Tuesday, March 13, 2012

[DesarticulandoIDEIAS] AFRICOM e os recursos naturais

 

Pere Ortega 
Centre d'Estudis per a Pau J.M.Delàs - Justícia i Pau 


Em fevereiro de 2007, o Departamento de Defesa dos Estados Unidos anunciou a criação da infra-estrutura de um novo comando militar para a África, denominado AFRICOM e destinado a coordenar todos os interesses militares e de segurança estadunidense no continente africano.
Um comando que se insere na arquitetura militar que os EEUU têm estabelecida por muitas outras regiões do planeta. Desde 1983, os EEUU já tinham organizado o comando CENTCOM no Oriente Médio e nos países do Golfo Pérsico, incluindo o Egito. Sua missão era velar por seus interesses e os de seus aliados na região. Ademais, desde 1947 existia o PACOM que abarcava toda a área do Pacífico e que incluía as ilhas africanas de Madagascar, Comoros e Mauricio.
Antes da criação do AFRICOM, e até dezembro de 2006, quando os EEUU começaram a ajudar a Etiópia em sua invasão à Somália, estes comandos já mantinham uma relativa presença na África, e com frequência utilizavam forças especiais para treinar, equipar e trabalhar conjuntamente com os exércitos nacionais de países africanos aliados.
Depois da criação do AFRICOM a 30 de setembro de 2008, com sede provisória em Stuttgart (Alemanha), enquanto não se encontrasse um lugar mais apropriado na África, começaram a se desenvolver diferentes atividades:

• Na Argélia, os norte-americanos constituíram um Centro de Estudos e de Investigação sobre Terrorismo, o que se completou com uma base de escuta eletrônica e de comunicações situada nas proximidades de Tamanrasset no sul argelino. Por sua situação geográfica, a zona meridional da Argélia encontra-se no epicentro de toda a região do Sahel e próxima aos poços de gás argelinos.

• No Marrocos, o Pentágono dispôs estabelecer um sistema de comunicações e de conexão entre o AFRICOM e o Comando de Forças estacionadas na Europa com sede em Stuttgart, e instalar uma base naval em Tan Tan, ao sul de Agadir. Ambos projetos continuam em estudo sem se terem materializado.

• No Níger, Chade e Mali, propôs-se instalar quartéis para a formação de Comandos e Unidades especiais antiterroristas, dirigidas por oficiais norte-americanos da escola de Fort Bragg.

• Também se cogitou a possibilidade de estabelecer o comando do AFRICOM na Libéria.

• Na ilha de São Tomé e Príncipe, por sua posição estratégica no Golfo da Guiné, onde se levam a cabo prospecções e se encontraram poços de petróleo, há especulações de que poderia se instalar uma base naval estadunidense.

• Uma coalizão internacional de 18 países liderada pela França, Reino Unido e EEUU, e coordenada pela OTAN, no amparo de duas resoluções das Nações Unidas (17/3/2011), iniciou os ataques à Líbia.

Esta nova guerra foi dirigida do posto de comando que os EEUU têm na base de Stuttgart na Alemanha, sede do AFRICOM. Deste modo, o AFRICOM recebia o reconhecimento como organismo que coordena e planeja as intervenções militares na África.
Por um lado, estas atividades militares dos EEUU estão destinadas a exercer o controle sobre os recursos naturais africanos, especialmente os combustíveis fósseis que fluem para a América do Norte, e, nesse sentido, contrabalançar cada vez mais a importante presença da China na África. Por outro, estas respondem também ao objetivo de continuar com o compromisso da luta antiterrorista iniciada depois dos atentados de 11-S em qualquer ponto do planeta.

