Thursday, July 5, 2012

VIVA O 5 DE JULHO!!!

 

O 5 de julho é uma data histórica, muitas vezes esquecida pelos lutadores populares brasileiros. Em 5 de julho de 1922, levantavam-se os 18 tenentes do Forte de Copacabana, no Rio, que seriam masssacrados pelas tropas do presidente Arthur Bernardes, ao marcharem contra os fuzis legalistas por justiça social. Em 5 de julho de 1924, Isidoro Dias Lopes e Miguel Costa levantavam os tenentes em São Paulo, tomando a cidade por 20 dias e sendo bombardeados pelas tropas legalistas. A data seria o estopim da Coluna Invicta, liderada por Luiz Carlos Prestes e que atravessou 25 mil quilômetros à pé pelo Brasil, lutando contra o exército, o cangaço e implantando a justiça popular contra os governadores das cidades tomadas. Em 5 de julho de 1935, Prestes lançava o manifesto da Aliança Nacional Libertadora, subordinando o movimento tenentista ao movimento operário, e dando início ao primeiro levante popular dirigido pela classe operária organizada em partido político, violentamente esmagado por uma união do fascismo de Getúlio Vargas e de Hitler. Para lembrar a data, o Batalha de Ideias reproduz o Manifesto de 5 de Julho, destacando os pontos de reivindicação da ANL.

 

A todo povo do Brasil!

Luiz Carlos Prestes, 5 de julho de 1935



Aos aliancistas de todo o Brasil! 5 de julho de 1922 e 5 de julho de 1924. Troam os canhões de Copacabana. Tombam os heróis companheiros deSiqueira Campos! Levantam-se, com Joaquim Távora, os soldados de São Paulo e, durante 20 dias é a cidade operária barbaramente bombardeada pelos generais a serviço de Bernardes! Depois . . . a retirada. A luta heróica nos sertões do Paraná! Os levantes do Rio Grande do Sul! A marcha da coluna pelo interior de todo o país, despertando a população dos mais ínvios sertões, para a luta contra os tiranos, que vão vendendo o Brasil ao capital estrangeiro.

Quanta energia! Quanta bravura!

As lutas continuam - São 13 anos de lutas cruentas, de combates sucessivos e vitórias seguidas das mais negras traições, ilusões que se desfazem, como bolhas de sabão, ao sopro da realidade!

Mas as lutas continuam, porque a vitória ainda não foi alcançada e o lutador heróico é incapaz de ficar a meio do caminho, porque o objetivo a atingir é a libertação nacional do Brasil, a sua unificação nacional e o seu progresso e o bem-estar e a liberdade de seu povo e o lutador persistente e heróico é esse mesmo povo, que do Amazonas ao Rio Grande do Sul, que do litoral às fronteiras da Bolívia, está unificado mais pelo sofrimento, pela miséria e pela humilhação em que vegeta do que uma unidade nacional impossível nas condições semicoloniais e semifeudal de hoje!

Aliança Nacional Libertadora - Nós, os aliancistas de todo o Brasil, mais uma vez, levantamos hoje bem alto a bandeira dos 18 do Forte, a bandeira de Catanduvas, a bandeira que tremulou em 1925 nas portas de Teresina, depois de percorrer de Sul a Norte todo o Brasil! A Aliança Nacional Libertadora é hoje constituída pela massa de milhões que continua as lutas de ontem! A Aliança Nacional Libertadora é hoje a continuadora dos combates que, pela libertação do Brasil, do jugo imperialista, iniciaram Siqueira CamposJoaquim TávoraPortelaBenévoloCleto Campello, Janson de Mello, Djalma Dutra, e milhares de soldados operários e camponeses em todo o Brasil.

Somos herdeiros das melhores tradições revolucionárias de nosso povo e é, recordando a memória de nossos heróis, que marchamos para a luta e para a vitória!

Dias Decisivos

Brasileiros!

Aproximam-se dias decisivos.

Os trabalhadores de todo o Brasil demonstram, através de lutas sucessivas, que já não podem mais suportar e nem querem mais se submeter ao governo em decomposição de Vargas e seus asseclas nos Estados. Além disso, os cinco últimos anos deram uma grande experiência a todos em que no Brasil tiveram de suportar e sofrer a malabarista e nojenta dominação getuliana. E esses cinco anos de manobras e traições, de contradanças de homens do poder, de situacionistas que passam a oposicionistas e vice-versa, de inimigos "irreconciliáveis" que se abraçam, cinicamente, sobre os cadáveres ainda quentes dos lutadores de 1922, abriram os olhos de muita gente. Onde estão as promessas de 1930? Que diferença entre o que se dizia e se prometia em 1930 e a tremenda realidade já vivida neste cinco anos getulianos!

O Programa da Aliança Liberal

"A revolução brasileira não pode ser feita com o programa anódino da Aliança Liberal", dizia eu em maio de 1930, chamando a atenção dos companheiros da coluna para a luta contra o imperialismo e o feudalismo, sem a destruição dos quais tudo mais seria superficial, irrisório e mentiroso. "Se chegarmos ao poder, vamos controlar as empresas imperialistas, vamos evitar os abusos . . . vamos dar terra aos camponeses, sem ser necessário desapropriar grandes latifundistas, vendidos ao imperialismo", respondiam-me muitos deles. São passados cinco anos e todos os que honestamente assim pensaram já devem estar convencidos das utopias reacionárias que defendiam.

Dominação dos Imperialistas

Por outro lado a crise mundial do capitalismo, na sua agravação crescente leva os imperialistas a tornarem cada vez mais clara a dominação e a exploração dos países subjugados por eles nas colônias e semicolônias como o Brasil. Quem tem a coragem, nos dias de hoje, de negar que somos explorados bárbara e brutalmente pelo capital financeiro imperialista? Somente lacaios desprezíveis e nauseabundos, como Assis Chateaubriand ouHerbert Moses, ou então os chefes e teóricos do integralismo que, compreendendo e sentindo a vontade de luta das massas contra os bancos e empresas imperialistas, tratam de desviá-la, transformando a luta contra o imperialismo, a luta do povo contra os exploradores ingleses ou japoneses em questão de raça, em luta contra o semitismo.

