2005), Arrighi (2008), Amin (2011), entre os mais destacados. A tese de Kurz, do fim do trabalho, resulta da aplicação absolutizada da tendência de perda de validade da relação tempo/trabalho necessário na leitura categórica do sistema do capital. Desclassifica o conceito de luta de classes, pois não é considerado por ele como parte do núcleo mais permanente ou abstrato da teoria marxista, porém como parte temporal e histórica extrapolada da composição do valor entre tempo excedente e tempo necessário (ou valor de troca e valor de uso). Sem este último resta, tão somente, tempo excedente, ou valor abstrato (o capital), que exige uma nova estrutura temporal e histórica, logo um novo paradigma liberto do trabalho. Mèszáros também caminha pelas mesmas águas turvas, contudo, relativiza a formulação de Marx mediatizando-a com o conceito da Taxa de Utilização Decrescente. Sua tese da destruição produtiva (derivada da formulação de Schumpeter combinada com a reprodução ampliada e subconsumo de Rosa de Luxemburgo) relativiza a autonomização do valor abstrato em relação ao valor de uso, e isto permite a sobrevida do capital até chegar aos seus limites absolutos, constituindo a crise estrutural do sistema do capital. Sua tese conclui, como Kurz, pela sobrevida do capital para além e para aquém do sistema capitalista, logo, permitindo e até mesmo definindo uma nova modalidade de transição do capitalismo ao socialismo que designa como sociedade pós-capitalista

Nos casos de Lebowitz e Arrighi, embora tenham por premissa na análise do sistema a economia política, as bases teóricas de exame discrepantes no enfoque da crise, o primeiro ricardiano-hegeliano; o segundo smithiano – gramsciano, concluem pela leitura dos Grundrisse que estas não passam de “turbulências” ou “barreiras superáveis” ad infinitum pelo sistema, portanto, transferindo o problema da mudança e superação do capitalismo para a esfera político-econômica pela adoção de uma economia política voltada para a classe operária fundada em cooperativas de produção alternativas ao sistema (LEBOWITZ, 2005) e para a esfera da geopolítica como superação da crise de hegemonia decorrente do estado estacionário da economia dos EUA (ARRIGHI, 2008). O primeiro defende sua concepção de crise ricardiana, ou seja, “barreiras sempre transpostas pelo sistema”, com base em sua descoberta do conceito hegeliano de obstáculos com o mesmo significado de barreira aplicado por Marx nos Grundrisse (BEVILAQUA, 2011); o segundo fundamenta sua tese de crise de hegemonia pela mesma concepção de superação de barreiras fundada na “destruição produtiva” de Schumpeter e no estado estacionário da sociologia smithiana.

Neste sentido, a formulação de Samir Amin sobre a crise, embora considerada dentro do eixo teórico de Wallestein e sua teoria do sistema mundo, ao contrário de Arrighi e mais próximo ao estilo de Theotônio dos Santos (1983), apresenta uma contribuição menos eclética na aplicação do marxismo indo ao ponto central da crise em termos da teoria do valor pela contradição entre trabalho vivo e trabalho morto, expressa na composição orgânica do capital assimétrica entre os centros e a periferia do sistema que deve ser compreendida, como afirma o próprio Amin (2011), por todos os países abaixo da tríade Estados Unidos, União Europeia e Japão. Esta análise de Amin, sem dúvida, traz o problema da crise para a esfera da determinação econômica e nesta trata o problema levantado por Marx nos Grundrisse da tendência da aplicação do capital fixo no processo de produção cuja punção é esvanecer a categoria tempo-necessário como parâmetro relacional do valor abstrato (2009). A visão dual deste fenômeno entre centro e periferia permite a tese mediadora do desequilíbrio estrutural da relação de valor já visualizada desde a teoria da dependência, tanto no trabalho de Rui Mauro Marini Dialética da Dependência (1976), o modelo de acumulação de capital associado e dependente do imperialismo no padrão de acumulação assimétrica entre centro e periferia derivado do superlucro. O fundamento desta tese de Marini pode ser observado em parte no trabalho de Theotônio dos Santos A Revolução Científico-Técnica e Acumulação de Capital (1987); neste, Santos extrapola a relação aplicada por Marx em O Capital entre as fases da revolução industrial e as partes da máquina para a relação entre a mudança da composição orgânica do capital e a revolução informacional que em seu limite conduz ao desequilíbrio da relação de valor entre abstrato e concreto, se expressando na tendência à queda global da taxa de lucros.