Concorrência pelos recursos naturais

Este compromisso dos EEUU com a África, baseado num enfoque militar, reflete o interesse do governo durante a presidência de George W. Bush para controlar os considerados recursos estratégicos do continente africano, especialmente o petróleo, o gás e o urânio. Cabe recordar que a Nigéria é o quinto país exportador de petróleo aos EEUU e que junto com Guiné Equatorial e Angola abastece 20% de combustíveis fósseis a este país, com possibilidades de chegar a 25% em 2015. O nascimento do AFRICOM realça, pois, o interesse dos EEUU para o acesso e controle das indústrias extrativas e, muito particularmente, do petróleo.
Recordamos também que o Sudão e a Líbia de Gadafi, que estivam na lista do Departamento de Estado dos EEUU como países que promoviam o terrorismo, passaram a ser considerados sócios na luta contra o terror. Ambos países tinham desencadeado exitosas campanhas diplomáticas que lhes permitiram melhorar suas relações com Washington. Nesta dinâmica, as companhias estadunidenses beneficiaram-se das licenças de exploração de petróleo na Líbia e a sua vez de acesso aos recursos petroleiros do Sudão.
A aproximação da Casa Branca a São Tomé e Príncipe poderia ser explicada pela posição estratégica da ilha no Golfo da Guiné, onde se encontrou petróleo. E onde se especula que seria o lugar eleito para uma base naval estadunidense. São Tomé e Nigéria compartilham uma área com reservas de petróleo estimadas em 11 bilhões de barris.

A estratégia estadunidense na África corre casada à da França e do Reino Unido, pois opta pela presença militar, ainda que vá além como o aponta a criação de um comando especial. Em contraposição, difere da levada a cabo pela China. Na última década, a China optou por intensificar suas relações comerciais com os países africanos, com o interesse em conseguir recursos minerais e energéticos que ajudem à forte demanda que este país precisa para seu desenvolvimento. O interesse pelos recursos africanos por parte da China mostra-se no intercâmbio comercial. Em 2010, a China importou recursos da África pelo valor de cem bilhões de dólares (segundo o FMI). Ademais, 500.000 chineses emigraram para trabalhar na África nos diversos investimentos deste país. No Sudão, investiram 15 bilhões, país de onde a China importa petróleo e produtos agrícolas; na Etiópia, 15 bilhões, de onde importa minerais; na Nigéria 10,7 bilhões em infra-estrutura e extração de petróleo; na R.D. Congo, 8,86 bilhões em madeira e construção; em Angola 4,5 bilhões em infra-estrutura; na África do Sul, 3,6 bilhões na indústria; no Gabão 2,6 bilhões na extração de madeira e petróleo. E ainda, Pequim contribuiu com mais de 8 bilhões de dólares a Angola, Nigéria e Moçambique em 2006, o que supera com sobras os 2,3 bilhões de dólares que o Banco Mundial destinou a toda a África subsaariana nesse mesmo ano.

A guerra contra o terror
 

No marco da estratégia de luta contra o terrorismo, os EEUU reforçaram sua presença militar no Chifre da África por meio do estabelecimento de um quartel militar no Djibouti, onde 800 efetivos, incluídos 400 soldados de elite, estabeleceram uma base com o objetivo de manter vigiada essa zona diante das suspeitas da existência de grupos terroristas vinculados com a Al-Qaeda. A presença do grupo Al-Shaabab na Somália com acampamentos de adestramento de jihadistas provavelmente unidos com a Al-Qaeda, converteu a Somália em outro alvo militar dos EEUU, quem em setembro de 2009 mediante um comando militar assassinou o líder do grupo local filiado a Al-Qaeda. E enviou ainda navios de guerra para vigiar a costa somali, já que a frágil estrutura governamental, os escassos níveis de controle nas fronteiras e a instabilidade política, econômica e social do país são elementos que convertem a Somália em refúgio de grupos terroristas.

O porto de Mombassa (Quênia) alberga uma base para aviões militares dos EEUU encarregados de controlar qualquer sinal de atividade terrorista na costa leste da África. Por sua vez, o Quênia alberga a maior estação da CIA na região, a quem preocupa que o grupo somali Al-Shaabab possa se estabelecer neste país. 
No Sudão, grupos de oficiais norte-americanos estabelecidos vigiam para tratar de impedir que este país possa converter numa base de grupos armados salafistas. 
Ademais, os EEUU enviaram tropas à região do Sahel, onde equipes norte-americanas formam as forças antiterroristas locais do Marrocos e da Argélia, para sua atuação no Sahel da Mauritânia, passando por Argélia, Chade, Mali, Níger, Burkina Faso. O esforço faz parte de um programa denominado Iniciativa Pan-saheliana, desenhado para prover treinamento antiterrorista.