Novas Concessões

E dia a dia novas concessões são feitas ao capital financeiro imperialista. Já não bastam os serviços públicos, os portos, as estradas de ferro, as minas. Extensões enormes do território pátrio são entregues a empresas estrangeiras. Toda a produção nacional, fruto do trabalho hercúleo das grandes massas trabalhadoras é entregue ao fascismo hitlerista, em troca de papéis sujos, isto é, de graça para ajudar o massacre do proletariado alemão e para organizar nova guerra imperialista. As fronteiras do país são abertas em troca de sombrinhas e biombos à invasão militarmente organizada do imperialismo japonês. A pequena indústria nacional, aquela que não está nas mãos dos tubarões estrangeiros ou de seus lacaios, é ameaçada de liquidação pelos tratados comerciais com a Inglaterra, com os Estados Unidos e o Japão. Enfim, a divisão do país, em zonas de influências sobre a denominação de um outro imperialismo torna-se cada vez mais clara.

Interesses Contraditórios das Classes Dominantes

A dominação imperialista utiliza o regionalismo, os interesses contraditórios das classes dominantes, que os servem, para, aprofundando esses interesses, despedaçar o país e melhor dominá-lo. Isto se reflete, claramente, no cenário político atual. São evidentes as divergências entre os diversos clãs que apóiam o governo de Vargas, entre Salles de Oliveira e Flores da Cunha, entre São Paulo e o Nordeste. Entre os "oposicionistas", a mesma coisa é facilmente observada, que todos os esforços pela formação de um partido nacional fracassam, lamentavelmente. Continuamos na política asquerosa dos blocos sem princípios; sem programa; do bloco que está no poder e do bloco que quer o poder.

O lntegralismo

Mesmo entre os fascistas tal estado de coisas se verifica. Apesar de toda a demagogia sobre a unificação nacional, o integralismo é bem uma fotografia da podridão, da decomposição, da divisão dos interesses contradicionários entre as cliques das classes dominantes de um ou de outro Estado. E por isso a tragédia do Sr. Plínio Salgado, obrigado a dizer hoje aqui uma coisa, amanhã ali ao contrário. Daí o engraçado do disse que não disse dos chefes integralistas, que todos os partidos das classes dominantes do Brasil refletem, queiram ou não queiram, a divisão regional que tem suas origens no feudalismo e se agrava com a penetração imperialista. Essa desagregação, por sua vez, acelera a venda do país ao imperialismo que penetra por todas as brechas e por todos os lados, porque o bando que está no poder, para não perdê-lo, precisa satisfazer às menores exigências de qualquer de suas facções. O governo de Vargas tem por isso satisfeito os interesses, os mais contraditórios, de todos os magnatas estrangeiros e de seus lacaios nacionais. Despedaçando o Brasil, sufocando na miséria o povo.

Unificação Nacional

A unificação nacional é, por isso, impossível sob a dominação imperialista. Só as grandes massas juntamente com a parte da burguesia nacional, não vendida ao imperialismo, serão capazes de, através de um governo popular revolucionário, acabar com esse regionalismo, com a desigualdade monstruosa que a dominação dos fazendeiros e imperialistas impôs ao país.

Esta é a tarefa gigantesca da Aliança Nacional Libertadora, que apresenta aos olhos de todo o Brasil, como a única organização realmente nacional, única organização onde os verdadeiros interesses do povo de cada Estado coincidem com os idênticos objetivos que congregam, em todo o Brasil, de norte ao sul, de este a oeste, os lutadores contra o imperialismo e os trabalhadores de todo o país, juntamente com a parte da burguesia nacional, não vendida ao imperialismo, serão capazes de, através de um governo popular revolucionário antiimperialista.

Em Marcha Para a Ditadura Fascista

Mas as classes dominantes, que sentem já não poder dominar a vontade de luta das massas, com as armas da brutal reação, que tenham sido até hoje empregadas, dessa tão falada "liberal democracia", marcham, ostensivamente e cada dia mais abertamente, para uma ditadura ainda mais bárbara - para a ditadura fascista - forma mais brutal, mais feroz da ditadura dos exploradores. Ameaçam o povo de todo o Brasil com a ditadura de elementos terroristas, mais reacionários com a ditadura dos mais cínicos lacaios do imperialismo. Nessa direção, para chegarem a um tal governo para sufocarem os últimos direitos democráticos do povo, os elementos não reacionários das classes dominantes tratam de por um momento vencer suas próprias contradições e unir-se numa "união sagrada". Vargas encontra por baixo da "oposição" todo apoio necessário à fascistização do seu governo, ao mesmo tempo que estimula e auxilia a organização dos bandos integralistas. A "oposição", por seu lado, prepara golpes de Estado e faz esforço para substituir, por ordem de seus patrões estrangeiros, por figuras novas e menos impopulares, as que ocupam o vacilante poder atual. O governo é abertamente fascista - essa grande ameaça que se prepara entre as classes dominantes contra o povo brasileiro!

Os Dois Campos Se Definem

O duelo está travado. Os dois campos se definem, cada vez com maior clareza para as massas. De um lado, os que querem consolidar no Brasil as mais brutais ditaduras fascistas, liquidar os últimos direitos democráticos do povo e acabar a venda e a escravização do país ao capital estrangeiro. Desse modo - o integralismo, como brigada de choque terrorista da reação. De outro, todos os que nas fileiras da Aliança Nacional Libertadora querem defender de todas as maneiras a liberdade nacional do Brasil, pão, terra e liberdade para seu povo. A luta não é, pois, entre dois "extremismos" como querem fazer constar os hipócritas defensores de uma "liberal democracia" que nunca existiu e que o povo só conhece através das ditaduras sanguinárias de EpitácioBernardesWashington Luís e Getúlio Vargas. A luta está travada entre os libertadores do Brasil, de um lado, e os traidores, a serviço do imperialismo, do outro.