3. As tendências e as tarefas gerais em 2012

É sobre esse quadro teórico que se pode avançar na definição do conteúdo das tendências que dominarão a cena histórica em 2012 fundadas no aprofundamento da crise, tanto por sua natureza como crise orgânica do capital, que se expressa no desequilíbrio estrutural do valor abstrato em si e para si em relação ao valor de uso no âmbito global do sistema e suas assimetrias entre centro e periferia, norte e sul; quanto pela geoestratégia das oligarquias mediada pela resistência e lutas dos povos nos centros e periferias do sistema. Nestes termos, não é absurdo supor que o processo de reequilíbrio da taxa global de lucro continuará através das drásticas desvalorizações monetárias, bem como o aperto monetário e restrições de crédito tendem a frear o investimento, mesmo os de índole keynesiana, agravando a crise e comprometendo a arrecadação fiscal dos países e aprofundando a situação de inadimplência das dívidas soberanas. Também não é difícil extrapolar deste processo as medidas de política que sacrifiquem os trabalhadores com o desemprego, redução de salários, cortes de benefícios e limitação ao crédito nos países, como afirma Amin, da periferia do sistema e, sobretudo, que o sacrifício dos países emergentes se transforme em novo ciclo de crise profunda.

Mas, se tais tendências econômicas e políticas são previsíveis e, até certo ponto, transparentes em relação ao problema central da conjuntura – a crise do capital – por outro, ideologicamente, não se pode esperar tal clarividência. A tendência a isolar os acontecimentos e desconectá-los de suas relações de interdeterminação com a crise é a profissão de fé dos aparelhos ideológicos do sistema, constituindo um monstruoso aparato de divisão e maniqueísmo sobre as massas trabalhadoras. Além disso, com a total viragem da ciência burguesa para o charlatanismo, fortalecido pela crise do marxismo, abrange todos os aspectos da formação da consciência humana em relação à realidade, tornando-se assim uma indústria estratégica para a sobrevida do sistema e enfraquecimento da luta revolucionária. Portanto, dentre as tarefas principais dos revolucionários, merece destaque especial a luta contra a ideologia do sistema, como já preconizado por Fidel Castro através da tese da Batalha das Ideias.

E qual é a melhor maneira de conduzir esta luta? Em nossa compreensão, em termos teóricos, é expondo o real problema do capital e seu sistema, que é a sua própria crise orgânica expressa na contradição fundamental entre o trabalho abstrato (morto) e o trabalho concreto (vivo) na formação do paradigma de valor e riqueza social. A assimetria entre centro e periferia do capital como sistema, dada a revolução científico-técnica na terceira e última parte da máquina - transmissão e controle – desequilibrou globalmente a formação do valor, impedindo sua mensuração ou paradigma de mensuração - a relação tempo/trabalho necessário - à aplicabilidade universal. Este fato se expressa na composição orgânica do capital distinta em ambos os polos do sistema, deteriorando as relações de troca e reprodução ampliada do mesmo. A aplicação da ciência e da técnica ao processo de produção mudou o paradigma de mensuração de valor nos centros e setores produtivos de alta composição do capital, rompendo a relação tempo/trabalho necessário, adotando a relação tempo livre social. Daí, a desestruturação orgânica do paradigma de valor e riqueza social do sistema e, com ela, a desestruturação de todo o sistema de valores da sociedade burguesa atual.