Nesse sentido, o alcance global que se pretende dar à luta antiterrorista se desvirtua na medida em que se foca naquelas regiões com recursos estratégicos como Oriente Médio, Ásia Central e África. A linguagem utilizada com o terrorismo converteu-se numa desculpa ao serviço de interesses específicos e serviu para justificar as ações que buscam proteger os ditos interesses ao redor de todo o mundo. Assim, em março de 2011, a administração Obama publicava a Resenha Quadrienal da Defesa 2010 (QDR, por suas siglas em inglês). Este documento define os planos militares dos EEUU para os próximos quatro anos. A QDR aprofunda as linhas desenhadas na Estratégia Nacional de Defesa de 2008 do final do mandato de George W. Bush e define as operações militares que se deveriam utilizar em guerras não convencionais. 
A QDR já está sendo levada a cabo e unidades militares dos EEUU estão trabalhando no Chifre da África e no Sahel, proporcionando capacitação, assessoramento e equipamento às forças armadas do país colaborador sobre como combater, expulsar ou desmantelar as redes terroristas e insurgentes. Concretamente, os EEUU desenvolveram forças especiais para combater em conflitos de pequena escala ou de baixa intensidade, para realizar operações secretas com assassinatos seletivos de supostos terroristas em diversas localizações, como as levadas a cabo no Iêmen, Somália ou Paquistão a supostos militantes da Al-Qaeda com mísseis teledirigidos e aviões não tripulados.

 
Oposição ao AFRICOM
 


A nova obsessão dos EEUU com o AFRICOM e seu enfoque militar tem diversas consequências:
 

• Aumenta a interferência dos EEUU nos assuntos internos dos países da África.

• Atrairá mais armamento militar ao continente, aumentando o risco de desestabilização interna dos países que já sofrem conflitos armados ou tensões internas.

• Ajudará a construir mecanismos de maior repressão dos Estados contra os dissidentes políticos, reforçando práticas antidemocráticas.

• Considerar a força militar uma prioridade mais importante que o desenvolvimento e a diplomacia cria um desequilíbrio que poderia animar regimes irresponsáveis a utilizarem a ajuda militar dos EEUU para oprimir à população.

• Estes tipos de políticas criam instabilidade, fomentam as tensões e fazem da África e do mundo um lugar menos seguro. 
A estratégia de contra-insurgência global da atual política exterior dos EEUU não dá margem para a esperança e para a paz. Não é uma política que busque encontrar soluções aos problemas que dão origem ao extremismo violento. Mas, em con
trapartida, podemos assegurar que a instalação de bases militares, a ostentação do poderio armado e a fragilização da legalidade internacional com uma política de assassinatos seletivos não farão mais que atiçar o ódio e a espiral da violência contra o primeiro mundo. A África não precisa uma maior militarização. O que a África precisa são mecanismos para responder a suas necessidades de desenvolvimento que serão os que realmente ajudarão à pacificação dos seus conflitos.

 

Monday, March 12, 2012

[VIDEO] ATRÁS DA PALAVRA: Eva Golinger (em espanhol)

 

"Detrás de la palavra" é um programa conduzido pela advogada e escritora norte-americana de esquerda Eva Golinger, onde analisa o outro lado das notítcias exploradas pela grande imprensa.

Neste programa:

 - RAFAEL CORREA COMBATE MEIOS DE COMUNICAÇÃO RESPONSÁVEIS PELA "DITADURA MIDIÁTICA" ATRAVÉS DE LEI EQUITATIVA SOBRE CONCESSÃO DE FREQUÊNCIAS.

 - GOVERNO DE PORFIRIO LOBO (HONDURAS) FAZ POLÍTICA DE PERSEGUIÇÃO E ASSASSINATO DE VOZES DISSIDENTES, COM RESPALDO DE WASHINGTON.