Posição Clara e Definida

O momento exige, de todo homem honesto, uma posição clara e definida. Pró ou contra o fascismo; pró ou contra o imperialismo! Não há meio termo possível, nem justificável. A Aliança Nacional Libertadora é, por isso, uma vasta e ampla organização de frente única nacional. O perigo que nos ameaça, o perigo que aumenta dia a dia, nos obriga a colocar em primeiro plano nos dias de hoje, a criação do bloco, o mais amplo de todas as classes oprimidas pelo imperialismo, pelo feudalismo, e, portanto, da ameaça fascista. Tal a tarefa decisiva na atual etapa da revolução brasileira. A frente única não obriga a quem quer que nela venha formar, renunciar a defesa de seus conceitos e opiniões. Não! Isso seria semear confusões entre as massas populares e enfraquecer sua força revolucionária. Reconhecendo todas as divergências políticas, que entre nós possam existir, saberemos, como revolucionários, que o momento atual exige de tudo a concentração de todas as nossas forças para luta contra o imperialismo, o feudalismo e o fascismo.

Condições Para Ingressar na ANL

Para a Aliança Nacional Libertadora precisam vir todas as pessoas, grupos, correntes, organizações e mesmo partidos políticos, quaisquer que sejam os seus programas, sob a única condição de que queiram lutar contra a implantação do fascismo no Brasil, contra o imperialismo e o feudalismo, pelos direitos democráticos. E a todas as pessoas e correntes, que queiram, por quaisquer motivos, restringir essa frente única nacional revolucionária, devemos opor a vontade férrea de sua realização. Todas as pessoas, grupos, associações e partidos políticos, que participam da Aliança devem impedir, com todas as forças, aquelas tentativas, denunciando os culpados, implacavelmente, como traidores do Brasil e do seu povo.

Unificação do Proletariado

As forças da Aliança Nacional Libertadora são já grandes, mas podem e devem ser ainda maiores abarcando milhões porque, com o seu programa, estão todos os que trabalham no país, todos os que sofrem com a dominação imperialista e feudal, em primeira linha o proletariado e as grandes massas do campo. A unificação do proletariado, tendência já invencível, que se sobrepõe a todas as dificuldades opostas pela reação, é uma das maiores forças da revolução. E as greves dos últimos tempos aumentam, cada vez mais, a capacidade de luta do heróico proletariado do Brasil e a confiança que a todos os revolucionários brasileiros inspiram como classe dirigente da revolução. As lutas dos camponeses, conquanto ainda espontâneas e desorientadas, são bem o indício do ódio e da energia concentrada em séculos de sofrimento e de miséria pela massa de milhões que quer melhores dias. Mas com a revolução, portanto, com a Aliança ficarão os soldados e marinheiros de todo o Brasil.

As Classes Armadas

Com a Aliança ficarão os melhores oficiais das forças armadas do país, todos aqueles que serão incapazes de conduzir seus soldados contra os libertadores do Brasil e muitos dos quais já demonstraram, em lutas anteriores, que ficarão com o povo contra o imperialismo, o feudalismo e o fascismo. Como antes de 1838, os militares do Brasil jamais se prestarão ao papel de capitães-do-mato, a serviço do imperialismo e seus lacaios no país. Com a Aliança estarão todos os heróicos combatentes dos movimentos armados que se sucedem no país, desde 1922.

Os Que Ficarão Com a Aliança

Com a Aliança formará a juventude heróica de São Paulo, que pensou defender, nas trincheiras, em 1932, a democracia e a liberdade contra a ditadura de Vargas e que vê, hoje, seus chefes, nos rega-bofes do governo. Com a Aliança estarão todos os intelectuais honestos, o que há de mais vigoroso e capaz na intelectualidade brasileira, todos os que não podem concordar com o obscurantismo fascista e a liquidação dos últimos direitos democráticos do povo, todos os que querem defender a cultura do nosso povo. Com a Aliança estará a juventude trabalhadora estudantil do país, lutando por melhores dias e por um futuro mais claro, disposta a dar todo o seu entusiasmo e energia, para a luta, para a libertação nacional do Brasil, na qual vai ocupar os postos mais avançados. Com a Aliança estarão as mulheres do Brasil, trabalhadoras manuais, intelectuais, donas-de-casa, mães de família, irmãs, noivas e filhas de trabalhadores, elas formarão na Aliança porque, apesar das mentiras e calúnias da imprensa venal, elas compreendem e entendem que só a Aliança poderá defender o pão para seus filhos e acabar com a brutal exploração em que vivem.

Liberdade de Crença

As mulheres religiosas como todas as pessoas religiosas católicas, protestantes, espíritas ou positivistas, desejam acima de tudo a liberdade para seus cultos e essa liberdade é defendida pela Aliança; estão mesmo os padres brasileiros, os mais pobres e que, entrando para a igreja não se venderam ao imperialismo, nem esqueceram seus deveres frente ao povo. É natural que os chefes da igreja, os ricos e bem nutridos cardeais e arcebispos, como membros das classes dominantes, e lacaios do imperialismo, estejam contra a Aliança. Já noutras épocas, Frei Caneca, Padre Miguelinho e muitos outros lutaram ao lado do povo, pela independência do Brasil, contra a vontade dos bispos e arcebispos que os mandaram assassinar.

Privilégios da Raça, Cor e Nacionalidade

Com a Aliança estarão os pequenos comerciantes, os pequenos industriais, que, comprimidos entre os impostos e monopólios imperialistas de um lado e a miséria cada vez maior da massa popular do outro, ganham cada dia menos e, à medida que se pauperizam vão passando a simples intermediários mal remunerados da exploração do povo pelo imperialismo e pelos impostos indiretos. Com a Aliança estarão todos os homens de cor do Brasil, os herdeiros das tradições gloriosas das Palmares, porque só a ampla democracia, de um governo realmente popular, será capaz de acabar para sempre com todos os privilégios de raça, de cor ou de nacionalidade, e de dar aos pretos no Brasil a imensa perspectiva da liberdade e igualdade, livre de quaisquer preconceitos reacionários, pela qual lutam com denodo há mais de três séculos.

Programa Antiimperialista

Não há pretextos que justifiquem, aos olhos do povo, a luta contra a Frente única Libertadora. É por isso que as fileiras da Aliança Nacional Libertadora estão abertas a todos os que querem lutar pelo seu programa antiimperialista, antifeudal e antifascista, programa que somente o governo popular revolucionário realizará:

I - Não pagamento das dívidas externas, nem seu reconhecimento.