Contudo, é impossível conduzir este combate de ideias eficientemente sem as armas fundamentais para tal, sejam as intelectuais, sejam as materiais; do mesmo modo ao se falar de armas aptas e manejáveis a um objetivo revolucionário alternativo ao capital e seu sistema, isto implica dizer tática revolucionária e estratégia revolucionária do Comunismo. Neste sentido, não é possível imaginar tal processo sem uma organização adequada, formada pela livre associação de homens e mulheres com a mesma finalidade e objetivos gerais; pois, da mesma forma que não se pode pensar em estratégia revolucionária do Comunismo sem a teoria de O Capital e a teoria do Partido Comunista de Marx e Engels (1985 e 1973), também não se pode pensar em tática revolucionária e revolução sem a teoria do Imperialismo e a teoria do Partido de Novo Tipo de Lenine (1985). Daí a grande tarefa da construção da organização revolucionária aparecer como causa e, ao mesmo tempo, consequência (suposta e pressuposta) das demais tarefas, e que se desenvolve dialeticamente ligada a todas as demais tarefas da luta de classes na conjuntura e período histórico deste ano.

É legítimo perguntar até que ponto existe uma hierarquia entre as tarefas que derivam destas duas determinações gerais da luta de classes: das que decorrem da luta de ideias e as que decorrem da luta organizativa. A esta questão vale pensar a relação em termos da determinação, pois seria possível desenvolver uma batalha de ideias sem uma organização revolucionária e seus instrumentos ou armas de batalha? Pelo contrário, surge a questão: é possível desenvolver uma organização revolucionária sem ideias revolucionárias? Eis, portanto, o dilema central entre teoria e prática cuja solução está em entendê-las como polos contraditórios de um movimento revolucionário que pode ter por ponto de partida a luta empírica ou teórica ou, como diz Lenine, o movimento de baixo para cima ou de cima para baixo. O fato é que as ideias revolucionárias não são uma evolução espontânea da luta de massas, bem como a luta revolucionária de massas não é uma derivação direta de ideias revolucionárias. As mediações que se apresentam entre teoria e prática revolucionária como particularidades históricas são resultantes da singularidade e universalidade do movimento revolucionário mundial, portanto, a pergunta legítima tem por resposta legítima a particularidade histórica da formação do grupo de origem da formação revolucionária, que varia de realidade para realidade e se unifica na universalidade da ciência marxista e na luta internacionalista.

Assim, da luta de ideias contra a ideologia do sistema que fetichiza os fatos dissociando suas relações com a crise do capital e escondendo esta última, mais que demandar uma análise real da crise, demanda uma campanha de propaganda e agitação em todas as frentes da formação da consciência social, que demonstre a falsidade das ideias das oligarquias e exponha a verdade sobre a crise. Porém, como realizar essa campanha sem os quadros e o material propagandístico, ou mais precisamente, os meios mais apropriados à ação? Então, se apresenta historicamente a necessidade de um centro ideológico, em sua dimensão de pesquisa, formação e difusão. Neste ponto, surge a luta organizativa como movimento fundamental e berço elementar dos quadros estruturados em todos os níveis de demandas da luta revolucionária, desde a esfera econômica à política e ideológica contra o sistema. Portanto, os passos na organização do movimento de luta exigem par e passo à ação das massas, a difusão e defesa das ideias revolucionárias, até a formação da consciência das mesmas pela unidade entre prática e teoria. Eis, assim, uma escala de tarefas gerais para 2012, tendo por base a luta de ideias e a luta organizativa.

Todos à luta para desmascarar a ideologia burguesa e denunciar a crise do capital!
Todos à luta pela construção do Partido Comunista Marxista-Leninista em todo o Brasil!
Ousar Lutar! Ousar Vencer!
Venceremos!

P. I. Bvilla
Pelo OC do PCML

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Essa matéria foi publicada na Edição 456 do Jornal Inverta, em 17/01/2012 (http://bit.ly/xO3G9L)