 - ESTADOS UNIDOS FINANCIAM CENTRAIS SINDICAIS AO REDOR DO MUNDO PARA QUE ESTES DEFENDAM "SUAS" REIVINDICAÇÕES.

fonte: RT.com

Friday, March 9, 2012

CHINA QUER EXPORTAR YUAN PARA BRICS


A China espera poder começar a fazer empréstimos em yuan para os BRICS em mais um passo para a internacionalização de sua moeda nacional e a diversificação do dólar estadunidense.


O Banco de Desenvolvimento Chinês quer assinar um memorando de acordo com os países parceiros do grupo BRICS, que prevê o aumento dos empréstimos feitos em yuan, enquanto os parceiros poderiam aumentar os empréstimos em suas moedas locais, reporta o Financial Times, citando as autoridades no assunto.


A movimentação tem como obejtivo trocar liquidez entre as cinco nações e diversificar a utilização do dólar estadunidense.

O Brasil e a África do Sul responderam rapidamente à proposta, dizendo que esperam que o acordo seja incluído no grande acordo a ser assinado em Nova Déli, no dia 29 de Março.

"Discutiremos a criação de estruturas e mecanismos para fazer empréstimos em moeda local para que possamos maximizar as transações econômicas e financeiras entre os países parte do acordo", disse o BNDES do Brasil.

A China, com 54 por cento de suas reservas extrangeiras em dólares, tem tentado diversificar a moeda por acreditar que logo enfraquecerá, e por um longo tempo.


A China já acordou em utilizar moeda nacional nas trocas com a Rússia, Belarus e o Japão para comércio bilateral. O país também diminiu recentemente suas reservas em dólar em favor das  moedas australiana e canadense.

fonte: RT.com
foto: (Reuters / Petar Kujundzic)

Thursday, March 8, 2012

[8 de MARÇO] A GUERRILHEIRA TÂNIA.

Torturada e morta pelo exército fascista  à 29 de novembro de 1941, Tânia é até hoje exemplo de resistência e militância para a juventude da classe trabalhadora ao redor do mundo.


  Em novembro do ano passado completaram-se 70 anos da morte de Zóia Kosmodemiánskaia. Os anos da contrarrevolução têm tentado apagar sistematicamente a figura deste verdadeiro exemplo de resistência para todas as gerações da juventude soviética. Impossível!

  Então os jornalistas burgueses, historiadores-mentirosos tentavam, como um grupo de macacos acéfalos, enlamear a figura imortal. Chegaram inclusive a dizer que Zóia não passava de "mito da propaganda stalinista", e que na verdade nem ela e nem seus feitos haviam sido reais. Claro, como é que é possível explicar para um pequeno-burguês "consumidor" por que é que uma menina de 18 anos parte voluntariamente para o front, para a guerrilha, e como é que é possível, acabando frente a frente com o inimigo, não quebrar, não negar suas convicções, mantendo até o último minuto de vida a fé inabalável de que "os nossos logo virão para derrotá-los", de que "logo chegará Stálin"? E claro, é impossível convencer os burgueses de como é que fascistas tão "altamente civilizados", maniera como estão arraigados em suas consciências, poderiam torturar uma menina até o ponto de dos próprios torturadores rebelar-se contra seus comparsar pela crueldade com que a maltratavam.

Zóia Anatólevna nasceu dia 13 de setembro de 1923 numa aldeia da Sibéria, e vivia em Moscou. Membro da Juventude Comunista dos tempestuosos tempos de Stálin, educada através dos livros de N. Ostróvski e E. Vôinich, nos exemplos dos combatentes da guerra civil. Uma das figuras mais admiradas por Zóia era a figura de Tânia , a professora bolchevique Tatiana Solomakhi, assasinada pelos cossacos brancos durante a guerra civil. Foi o nome dela que a própria Zóia adotou ao entrar para a guerrilha, apoiando-se na bravura com que esta respondera a seus carrascos :"Não tenho nada a lhes dizer".