II - Denúncia dos tratados anticomerciais com o imperialismo.

III - Nacionalização dos serviços públicos mais importantes e das empresas imperialistas que não se subordinem às leis do governo popular revolucionário.

IV - Jornada máxima de trabalho de oito horas, seguro social, aposentadorias, aumento de salários, salário igual para igual trabalho, garantia de salário mínimo, satisfação dos demais pedidos do proletariado.

V - Luta contra as condições escravistas e feudais do trabalho.

VI - Distribuição entre a população pobre camponesa e operária das terras e utilização das aguadas, tomadas sem indenização aos imperialistas, aos grandes proprietários mais reacionários e aos elementos da igreja, que lutam contra a liberdade do Brasil e a emancipação do povo.

VII - Pelas mais amplas liberdades populares, pela completa liquidação de quaisquer diferenças ou privilégios de raça, de cor ou de nacionalidade, pela mais completa liberdade religiosa e a separação da Igreja do Estado.

VIII - Contra toda e qualquer guerra imperialista e pela estreita união, com as Alianças Nacionais Libertadoras dos demais países da América Latina e com todas as classes e povos oprimidos.

Divulgação dos Princípios

O realismo brasileiro de um tal programa é inegável e o entusiasmo com que todo o Brasil, as mais vastas massas trabalhadoras procuram as fileiras da Aliança Nacional Libertadora é a melhor das demonstrações. Nem o governo reacionário de Vargas, nem nenhuma outra ditadura militar fascista ou semifascista poderá oferecer uma resistência séria à Frente Única Nacional Libertadora se essa souber, realmente, mobilizar as mais amplas massas populares. Para isso precisamos, ao mesmo tempo que unificamos e congregamos na Aliança Nacional Libertadora todas as pessoas, grupos, correntes, organizações e partidos políticos, que quiserem lutar pelo seu programa, precisamos criar a Frente Única Libertadora em cada fábrica, empresa, casa comercial, universidades, quartéis, navio mercantil ou de guerra, nos bairros, nas fazendas, organizando a luta diária de tais massas.

Libertação Nacional do Brasil

Aliança Nacional Libertadora precisa englobar todas as organizações de massas, precisa e deve verdadeiramente representar o povo e saber lutar efetiva e conseqüentemente, pelos seus interesses. A Aliança Nacional Libertadora já representa a enorme força revolucionária do nosso povo e a sua incomensurável vontade de sacrifícios para a luta pela libertação nacional do Brasil. Os últimos acontecimentos de Petrópolis e o vigor com que o povo de São Paulo levou os chefes integralistas a uma retirada medrosa, dizem do que será capaz a Frente única Nacional.

Implantação de Um Governo Popular

Marchamos, assim, rapidamente, à implantação de um governo popular revolucionário, em todo Brasil, um governo do povo contra o imperialismo e o feudalismo e que demonstrará na prática, às grandes massas trabalhadoras do pais, o que é a democracia e a liberdade. O governo popular, executando o programa da Aliança unificará o Brasil e salvará a vida dos milhões de trabalhadores, ameaçado pela fome, perseguido pelas doenças e brutalmente explorado pelo imperialismo e pelos grandes proprietários. A distribuição das terras dos grandes latifúndios aumentará a atividade do comércio interno e abrirá o caminho a uma mais rápida industrialização do país, independentemente de qualquer controle imperialista. O governo popular vai abrir para a juventude brasileira as perspectivas de uma nova vida garantindo-lhe trabalho, saúde e instrução. A força das massas, em que se apoiará um tal governo, será a melhor garantia para a defesa do país contra o imperialismo e a contra-revolução. O exército do povo, o exército nacional revolucionário será capaz de defender a integridade nacional contra a invasão imperialista, liquidando, ao mesmo tempo, todas as forças da contra-revolução.

Como o Poder Chegará às Mãos do Povo

Mas o poder só chegará nas mãos do povo através dos mais duros combates. O principal adversário da Aliança não é somente o governo podre deVargas, são, fundamentalmente, os imperialistas aos quais ele serve e que tratarão de impedir por todos os meios, a implantação de um governo popular revolucionário no Brasil. Os mais evidentes sinais da resistência que se prepara no campo da reação já nos são dados pelos latidos da imprensa venal vendida ao imperialismo. A situação é de guerra e cada um precisa ocupar o seu posto. Cabe à iniciativa das próprias massas organizar a defesa de suas reuniões, garantir a vida de seus chefes e preparar-se, ativamente, para o assalto.

"A idéia do assalto amadurece na consciência das grandes massas." Cabe aos seus chefes organizá-las e dirigi-las.

Um Apelo

População trabalhadora de todo o país! Em guarda, na defesa de seus interesses! Venha ocupar o seu posto com os libertadores do Brasil!

Soldado do Brasil! Atenção! Os tiranos querem jogar-te contra os teus irmãos. Em luta pela liberdade do Brasil!

Soldado do Rio Grande do Sul, heróico herdeiro das melhores tradições revolucionárias da terra gaúcha! Prepara-te! Organiza-te! Porque só assim poderás voltar contra os tiranos que te oprimem às armas com que eles querem eternizar a vergonha dos dias de hoje!

Democratas honestos de todo o Brasil! Heróico povo de Minas Gerais, terra tradicional das grandes lutas pela democracia! Só com a Aliança Nacional Libertadora poderás continuar as lutas iniciadas pelos seus antepassados! Nortistas e nordestinos! Reserva formidável das grandes energias nacionais! Organiza-te para a defesa de um Brasil que te pertence!

Camponês de todo o Brasil, lutador do sertão do Nordeste! O governo popular revolucionário te garantirá a posse das terras e dos açudes que tomares! Prepara-te para defendê-la!

Brasileiros! Todos vós que estais unidos pela idéia, pelo sofrimento e pela humilhação de todo Brasil! Organizai o vosso ódio contra os dominadores transformando-o na força irresistível e invencível da Revolução brasileira! Vós que nada tendes para perder, e a riqueza imensa de todo Brasil a ganhar! Arrancai o Brasil da guerra do imperialismo e dos seus lacaios! Todos à luta para a libertação nacional do Brasil! Abaixo o fascismo! Abaixo o governo odioso de Vargas! Por um governo popular nacional revolucionário.