29 de novembro. Faltava uma semana ainda para o começo da ofensiva contra os exércitos alemães acantonados nos arredores de Moscou, o exército vermelho já estava próximo... Zóia não apenas acreditava na rápida vitória dos exércitos soviéticos - como quase todos então - , mas estava convicta disso. Antes de ser enforcada e já com a corda no pescoço, Zóia gritava para que os habitantes da aldeia lutassem contra os fascistas, para que os eliminassem. Voltou-se então para os guardas fascistas que cumpriam a sentença e exigiu que se entregassem. "A enforcavam e ela discursava", contou depois um dos habitantes da aldeia de Petrishev.

fonte: vkpb.ru

[Desarticulando IDEIAS] POPULISMO X CHAVIZMO: DIFERENÇAS HISTÓRICAS

por Diego Grossi, J5J

Desde a ascenção de Chávez na Venezuela a mídia de todo o mundo tem feito uma campanha para desmoralizar o processo revolucionário e um dos meios utilizados é a ridícula comparação com o populismo. A mídia, como representante fiel da classe dominante, faz de tudo para descredibilizar qualquer processo revolucionário com medo de que estes sirvam de exemplo para os demais povos. A luta contra a "moderna Santa-Aliança" liderada pelo imperialismo ianque é um dever de todo indivíduo comprometido com o desenvolvimento harmônico, a solidariedade entre os povos e a verdade.

De fato a esquerda institucional radical latino-americana da virada desse século compartilha características em comum com o populismo do século passado, mas o centro de uma análise coerente não pode ser apenas a forma em detrimento do conteúdo e é nisso que pecam tanto os cães de guarda da grande mídia quanto os ortodoxos autodenominados de esquerda.

O conteúdo de classe do populismo era essencialmente burguês, surgiu para defender a industrialização nacional e lutar contra as elites agrárias e os setores burgueses ligados ao imperialismo. Estabeleceram uma aliança com a classe operária como forma de obter apoio para seu projeto anti-imperialista e ao mesmo tempo garantir a hegemonia burguesa, impedindo a revolução comunista. Era um período de ofensiva histórica das forças revolucionárias socialistas e de grande prestígio da Revolução Russa. O populismo era declaradamente anti-comunista, chegando em certos momentos a perseguir tanto os revolucionários quanto qualquer ditadura pró-imperialismo.

As esquerdas eleitorais surgidas na década de 90 e que estão ganhando força nesse início de século XXI já surgem em um momento histórico totalmente diferente. No mundo, o imperialismo avança com grande força e os revolucionários tradicionais encontram-se em defensiva estratégica, acuados principalmente por causa da queda da URSS (na qual foi muito comemorada por alguns pseudo-marxistas que hoje batem em Chávez) e da crise do marxismo. Em seus respectivos países (Venezuela, Bolívia, etc.) a ala nacionalista da burguesia encontra-se totalmente debilitada, foi derrotada através de golpes militares e mantida fora do poder durante as décadas de avanço neoliberal. Na Venezuela, Chávez é representante de amplos setores da sociedade, principalmente camponeses, trabalhadores urbanos e pequenos proprietários. Chávez é declaradamente socialista, possui um projeto claro de construção do poder popular e de socialização da propriedade privada, que ainda está em curso, podendo ou não se concretizar. A participação do Partido Comunista no governo de Chávez é outro fator que não pode ser esquecido.

O populismo serviu para impedir a revolução comunista num momento de ofensiva histórica do marxismo-leninismo. O chavizmo é o oposto, é uma resposta de amplos setores da sociedade às mazelas do capitalismo num momento onde as forças marxistas-leninistas encontram-se em defensiva estratégica. O conteúdo de classe e o momento histórico dos movimentos são totalmente distintos e até opostos. Querer dizer que vinho é igual água por que os dois são liquidos chega a ser infantil e chamar Chávez de populista, neopopulista ou sei lá qual termo inventem, não passa de aplicação mecânica do passado, quase sempre mal intencionada.

A pouca compreensão da importância do socialismo científico como guia para a ação revolucionária e a não condução direta do processo por uma vanguarda leninista pode gerar uma série de contradições no processo revolucionário venezuelano, mas nada melhor do que a prática revolucionária para aperfeiçoar dia após dia a luta do povo latino-americano pela "Pátria Grande" e socialista.

Pátria, socialismo ou morte!

Juramos vencer e venceremos!

fonte: Blog Socialismo Científico Hoje

Wednesday, March 7, 2012

Convidada ou não à Cúpula das Américas, Cuba já venceu (+VIDEO)



Moscou A secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, reiterou a intenção do Governo dos Estados Unidos de impedir a participação de Cuba na Cúpula das Américas que se celebrará em abril em Cartagena (Colômbia).

Durante sua audiência na Câmara Baixa do Congresso, a chefa da diplomacia estadunidense mostrou-se contrária à participação de Cuba (excluída da organização desde 1962) porque esta -disse- "não se encaixa na definição dos países democráticos".

No entanto, os líderes das oito nações da Alternativa Bolivariana para os Povos da América (ALBA) fazem questão de que a Colômbia, anfitriã do encontro regional, envie um convite a Cuba. Caso contrário, a ALBA poderia boicotar o evento, advertem.

A ALBA foi fundada em 2004 e está composta, além de Cuba, pela Venezuela, Equador, Bolívia, San Vicente e as Granadinas, Antigua e Barbuda, Dominica e pela Nicarágua.

A ideia de boicotar a cúpula no caso da não-participação cubana surgiu em inícios de fevereiro, quando o mandatário equatoriano, Rafael Correa, propôs aos países da ALBA que não comparecessem à reunião se Havana não participasse.

Efetivamente, a Organização dos Estados Americanos (OEA) já não goza de tanta importância para os estados da ALBA e para os outros países latinoamericanos, porque América Latina e o Caribe já dispõe de outros mecanismos de integração, como por exemplo, a CELAC, que exclui a América do Norte.

A Cúpula das Américas nasceu em 1994 e tradicionalmente nela participam os estados membros da OEA, organismo de que Cuba foi excluída em 1962 sob pressão dos EUA, movidos pela estranha lógica de descatalogar à ilha como estado democrático (o ditador cubano Batista sim, bem como outros ditadores latinoamericanos, deviam parecer 'democratas' obedientes aos olhos de Washington).

“São realmente os Estados Unidos que estão sentindo a pressão dos países latinoamericanos, e não só da ALBA, senão também de outros países que protagonizam uma contínua aproximação com Cuba em anos recentes”, comentou a diretora do Comitê Nacional para a Libertação dos 5, Glória La Riva, entrevistada pela RT sobre as possibilidades de Cuba de assistir à Cúpula das Américas.

Avaliando as possíveis conseqüências da não participação cubana na cúpula, a analista destacou que de qualquer maneira Cuba não perde nada. “Seria um passo muito importante, um progresso para Cuba ser convidada, mas acho que mesmo que não participemos, por não termos sido convidados, quem venceu foi Cuba, com o que representa a ALBA e as relações de independência e soberania que estão praticando a cada vez mais os países da América Latina”, assinalou.

fonte: RT.com

[ANÁLISE] Nova fase das relações Estados Unidos-Rússia

No começo de julho, a secretária-geral estadunidense Hillary Clinton disse em Tbilisi, capital da Geórgia, que os Estados Unidos “podiam andar e mascar chiclete ao mesmo tempo”.

No começo de julho, a secretária-geral estadunidense Hillary Clinton disse em Tbilisi, capital da Geórgia, que os Estados Unidos “podiam andar e mascar chiclete ao mesmo tempo”. Tal colocação foi feita num momento em que Clinton realizava uma viagem de cinco dias para cinco países do Leste Europeu e o Sul do Cáucaso: Polônia, Ucrânia, Azerbaijão, Geórgia e Armênia (em sua maioria, mais próximos aos Estados Unidos do que à Rússia). Os Estados Unidos sinalizaram, com isso, que podem manter um diálogo com a Rússia e conservar suas parcerias estratégicas ao mesmo tempo.