Todo o poder à Aliança Nacional Libertadora.

Luiz Carlos Prestes.



Wednesday, July 4, 2012

O DISCURSO DE EVO MORALES NA RIO+20

 

 

traduzido por Vinicius C. para o Batalha de Ideias.

 

Obrigado, membros da presidência da conferência de desenvolvimento sustentável. Cumprimento os irmãos presidentes, representantes do mundo inteiro, e cumprimento também a esta grande organização a cargo do governo do Brasil e do povo brasileiro.

Aproveito esta oportunidade para lembrar que os povos do sul hoje festejamos nosso ano novo andino amazônico, festejamos o Inti Raymi, “festa do sol” em quéchua, e Willka Kuti, em aymara, a volta do pai sol, são os relógios cósmicos que nos ensinam, assinalam os ciclos da mãe terra.

Hoje é feriado na Bolívia, festejamos o ano novo andino amazônico, felicidades a todos os povos do sul especialmente aos movimentos indígenas originários.

20 anos, a cúpula pela terra realizada aqui no Brasil foi tão importante para a reflexão profunda sobre a vida, sobre a humanidade, tomando em conta nosso planeta Terra.

Eu me lembro como dirigente sindical a grande mensagem de um grande sábio, Fidel Castro, presidente e comandante de Cuba revolucionária, em que nos dizia “acabem com a fome não com o homem, paguem a dívida ecológica não a dívida externa”.

Passaram-se 20 anos. Agora há que se perdoar a dívida do sistema capitalista e esse homem tinha muita razão ao nos afirmar que paguemos a dívida ecológica e não a dívida externa.

A esta altura, sentimos que a dívida dos países do sistema capitalista é impagável, enquanto nos países chamados pobres ou em via de desenvolvimento a situação está melhor que antes.

Por isso nesta conferência, sinto que é importante fazer profundas reflexões tomando em conta as gerações futuras.

Está em debate. Ontem escutamos sobre a economia verde. De acordo com o sentimento dos movimentos sociais do mundo, especialmente do movimento indígena, o que estamos entendendo por economia verde, o ambientalismo da economia verde é o novo colonialismo de submissão dos nossos povos e dos governos anticapitalistas. (APLAUSOS)

O ambientalismo do capitalismo é um novo colonialismo de dupla face, é um colonialismo da natureza ao mercantilizar as fontes naturais da vida e é um colonialismo dos países do sul que carregam em suas costas a responsabilidade de proteger o meio ambiente que é destruído pela economia capitalista industrial do norte.

O ambientalismo mercantiliza a natureza, converte cada árvore, cada planta, cada gota de água e cada ser da natureza numa mercadoria submetida à ditadura do mercado.

A ditadura do mercado privatiza a riqueza e socializa a pobreza, o ambientalismo usurpa a criatividade da natureza e aquilo que é um patrimônio comum de todos os seres vivos existentes é expropriado para o lucro privado.

Em nome de cuidado da natureza, o ambientalismo é uma estratégia imperial que qualifica ou quantifica cada rio, cada lago, cada planta, cada produto natural, o traduz em dinheiro, em ganho empresarial e o resguarda temporariamente para esperar o melhor momento em que sua apropriação privada lhe possa dar mais créditos econômicos.

O ambientalismo, ao medir a utilidade da natureza em dinheiro, coloniza a mesma natureza da vida, converte a fonte de vida de todas as gerações num bem privado para benefício de umas quantas pessoas.

Por isso, o ambientalismo é só um modo de realização do capitalismo destruidor, um mundo gradual e escalonado de destruição mercantil da natureza.

Mas, além disso, o ambientalismo do capitalismo é também um colonialismo depredador porque permite que as obrigações que têm os países desenvolvidos em preservar a natureza para as futuras gerações sejam impostas por eles aos chamados países em desenvolvimento.

Enquanto os primeiros dedicam-se de maneira implacável a destruir mercantilmente o meio ambiente, os países do norte enriquecem-se no meio de uma orgia depredadora das fontes naturais de vida, obrigam os países do sul a serem seus guardas florestais pobres, pretendem eliminar nossa soberania sobre os recursos naturais limitando e controlando nosso uso e aproveitamento.

Querem criar para nós um mecanismo de intromissão para elevar, monitorar e julgar e controlar nossas políticas nacionais, pretendem julgar e castigar o uso de nossos recursos naturais com argumentos ambientalistas, querem um Estado débil com instituições débeis, submissas sem regulação, para que lhes presenteemos nossos recursos naturais como sempre se passou na história.

Por isso, é tão importante a profunda reflexão nesta conferência internacional, na qual há representantes do mundo inteiro, de como o capitalismo promove a privatização e a mercantilização da biodiversidade e o negócio dos recursos genéticos. A biodiversidade para a economia verde não é vida, é negócio.

Chego à seguinte conclusão, a vida não é um direito, mas só um negócio para o capitalismo e para o colonialismo que usa do meio ambiente nesta conferência.

Senhores presidentes, não é possível que a chamada civilização de 200 ou 300 anos possa destruir a vida harmônica vivida pelos próprios indígenas por mais de cinco mil anos, essa é nossa profunda diferença entre o ocidente e os países do sul e especialmente os movimentos sociais que vivem em harmonia com a mãe terra.

Uma pequena contribuição da Bolívia: no senado, há dois dias, aprovaram a lei de madre y tierra (mãe e terra) e de salud integral para vivir bien (saúde integral para viver bem). O objetivo é viver bem através do desenvolvimento integral em harmonia e equilíbrio com a mãe terra para construir uma sociedade justa, equitativa, solidária e sem pobreza.

Para conseguir o desenvolvimento integral precisamos realizar de maneira complementar, compatível e interdependente os seguintes direitos: os direitos da mãe terra, os direitos dos povos indígenas, os direitos dos pobres a superar a pobreza e do povo boliviano a viver bem, direito e a obrigação do estado ao desenvolvimento sustentável. Não podemos nos desenvolver sem tocar a natureza nem nos desenvolver destruindo a natureza, por isso nossa lei propõe a complementaridade dos direitos.

Além disso, nossa lei cria também a entidade plurinacional de justiça climática para gerenciar a adaptação, a mitigação climática e criar um fundo nacional de justiça climática.

Uma pequena experiência vivida até agora: recuperando nossos recursos naturais na Bolívia, melhoramos bastante nossa economia nacional.

Três exemplos: a maior empresa dos bolivianos, a YPFB, em 2005, mal rendia 300 milhões de dólares. Depois de nacionalizar o gás natural neste ano e em muito curto tempo melhoramos nossa economia e neste ano nossa YPFB vai render 3,5 bilhões de dólares e devido à luta do povo boliviano e graças também por cumprir um mandato, um mandato que é nacionalizar nossos recursos naturais.

Sabemos que somos um país pequeno, considerado um país pobre, em desenvolvimento, que nossas reservas internacionais no ano de 2005 eram de 1,7 bilhão de dólares, neste ano estamos chegando a 13 bilhões de dólares em reservas internacionais.

O investimento público na Bolívia, em 2005, antes de eu chegar à Presidência eram 600 milhões de dólares. E 70 por cento destes 600 milhões de dólares eram de créditos ou de doações.

Neste ano, o investimento público está programado para mais de 5 bilhões de dólares. Vocês devem imaginar como mudou a economia depois de termos recuperado ou nacionalizado o gás natural, de 600 milhões a mais de 5 bilhões de dólares.

É uma experiência que expõe a importância de recuperar nossos recursos naturais. Com muito respeito aos países e a todo mundo, recuperem, nacionalizem seus recursos naturais! Os recursos naturais são dos povos e sob a égide do Estado. Não pode ser negócio das multinacionais.

Mas, além disso, outra experiência vivida, que os serviços básicos jamais podem ser de negócio privado, na Bolívia estava privatizada a telecomunicação e a água. Depois de chegar à presidência, começamos a recuperar e essa forma de recuperar os serviços básicos como uma obrigação do estado, e não uma privatização, não um negócio das multinacionais, nos ajuda a resolver problemas sociais tão importantes na Bolívia.

Queridos companheiros e companheiras aqui presentes, seria importante pensar para valer nas futuras gerações, isso eu só vejo acabando com modelos de saque, com modelos que depredam, isso é, acabando com o sistema capitalista.

O capitalismo não é nenhuma solução, e agora lamento muito dizer que tenho analisado seriamente, tenho feito um rastreamento sério sobre a chamada economia verde. A economia verde, reitero uma vez mais, é o novo colonialismo para submeter os povos e para submeter governos antiimperialistas e anticapitalistas.

Por isso, muita reflexão, muita reflexão para o bem das futuras gerações, temos a obrigação se queremos passar à história, se queremos que este evento seja histórico e inédito não temos outra alternativa senão aprovar aqui documentos que permitam aprovar políticas, sejam econômicas, ecológicas, sejam sociais, que estejam orientadas a salvar à vida e à humanidade, acabando com o humanicídio, para nos relançar ao humanismo, seria importantíssimo para todos os povos do mundo.

Presidente, muito obrigado por sua atenção e esperamos seguir trabalhando juntos para todo o povo do mundo para o bem das futuras gerações.

 21 de junho de 2012

 

o original em espanhol pode ser lido em:http://www.la-razon.com/sociedad/Evo-Rio20-ambientalismo-capitalismo-colonialismo_0_1636636380.html

Friday, June 29, 2012

Os Estados Unidos e a Síria: Fatos que você deveria conhecer


por Joyce Chediac para o GlobalReasearch. Traduzido por Vinícius C. para O Batalha de Ideias.

O cronograma a seguir analisa a progressão da intervenção dos EEUU-OTAN na Síria e neutraliza a Grande Mentira na mídia corporativa que visa preparar a agressão militar imperialista aberta contra o povo sírio.

● Washington tem canalizado dinheiro para um grupo de oposição de direita da Síria, pelo menos desde 2005. (Washington Post, 16 de abril de 2011)

● Os EEUU reabriram sua embaixada em Damasco em janeiro de 2011 depois de seis anos. Isso não era degelo nas relações. O novo embaixador, Robert S. Ford, que trabalhou até outubro de 2011, é um protegido de John Negroponte, que organizou os esquadrões da morte em El Salvador na década de 1970 e no Iraque, enquanto embaixador lá em 2004-05. Aqueles esquadrões da morte mataram dezenas de milhares. Ford serviu diretamente abaixo de Negroponte na Embaixada dos EEUU em Bagdá.

● Ford "desempenhou um papel central na definição das bases na Síria, bem como estabeleceu contatos com grupos da oposição". Dois meses depois de chegar a Damasco, a insurgência armada começou. (Global Research, 28 de maio)

● A oposição armada a Bashar al-Assad começou em março de 2011, em Daraa, uma pequena cidade na fronteira com a Jordânia. Movimentos de protesto em massa começam geralmente em grandes centros populacionais. Mais tarde, a Arábia Saudita admitiu o envio de armas para a oposição através da Jordânia. (RT, 13 de março)

● Os EEUU e seus aliados da OTAN usaram os protestos populares no Egito, Síria e em outros lugares como uma cobertura para construir o apoio para insurgências de direita cujo objetivo não era ajudar o povo sírio, mas trazer a Síria para o campo pró-imperialista. Quaisquer excessos ou erros por parte do governo Assad não eram o problema real.

● A Liga Árabe, União Europeia e os EEUU começam a imposição de sanções econômicas, uma forma de guerra, contra a Síria em novembro de 2011, sob o pretexto de parar a violência sancionada pelo Estado contra os manifestantes. A intensificação das sanções e o congelamento de ativos sírios fez com que o valor da libra síria caísse em 50 por cento contra o dólar, com o custo dos artigos de primeira necessidade muitas vezes triplicando.