Em campanha eleitoral e no primeiro ano de mandato (2008-09), o presidente Barack Obama adotou um discurso de “reaproximação” e “pacificação” com diversos países, entre eles a própria Rússia. Deve-se recordar que, no governo Bush, os dois países tiveram alguns desentendimentos, principalmente em âmbito militar, devido à recusa russa de aceitar a fascista doutrina de guerra preventiva. Em resposta, o governo dos Estados Unidos estimularia as chamadas “revoluções das cores” em diversos países da região e defenderia a construção de um escudo antimíssil na Polônia e na República Tcheca.

Houve três temas recorrentes neste tour de Clinton: primeiramente, como já mencionado, os Estados Unidos indicam que não sacrificarão seu jogo de interesses entre os países do antigo campo socialista em função de suas relações com a Rússia; segundo, Clinton fez um discurso hipócrita de que o país rejeita as pretensões russas de concertar “esferas de influência”; e, por fim, os Estados Unidos continuarão a afirmar seus laços com a região, especialmente Polônia, Ucrânia e Azerbaijão que vivem uma atípica aproximação com a Rússia. Em seu discurso na Geórgia, Clinton asseverou que os Estados Unidos continuarão financiando organizações não-governamentais que apóiem a “democratização no espaço pós-soviético”, o que irrita profundamente Moscou. O ministério das relações exteriores do país denunciou, dois dias depois, as intenções intervencionistas escondidas nestas políticas de “promoção da democracia” e lembrou que os Estados Unidos deveriam resolver os abusos contra os direitos humanos que eles próprios cometem.

Para entender os interesses em jogo, não se pode desconsiderar toda a geopolítica energética da região. Segundo Gregory White em “15 oleodutos e gasodutos que estão mudando o mapa estratégico mundial”, há alguns projetos em disputa. Por um lado, os russos desejam construir o gasoduto Mozdok, do Azerbaijão à Ossétia do Norte, região em disputa desde 2008 entre a potência e a Geórgia; e há também um projeto de gasoduto para 2015, entre Rússia e Áustria, que pularia a Ucrânia e passaria por todo sudeste europeu. Por outro, os Estados Unidos desejam a construção do gasoduto Nabucco para 2015, entre Turquia e Áustria, de modo a reduzir a influência russa nos mercados europeus e oferecer uma alternativa às reservas iranianas; além desse, existe o projeto do gasoduto da Linha Branca para 2016, que liga a Geórgia à Romênia e, conseqüentemente, a toda União Européia; e o gasoduto transcaspiano, entre Turcomenistão e Azerbaijão, rota alternativa para que os países centro-asiáticos abasteçam o mercado europeu sem passarem pela Rússia.

Deste modo, é compreensível que todo o bonito discurso estadunidense dos últimos anos tenha sido substituído pela política de interesses de um império em crise. Como escreveu Lenin em Imperialismo, fase superior do capitalismo: “quanto mais o capitalismo se desenvolve, mais se faz sentir a falta de matérias-primas, mais dura se torna a concorrência e a procura de fontes de matérias-primas no mundo inteiro e mais brutal é a luta pela posse das colônias”. Karl Marx, por sua vez, pontuou, no Prefácio à crítica da economia política, que “como não se julga um indivíduo pelo que ele pensa de si próprio, também não se pode julgar uma tal época de revolução pela consciência que ela tem de si própria, é preciso, pelo contrário, explicar esta consciência pelas contradições da vida material, pelo conflito entre as forças produtivas sociais e as relações de produção”.Em outras palavras, é um equívoco considerar que uma grande potência imperialista abdicará de seus interesses, no caso, energéticos em nome da paz ou qualquer que seja seu discurso no momento.

Na viagem diplomática, Hillary Clinton qualificou, em Tbilisi, a presença militar russa nas regiões da Ossétia do Sul e da Abkhazia como “invasão e ocupação”, primeira vez, desde agosto de 2008, que a administração estadunidense utiliza-se de uma expressão condenatória para o conflito no Cáucaso. Apesar de haver rechaçado as declarações da secretária-geral, para a diplomacia russa o importante é que os Estados Unidos ainda não cederam à solicitação georgiana de venda de armas antiaéreas e anti-tanques.