● Os exilados que receberam financiamento dos EEUU tornaram-se parte do Conselho Nacional da Síria. Burhan Ghalioun do Conselho Nacional Sírio disse que iria abrir a Síria para o Ocidente, terminar o relacionamento estratégico do país com o Irã (e com a resistência libanesa e palestina), e realinhar a Síria com os regimes árabes reacionários do Golfo. (Wall Street Journal, 2 de dezembro de 2011)

EEUU e OTAN escalam seu envolvimento

● O ex-agente da CIA Philip Giraldi admitiu que os EEUU estavam envolvidos na Síria e expôs o plano dos EEUU: "A OTAN já está clandestinamente envolvida no conflito da Síria, com a Turquia à frente como ‘procuradora’ dos EEUU. O ministro das Relações Exteriores de Ancara, Ahmet Davitoglu, admitiu abertamente que seu país está preparado para invadir logo que haja um acordo entre os aliados ocidentais a fazê-lo. A intervenção seria baseada em princípios humanitários, para defender a população civil com base na "responsabilidade de proteger", doutrina que foi invocada para justificar a invasão à Líbia. "(Theamericanconservative.com, 19 de dezembro de 2011)

● Giraldi continuou: "Aviões de guerra sem identificação da OTAN estão chegando às bases militares turcas próximas ... à fronteira com a Síria, entregando as armas dos arsenais do falecido Muammar Gaddafi, bem como voluntários do Conselho Nacional de Transição da Líbia que tenham experiência em atiçar voluntários locais contra soldados treinados. ... Franceses e britânicos formadores das forças especiais estão no terreno, ajudando os rebeldes sírios enquanto os responsáveis por operações especiais da CIA e dos EEUU estão fornecendo equipamentos de comunicação e inteligência. ...

● "O frequentemente citado relatório das Nações Unidas que atesta que mais de 3.500 civis foram mortos por soldados de Assad é baseado principalmente em fontes rebeldes e não é confirmado. Da mesma forma, as contas das deserções em massa do Exército sírio e batalhas campais entre desertores e soldados leais parecem ser uma invenção, com poucas deserções confirmadas de forma independente. As alegações do governo sírio de que está sendo atacado por rebeldes armados, treinados e financiados por governos estrangeiros são mais verdadeiras do que falsas. "

● O "Exército Sírio Livre" tem bases de retaguarda na Turquia, é financiado pela Arábia Saudita e pelo Qatar, e é composto de soldados sírios desertores. Spiegel Online menciona uma fonte em Beirute que alega ter visto "'centenas de combatentes estrangeiros que se uniram para o ESL." (15 fev)

● A comissão de inquérito estabelecida pelas Nações Unidas, no seu relatório de fevereiro de 2012 documentou tortura, captura de reféns e execuções de membros armados da oposição.

● O primeiro combate pesado na capital da Síria, Damasco, iniciou em março. Dutos foram explodidos e grandes explosões destruíram edifícios de inteligência e de segurança em áreas cristãs a 16 de março, matando pelo menos 27 pessoas. O governo sírio expôs depois que as investidas terroristas apoiadas do exterior foram responsáveis ​​por oito ataques com carros-bomba desde dezembro, matando 328 e ferindo 657. Isso recebeu pouca atenção da mídia ocidental.

● A Human Rights Watch em 20 de março acusou opositores sírios armados de "seqüestros, uso de tortura e execuções ... de membros das forças de segurança, indivíduos identificados como membros de milícias apoiadas pelo governo e indivíduos identificados como aliados do governo e apoiadores."

● No bairro Amr Baba de Homs, a oposição armada formou suas próprias leis, tribunais e esquadrões da morte, segundo a Spiegel Online. Abu Rami, um comandante da oposição em Baba Amr, entrevistado pelo Spiegel, disseque na cidade de Homs seu grupo executou entre 200 e 250 pessoas. (29 de março)

Entra a ONU

● O ex-Secretário Geral da ONU Kofi Annan foi para a Síria em março a pedido da Liga Árabe e das Nações Unidas para montar uma proposta de paz. Mas Annan e a ONU não são imparciais. Annan é um dos arquitetos da doutrina "responsabilidade de proteger", citada pelo ex-agente da CIA Giraldi como pretexto para a intervenção planejada na Síria. A ONU aprovou esta doutrina no mandato de Annan.

● Em 2004, Annan deu a aprovação da ONU para a intervenção dos EEUU, França e Canadá que depôs o presidente do Haiti Jean-Bertrand Aristide. As razões expostas por Annan foram as mesmas então das colocadas agora na Síria: impedir uma suposta "catástrofe humanitária". Annan proporcionou uma cobertura da ONU similar para a França reforçar a sua presença colonial na Costa do Marfim em 2006. Na Síria, as solicitações de Annan para um cessar-fogo do governo sírio e para uma ajuda "humanitária" externa são realmente justificavas para uma intervenção estrangeira.

● A Síria concordou com o cessar-fogo mediado por Annan a 27 de março. A oposição recusou. Enquanto os chefes de Estado ocidentais e os meios de comunicação corporativos amontoados culpam Assad de "não honrar" o cessar-fogo, o Ocidente continuou armando a oposição.

● O que o governo dos EEUU realmente pensava do cessar-fogo foi revelado por Robert Grenier, ex-diretor de contra-terrorismo do CIA Center, que convidou aqueles que querem "ajudar" a Síria "para subirem metaforicamente no ringue e sujarem-se", acrescentando: "o que tal situação não precisa é de sentimentos nobres, mas ajuda eficaz e letal." (Al Jazeera, 29 de março)

● No momento em que os imperialistas "subiram no ringue", eles continuaram a culpar Assad. Falando numa reunião do grupo anti-Assad "Amigos da Síria" em Istambul, a 01 de abril, a secretária de Estado dos EEUU, Hillary Rodham Clinton, disse que Assad tinha "manchado" o cessar-fogo. Ela disse para Damasco, unilateralmente, parar de lutar e retirar-se das áreas de pesada infiltração direitista. Ela disse que os EEUU prometeram pelo menos US $ 25 milhões em ajuda "não letal" para a oposição síria, que inclui equipamentos de comunicação por satélite.

● Em maio, os reacionários "começaram a receber significativamente mais e melhores armas... pagas pelos países do Golfo Pérsico e coordenadas ... pelos EEUU" (Washington Post, 15 de maio) "Os rebeldes sírios receberam suas primeiras armas anti-tanques de "terceira geração". Elas foram fornecidas por agências de inteligência sauditas e catarianas depois de uma mensagem secreta do presidente Barack Obama. " (Debkafile.com, 22 de maio)

O massacre de Houla

● Logo antes de uma visita agendada para a Síria por Annan, surgiram notícias de um horrível massacre de 108 pessoas em Houla a 25 de maio, que incluía famílias inteiras e até 48 crianças. Manchetes em todo o mundo culparam o governo sírio e todas as capitais ocidentais reivindicaram a intensificação das sanções e mais pressão internacional sobre Assad.