O Azerbaijão, além da importância energética (gasoduto Nabucco), desfruta de uma localização estratégica no Cáucaso. Diante da indefinição política no Quirguistão, onde está situada a base aérea de Manas, Baku poderia ser a rota de trânsito de tropas e recursos para a guerra no Afeganistão.

No que diz respeito à Ucrânia (e também à Geórgia), Hillary tratou sobre a expansão da OTAN, alegando que via positivamente uma aproximação destes países à organização militar. Declarou, na presença do presidente pró-russo Viktor Yanukovich, que “há muitas oportunidades para a Ucrânia assumir uma posição de proeminência e influência na região, na Europa e até além”, remarcando possibilidades de cooperação em segurança e defesa entre os dois países. Disse ainda que o equilíbrio que o país europeu estava almejando em suas relações com os Estados Unidos, Rússia e União Européia fazia muito sentido para a promoção de seus interesses em longo prazo e para a conservação de sua integridade territorial, soberania e independência. Hillary disse também que a potência ajudaria com a modernização do setor energético ucraniano para tornar o país independente na área. Os Estados Unidos demonstram claramente que pretendem neutralizar quaisquer esforços russos de recuperação dos laços com a Ucrânia, abalados pela revolução laranja da pró-ianque Julia Timoshenko. É simbólico também que o FMI tenha aprovado um empréstimo de US$14,9 bilhões à Ucrânia no mesmo dia em que Clinton aterrissou em Kiev.

Apesar de Obama ter dito, no ano passado, que o projeto do escudo antimíssil seria abandonado, Hillary Clinton assinou em Varsóvia uma emenda ao mesmo sistema de defesa que se julgava descartado. A Polônia receberá uma bateria de mísseis que ficará situada na base militar de Morag, 250 km ao norte de Varsóvia e somente a 60 km da fronteira com a província russa de Kaliningrado. Trata-se de um movimento unilateral dos Estados Unidos que contraria diretamente o principal passo do processo de “pacificação” entre os dois países. Além disso, assim como no caso da Ucrânia, Clinton parece estar disposta a minar as recentes tentativas de aproximação entre Moscou e Kiev que pareciam promissoras depois da vitória de Komorowskinas eleições do país. O ministério das relações exteriores russo exigiu mais objetividade e sinceridade de Washington e questionou a necessidade de implementação de um mecanismo de defesa como este, uma vez que não há qualquer ameaça imediata ou futura na Europa.

Enfim, as relações entre os dois países têm esfriado consideravelmente, como se viu no ridículo “escândalo dos espiões” que abalaria a imagem de Moscou entre a chamada “opinião pública” capitalista ocidental e se mostraria depois uma farsa. Para a Rússia, sua aproximação de Washington representou uma perda no diálogo com o Irã, uma vez que votaria contra o país na resolução 1929 do Conselho de Segurança da ONU. Os Estados Unidos, por sua vez, revelam novamente uma dupla moral em âmbito diplomático: promovem o “smart power” [poder inteligente] de Obama, baseado em sua suposta imagem de conciliação, e mandam Hillary Clinton negociar em termos verdadeiramente imperiais. Aliás, ultimamente, a secretária-geral tem assumido no mundo uma projeção maior do que o próprio presidente, mais dedicado a assuntos domésticos (como o vazamento da BP) e acusado pela oposição ultraconservadora de ser “fraco”. Parece até uma tentativa do Partido Democrata de anulá-lo politicamente e mostrar Hillary como o “pulso firme” do partido para a extrema direita estadunidense.

De qualquer forma, o questionamento de Fidel Castro a Obama em sua reflexão O undécimo presidente dos Estados Unidos mostra-se mais válida do que nunca: “o que fará quando o imenso poder que tomou em suas mãos seja absolutamente inútil para ultrapassar as insolúveis contradições antagônicas do sistema?”

Vinícius C., Agência Inverta.