● No dia 27 de maio, os imperialistas haviam coordenado a sua "indignação internacional" e expulsaram os diplomatas sírios dos EEUU, Holanda, Austrália, Grã-Bretanha, França, Alemanha, Itália, Espanha, Bulgária e Canadá.

● O Conselho de Segurança da ONU reagiu ao massacre por unanimidade - sem qualquer investigação a respeito de quem foi o responsável - condenando a Síria por supostamente usar tanques e artilharia depois de acordar um cessar-fogo. As declarações de que o governo Assad não era responsável foram ignoradas. Um olhar mais atento mostrou que era este o caso.

● Marat Musin, correspondente da ANNA News russa, estava em Houla e entrevistou testemunhas logo depois do massacre. Musin determinou que o massacre foi cometido pelo chamado Exército sírio livre e não pelas forças de Assad. O seu levantamento concluiu: "O ataque foi realizado por uma unidade de combatentes armados de Rastan, no qual mais de 700 homens armados estavam envolvidos. Eles mantiveram a cidade sob seu controle e começaram uma ação de limpeza contra famílias legalistas [pró-Assad], incluindo idosos, mulheres e crianças. Os mortos foram apresentados ... à ONU e à "comunidade internacional" como vítimas do exército sírio. "(31 de maio) O jornal conservador alemão, o Frankfurter Allgemeine Zeitung, corroborou o relato da ANNA no dia 7 de junho.

 ● Os moradores conheciam muitos dos assassinos pelo nome e identificaram-nos como elementos criminosos locais que trabalham agora para o ESL. (Síria News, 31 de maio) As forças anti-Assad então posaram como moradores e convidaram os observadores da ONU. Alguns puseram uniformes dos soldados sírios que haviam sido mortos e se apresentaram como desertores.

● Uma foto amplamente divulgada de dezenas de corpos envoltos, que a BBC apresentou primeiramente como um rescaldo de Houla, foi realmente tirada pelo fotógrafo Marco di Lauro no Iraque em março de 2003.

● O editor da BBC World News Jon Williams admitiu em seu blog a 07 de junho que não havia qualquer evidência que identificasse tanto o Exército sírio quanto as milícias alauitas como os autores do massacre de 25 de maio. O repórter sênior Alex Thomson do Canal 4 britânico disse a 7 de junho que a oposição o levou a uma linha de fogo e tentou tirá-lo de lá morto pelas forças militares sírias de modo a "ficar mal" para Assad.

● Não houve investigação independente sobre Houla até a data, ainda que numa reunião a 7 de junho, Annan e o atual secretário-geral da ONU Ban Ki-moon, voltou a fazer declarações colocando a responsabilidade em Assad pelo massacre de Houla.

● O Major Geral Robert Mood, chefe da Missão de Supervisão da ONU na Síria, suspendeu patrulhas da equipe de 300 membros a 16 de junho, alegando uma "espiral de violência em áreas rebeldes." A suspensão ocorreu logo antes da Cúpula do G-20 no México, fornecendo outra oportunidade para o imperialismo criticar Assad.

● Em declarações iniciais, Annan chamou o massacre de Houla de "ponto de inflexão". As mortes em Houla têm sido utilizadas pelos EEUU e pela OTAN para a organização de uma derrubada de Assad mais agressiva e aberta. Autoridades norte-americanas e oficiais de inteligência árabes admitiram que a CIA está no sul da Turquia canalizando armas para o ESL. Ele também está lá para "fazer novas pesquisas e recrutar pessoas." (New York Times, 21 de junho)

● Como resultado, "as milícias outrora heterogêneas da oposição síria estão se transformando numa força de combate mais eficaz com a ajuda de uma rede cada vez mais sofisticada de ativistas aqui no sul da Turquia, que tem contrabandeado recursos cruciais pela fronteira, incluindo armas, equipamentos de comunicação, hospitais de campanha e até mesmo os salários dos soldados que desertaram. A rede reflete um esforço para forjar um movimento de oposição ... que pode não somente derrotar ... Assad, mas também substituir o seu governo. "(New York Times, 26 de junho)

Wednesday, June 27, 2012

ATO EM REPÚDIO AO GOLPE DE ESTADO NO PARAGUAI

 

Organizações partidárias, sindicais, estudantis e sociais e membros da comunidade paraguaia residente no Brasil se reuniram em 25 de junho em frente ao Consulado do Paraguai em São Paulo para manifestar seu repúdio ao golpe de Estado realizado neste país, que depôs o Presidente Fernando Lugo através de um golpe “relâmpago” parlamentar.

 

O ato, embora pequeno, reuniu, numa segunda-feira à tarde uma grande representatividade de organizações, mostrando a unidade de movimentos sociais e organizações sindicais históricamente diferentes, frente à ameaça externa de uma intervenção estrangeira na soberania continental.

 

Nas falas dos manifestantes foi enfatizado que, apesar de suas limitações, o governo de Lugo quebrou com a hegemonia de seis décadas do Partido Colorado e representava um avanço no cenário geopolítico latinoamericano. Denunciou-se também os interesses imperialistas sobre a região, principalmente o aquífero guaraní, e o papel que o Brasil e os brasiguaios desempenham na consolidação dos mesmos e de seus próprios interesses.

 

Um grupo de representantes da comunidade paraguaia, empunhando bandeiras e com a cara pintada, falava em “luto pela democracia”.

 

Formou-se uma comissão de representantes das entidades organizadora do ato e um documento de desagravo ao golpe foi entregue ao representante consular em serviço. Este, apesar de ter aceitado o documento, não quis se pronunciar, dizendo que quem determinava a política do consulado em São Paulo era a embaixada em Brasília.

 

Toda nossa solidariedade ao povo paraguaio!

Não reconhecemos o governo de Federico Franco!

Exigimos a imediata restituição do presidente Lugo!

Abaixo o golpe de Estado no Paraguai!

 

Sucursal INVERTA - SP